Desde o despertar imediato da canção, não existem dúvidas plausíveis nem em relação ao gênero musical que defende nem às emoções que pretende disseminar. A partir de uma guitarra completamente embebida em um riff aveludado de conotações sensuais controladas, o blues se apresenta com todo o seu primor e tradicionalidade explorando o swing e um leve teor introspectivo.
O curioso é que, no instante em que uma voz masculina de inclinações roucas é ouvida, o espectador consegue identificar, diante de tais pronúncias, inflexões que denunciam ligeiras influências do soul na roupagem lírico-interpretativa em andamento. Ainda assim, esse detalhe contribui para que a canção se torne ainda mais envolvente, uma característica sensorial que se beneficia, inclusive, dos suaves gritos do saxofone e de seu som adocicadamente estridente com bons traços encorpados.
Indiscutivelmente, é no momento em que a bateria entra em cena na ânsia de construir e dar vida ao escopo rítmico que o blues se torna presente e responsável por dar essência à própria base da obra. Com seu compasso amaciado em 4×4, a bateria não apenas consegue dar profundidade emocional ao ambiente, mas faz com que Paris Got The Blues Tonight transpire a significância léxica da sedução, do hipnotismo e do contágio.
Mais informações:




