A guitarra entra em cena com uma pose potente. Densamente distorcida em meio a uma afinação denotativamente áspera, ela pede por espaço e clama por ser vista. Contudo, passadas as suas primeiras frases de pura rebeldia, ela percebe que, à sua volta, uma base atmosférica passa a dominar a dianteira sonora.
Diante de contornos que soam aéreos no sentido próprio da palavra, a canção acaba sendo acompanhada por um toque agudo e tilintante que, muito além de simplesmente sugerir e amplificar o quesito melódico, produz um sinal hipnótico que automaticamente coloca o ouvinte em um estado intimista e quase letárgico. Inclusive, a maneira com que o vocalista entrarem cena e usa a sua voz na atividade de dar vida ao enredo lírico muito coopera para o amadurecimento desse cenário sensorial.
Esboçando um tom de culpa e remorso, o cantor caminha pela dianteira melódica com uma modulação lírico-interpretativa que segue exatamente os mesmos padrões estipulados pela guitarra. Mesmo diante dos pulsos da bateria, porém, o torpor até aqui explorado se torna inevitável, um ingrediente-base que acaba tornando Sleepless In Seattle aquele produto que captura o The Mack Brothers na sua aventura sônica mais intimista, o que acontece sob o véu do indie rock.
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