Quando a gente nos depara com um artista que coloca toda sua vida em sua música, podemos sentir isso de longe. Temos aqui um ótimo exemplo disso, pois Shannon Hudson moldou sua música conforme moldou sua vida e nisso tudo tem-se muita história pra contar, por isso resumiremos um pouco.
Tendo sua família oriunda de Oklahoma, Shannon nasceu e passou maior parte da infância em Wisconsin. Essa família, aliás, tem praticamente uma árvores genealógica baseada em amar a música. Seus pais não são músicos, mas a música sempre foi muito importante na sua casa.
O rock n’ roll do final dos anos 50 e início dos 60 tocava sem parar. Buddy Holly, Eddie Cochran (que simplesmente é primo sua mãe), Elvis e Ricky Nelson eram figuras gigantescas pelos cômodos. Sua avó materna foi uma das pessoas mais queridas que Hudson já conheceu e ainda teve chance de conviver com ela até a vida adulta.
Sua irmã mais velha foi uma grande incentivadora e influência na paixão pela música e o apresentou ao Wham e ao Duran Duran. Já sua irmã mais nova era sua melhor amiga. Hoje, Shannon é pai de família, marido e carrega alguns hábitos simples, que ajudam a moldar seus costumes.
Seus momentos favoritos são os mais simples: surfar com seu filho, flutuar na piscina com sua esposa e observar o pôr do sol sobre as colinas de Leander, no Texas, do seu quintal. O leitor (futuro ouvinte) pode perguntar porque contar tudo isso, mas ao ouvir seu mais novo disco, irá entender.
Shannon Hudson gravou quatro álbuns: “Signal and Noise”, “Ghost of Truth”, “Flowers to Make You Smile” e ‘Long Distance Goodbye”. Agora ele chega a “Cross Stitch”, disco do qual ele mesmo afirma ser o seu mais elétrico até então, o que nos deixa um bom recado. Afinal de contas, estamos automaticamente em um trabalho que é uma nova etapa do artista.
Fato é que quando começa a primeira música, “Black Roses”, notamos um artista que aposta no rock clássico e vai abrindo seu leque de forma leve, colaborando para soar característico, mas sem deixar de ser versátil. Aliás, a faixa tem um belo trabalho de guitarra, que já chama atenção.
“Touch and Go” dá um passo pra trás, mas não de forma negativa. Chega um pouco mais próximo do que Shannon fez no passado. O detalhe lindo da faixa é seu entrelace entre elétrico e acústico com advento de um piano que deixa tudo ainda mais belo. Enquanto isso “Lockdown” fica entre o souther rock e o alternativo, com uma veia mais americana, o que não surpreende em se tratando do artista, que criou suas raízes passando por diversos estados dos EUA.
Com mais um trabalho primoroso de guitarras e um violão que agora chega como auxílio, “Game Changer” tem um toque de country que soa até natural e sem intenção, mas deixa a faixa muito rico. Com um leve efeito nos vocais, Hudson mostra querer equilibrar bem as coisas, a deixando atemporal.
Fechando a primeira metade do disco, Shannon entrega a semi balada “Is It Over Now”, que além do teor alternativo que carrega, traz alguns elementos individuais que arrancam suspiros. O primeiro deles é o trabalho de backing vocals, aqui fundamental e que deixa a música diferenciada, o piano discreto é outro detalhe, enquanto o magistral e imponente solo de guitarra é outro.
Abrindo a segunda metade do disco temos a guitarra psicodélica de “Happy Hour”, uma faixa que faz jus ao nome e ainda traz elementos do hard rock, para se tornar ainda mais com cara de hit, pois seu refrão já colabora muito com isso.
Eis que cheguemos à faixa título e seu dinamismo imponente. Mais uma vez o violão toma forma apoiado por guitarras providenciais e estratégicas, nos revelando um folk rock de primeira linha. Com mais um refrão contagiante, a faixa prima também por soar objetiva.
“Are You The Hero of The Story” é a faixa que compete à balada. Semiacústica, a música encanta pelos arranjos muito bem detalhados e a habilidade de Shannon em entrega-la mastigada ao ouvinte, provando todo seu talento. E mais uma vez ele nos traz um refrão magistral, um piano primordial, além de um violino discreto que caiu como uma luva.
Eis que em “The Sounds Starts To Break” retoma a essência do souther rock, com objetividade e afirmando ainda mais a identidade do artista. Por fim, “Leave It All Begind” chega como um country folk que fecha o disco de forma requintada, já que, além do aspecto acústico, enfatiza um violino essencial. Com o drama na medida, Shannon se despede com um disco fenomenal.
Afinal de contas, “Cross Stitch” é impulsionado pelo lado mais elétrico do artista, mas não faz com que ele perca sua essência em momento algum. Ouça no melhor volume e deleite-se.
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