ROCK N ROLL ANIMAL | Emily Mac anuncia EP com coleção de canções cruas e rebeldes que ecoam a origem do classic rock

Com direito a guitarras elétricas unidas à tilintante textura do pandeiro na base rítmica criando uma embrionária sensualidade enquanto a bateria produz pulsos ocos, a canção nasce já com a promessa de trazer consigo uma paisagem provocante e sexy com ideias de um típico padrão hard rock. Trazendo consigo uma postura estimulante e até mesmo motivacional, o que chama a atenção do ouvinte, a faixa rapidamente dá espaço para que o enredo lírico comece a ser devidamente construído. Pela voz afinada e de inclinações graves der Emily Mac, ela se destaca por trazer consigo texturas e movimentos que chegam a fornecer resquícios do universo folk em seu contexto rítmico-melódico, tornando a sua atmosfera ainda mais envolvente, mesmo ainda sob um andamento com perfil intimista. Conforme engata em uma evolução tonal, a composição assume um compasso ondulante que fornece uma fluidez suavemente mais envolvente que captura a atenção do ouvinte até desembocar em um refrão de estrutura linear, mas que, felizmente, não empobrece ou enfraquece o poder de influência que Whiskey Like Me exerce sobre o espectador.

A batida rítmica é padrão Queen. Com seu andamento em 4×4 que recria a introdução icônica de We Will Rock You, single da banda inglesa, a presente faixa mergulha profundo na exploração da aspereza como a sua principal textura. Com direito, inclusive, à assumição de uma tonalidade grave pela guitarra, a obra caminha por uma postura mais agressiva que surte em uma postura de conotação empoderada por parte de Emily. Estruturalmente simples, mas não menos penetrante, Kills Me To Love You explora uma sonoridade suja, ríspida e intensa que bebe de uma postura sorrateira que namora tanto o post-grunge quanto o rock alternativo do início dos anos 2000. Com presença marcante do baixo na sua base melódica a partir de um groove que beira o azedume, a faixa, em meio aos suspiros cínicos da guitarra, alcança a densidade que lhe faltava até então. É assim que ela flerta com a roupagem sônica construída pelo Audioslave.

Com a ideia de se aventurar pelo suspense durante seu processo introdutório, a faixa se destaca por prender o ouvinte em um ambiente que comunica a iminência do caos a partir de pulsos rítmicos firmes e uma guitarra de riff aveludado que se contorce como uma forma de súplica ignorada. Com uma base melódica densa e firme, a faixa explode em um refrão de textura indiscutivelmente ácida que caminha em meio a um compasso rítmico em 4×4 no típico padrão do blues. Conseguindo oferecer traços de maciez mesmo diante dessa roupagem, Going Down Singing combina dramaticidade, determinação, sensualidade e boas doses de empoderamento.

Retomando aquela temática mais agressiva, mas mantendo certo quê de veludo, Buried Alive segue a prerrogativa de Going Down Singing por manter a base rítmica no compasso do blues. Contudo, é importante mencionar que, aqui, o swing e a leveza se encontram de forma a fazer da sua atmosfera algo único em relação a todo o conteúdo até então apresentado. Sensual e transitando por um aparente sofrimento romântico, a faixa, na forma da composição mais longa de ROCK N ROLL ANIMAL, tem corpo e boas doses de dramaticidade que transpiram a partir do seu refrão. Intensa e equilibradamente explosiva, a canção apresenta trechos que exploram uma provocação de inclinações sensitivamente sexuais que dialogam com texturas psicodélicas em razão da adoção do reverb, detalhe que faz, da ponte, o momento mais marcante de toda a sua execução.

Explorando uma bateria de frases sujas e uma guitarra que exibe uma melodia devidamente sensual de texturas pegajosas, a canção que se anuncia parece oferecer a paisagem mais hard rock do EP. Ainda que seus versos se construam de maneira monossilábica entre a guitarra e a bateria, a faixa se aventura em meio à construção de uma sonoridade estimulante, atraente e contagiante que lhe consagra a apropriação de um cunho propriamente radiofônico. Com movimentos estético-estruturais que lembra a paisagem sonora do The Mayfield Four, Animal é, definitivamente, a faixa mais apelativa, mas não no sentido da necessidade de mais ouvintes e, sim, no que tange um tom mais acessível e devidamente melodioso.

O que Emily Mac faz com ROCK N ROLL ANIMAL é construir uma união de canções que exibem, transpiram, desfilam e até mesmo esnobam uma roupagem sônica crua e naturalmente orgânica. Moldado principalmente pela guitarra distorcida, elemento que serve como guia estético de suas canções, o material caminha livremente por ambientes que tangenciam desde o hard rock a uma espécie de fusão entre o rock alternativo do final dos anos 90 com o rock altertnativo do início dos anos 2000.

Intenso, sensual, provocante, sujo e agressivo, o material ainda exibe momentos marcantes em que se aventura pela atmosfera amaciada e sentimental do blues, contrariando a sua maciça atmosfera corrosiva em razão da tonalidade assumida pela distorção. Com uma mixagem equilibrada que auxilia na obtenção de uma base sonora firme e devidamente densa, o extended play permite que o ouvinte se atente a todos os instrumentos de forma tanto coletiva quanto individual, ampliando o seu leque sônico. É assim que ROCK N ROLL ANIMAL fornece traços de empoderamento associados a um toque feminista moderno.

Mais informações:

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