A música traz história belas e serve como mais uma prova de que nunca é tarde para se fazer algo. Isso faz com que essa arte magistral simplesmente seja revigorante e ganhe ainda mais motivos para ser admirada. Desde recuperação de doenças, ajudar na superação de momentos difíceis, passando pelo talento recuperado, realizações de sonhos e uma infinidade de coisas, a música é não é um remédio apenas, mas a própria cura e advento para o ser humano e a sociedade em sim.
Isso sem contar que podemos tê-la como uma manifestação, seja de cunho político social, seja como um alarme, como uma forma de passar uma mensagem positiva, lamentar, apenas entreter e espalhar a felicidade, enfim, a música traz contextos infinitos.
O Reetoxa é um projeto que traz um pouco disso tudo ou quase e ainda nos entrega som de qualidade. Não é a primeira vez que está em nossas páginas, mas sua história envolve tanto sentimento que é sempre bom conta-la novamente.
Trata-se de uma banda de Melbourne, na Austrália, liderada por Jason McKee. Após 30 anos compondo, Jason conheceu o produtor Simon Moro e iniciou seu primeiro lançamento. Ou seja, colocou seu sonho em prática e agora nos entrega trabalhos magistrais.
O Reetoxa é a visão artística de Jason, um artista que transformou adversidades pessoais profundas em música extraordinariamente comovente. Buscando inspiração em experiências da vida real, em vez de apenas em referências musicais, Mckee criou uma sonoridade única que ressoa com autenticidade crua e profundidade emocional.
Sua trajetória tem sido marcada por uma resiliência notável; ele superou desafios significativos para emergir como uma voz cativante no cenário musical contemporâneo. Com colaboradores de nível mundial, incluindo o próprio Simon Moro (produtor, mixador e engenheiro de masterização), a Orquestra de Budapeste, James Ryan (Men at Work), Peter Martin (Jet), Kit Riley (que se apresentou com Robbie Williams) e Jessica Mcpherson-Riley (The Voice Australia), ele vem nos brindando com lançamentos do mais alto nível, onde foca no rock alternativo, mas sempre mantendo seu leque de influências abertos e ainda oferecendo mais que uma forma de puro entretenimento.
Agora ele chega com “Double A Side 2 (Akaroa / Erica And The Stars)”, que é um EP extraordinário que demonstra a capacidade de Reetoxa de transformar experiências intensamente pessoais em arte capaz de tocar a todos. Com duas faixas, mais dois bônus alternativos, o trabalho também comprova o amadurecimento do artista.
Localizada na Península de Banks, na região de Canterbury, Akaroa é o único assentamento fundado por franceses na Nova Zelândia. Criado em 1840, o local mistura as culturas Māori, francesa e inglesa. Ela é que dá nome a uma das faixas deste mais novo disco e mostra uma das vivências do artista.
“Akaroa” surgiu de um sonho espiritual vívido, vivenciado durante um período extremamente difícil, e foi finalmente concluída anos mais tarde na cidade costeira da Nova Zelândia que lhe dá nome; lá, Mckee sentiu uma presença inexplicável que fez a música retornar à sua mente com força total.
Musicalmente a composição entrega um rock alternativo de vanguarda, mas que traz uma abordagem atual, onde o Reetoxa prova mais uma vez sua atemporalidade, além de flertar com o pop, que sempre chega para besuntar o som da banda, que ainda insiste (ainda bem!) em trazer timbres e uma produção orgânicos.
Com um trabalho de guitarra esplendoroso, onde conseguem inserir bases sólidas, que se simplificam no refrão, a música ainda traz uma seção rítmica consistente e teclados que ilustram o fundo com maestria. O trabalho vocal de Jason soa bem característico e natural, tornando-se a assinatura da banda.
Já a outra composição, “Erica And The Stars” nasceu durante uma crise de saúde mental e tornou-se uma tábua de salvação, contando com a Orquestra de Budapeste executando a composição exatamente como Mckee a ouvia em sua mente naquele momento transformador.
Gravada no The Avenue Recording Studio em Cheltenham, Victoria, com sessões orquestrais em Budapeste, a faixa representa não apenas uma composição bela e inteligente, mas também um testemunho do poder curativo da expressão artística. E é impossível uma música como esta não tocar o coração com sua melodia e os arranjos ricos que ela traz, afinal de contas, a beleza ali não tem fim.
O charme da faixa fica por conta da mescla equilibrada que o Reetoxa dá na música, não deixando apenas o contexto erudito ditar as regras. Uma cozinha moderna, dinâmica e que conduz bem a levada dá o toque essencial e deixa a faixa com uma veia popular convincente, além de um refrão esplendoroso.
“Double A Side 2 (Akaroa / Erica And The Stars)” ainda traz ambas as faixas como bônus em versão karaokê, ou seja, chama o público para dentro do disco, o que é uma ideia fenomenal e ainda nos dá chance de conhecer um pouco melhor o esqueleto dos arranjos destas composições fenomenais.
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