É interessante como a crueza ainda consegue ser melodiosa. Aparentemente, isso não é uma coisa passível de se acontecer diante de uma mesma sonoridade, mas é exatamente esse detalhe que molda a paisagem sonora da composição. Ela é bruta, crua e áspera, mas ao mesmo tempo consegue ter contornos chicletes quase melosos.
Combinando o apelo do pop com a textura do rock e uma energia sombria que beira aquela veia soturna muito explorada durante a segunda metade dos anos noventa, a faixa traz consigo uma guitarra contorcionista em uma espécie de aparente dramaticidade em meio a um escopo rítmico cheio de punchs e texturas levemente sujas. Para dar mais peso a essa soma de sensibilidades superficiais, a camada lírica se destaca por ser narrada por uma voz feminina aguda cujas pronúncias sugerem uma sensualidade despropositada.
De sensos entorpecentes, a canção é envolta em um refrão atraente e viciante que gruda na cabeça do ouvinte em razão da sua estrutura feita nos moldes radiofônicos. Ainda que se movimente perante uma harmonia de estado linear, o Not Old Memories Only Sound usa Crack It Open como uma faixa que destaca a sua fusão do post-grunge com o lado melódico do metal alternativo.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/5GDg1Ud6FtW8kFUbiErvB2
YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC2m2VdSw3UKFgxzvmImfQvQ




