Ao toque tremulante da sanfona, o ouvinte já é mergulhado profundamente no universo regional brasileiro. Construindo uma atmosfera cheia de sorrisos e de uma alegria irresistível, o instrumento, com a sua excentricidade adocicadamente ácida, não apenas chama o ouvinte para o centro da pista de dança, mas consegue apresentar uma força de vivacidade, diversão e contágio capaz de trazer uma luz incandescente ao período noturno de forma muito mais eficaz do que a música eletrônica no seu formato mais comercial.
No instante em que a obra engata em uma crescente e deixa a sua introdução, o ouvinte é colocado em contato com uma levada rítmica acelerada em razão da desenvoltura da bateria. No entanto, ao prestar atenção na sua movimentação, se percebe que o instrumento molda a composição na seara do forró com muita maestria. A partir daí, o regionalismo nordestino é posto sob os holofotes ao mesmo tempo em que o clima de festividade e celebração atinge o seu ápice.

Ainda assim, o que de fato chama a atenção do ouvinte em relação à composição é o fato de o enredo lírico ser equilibrado entre o inglês e o português brasileiro. Cravando pronúncias com domínio coloquial marcante, a cantora, com seu timbre afinado, melodioso e firme, fortalece o encantamento e o contágio de forma a fazer de Come Dance In The Fire uma faixa influenciada pela cultura e pela atmosfera das festas juninas.
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