Muitas vezes costumamos a acreditar que influências costumam moldar apenas o som de um artista. Mas, não é bem assim. Inspirações servem para muitos outros casos, tais quais a alguém começar uma carreira, serve como incentivo e também direciona, mesmo que indiretamente, um artista a apostar em um ou outro estilo.
O Evanescence é uma banda de metal alternativo que revolucionou o estilo com toques de gótico, rompendo fronteiras e atingindo o mainstream com vocais femininos em um cenário nichado. A banda, que retornou a atividade recentemente, teve seu boom na primeira década de 2000, mas se formou lá na metade dos anos 90.
Já o Paramore, que surgiu no auge do período colorido do emo, elevou o status do rock alternativo e indie com uma mescla de pop punk e indie music, também tendo à frente uma vocalista mulher. Com grande representatividade na segunda metade da primeira década dos anos 2000, a banda é referência dentro do cenário alternativo.
Já o Killing Heidi é uma banda de rock alternativo australiana, um pouco mais underground, mas com uma base de fãs fiel e também um som mais denso dentro de sua proposta. Com um som maduro, a banda se originou do folk. Também conta com uma cantora à frente.
E por que estamos mencionando essas bandas? Porque a cantora e compositora australiana Harlow Reign traz estes grupos como as suas principais influências. Ela chega agora ao seu EP de estreia e, apesar das inspirações, traz uma sonoridade muito bem resolvida, que nada se assemelha aos grupos mencionados.
Claro, o fator de Harlow ser uma cantora, algumas melodias e refrãos pode nos remeter ao rock, ao pop punk, e ao próprio pop em sim, mas o trabalho autointitulado traz muito da personalidade da cantora e também alguns requintes a mais, que acaba deixando sua sonoridade mais sofisticada.
O disco abre com a magistral “Wasted Time”, que começa com um piano moderno e um fundo climático sombrio. Uma bateria programada dá o ritmo na medida enquanto Harlow apresenta sua voz encantadora. A música evolui até ganhar intensidade com guitarras e um saxofone que a deixa mais vibrante em tons dramáticos encantadores.
Já “One More Night”, faixa seguinte, chega com um tom mais voltado ao pop, porém com um trabalho em comum com sua antecessora. A faixa também traz um piano atual e fundo climático, porém nada sombrios ou introspectivos, ganhando um contexto pop mais alegre, assim diríamos. De refrão fácil, a faixa soa como um hit imediato.
“All You Need”, que foi o último single prévio antes do EP, traz uma aura agridoce. A energia é pra cima, mas seu fundo é levemente sombrio e ainda ganha uma batida que dá tons épicos. Elementos orquestrais fazem a diferença na canção, que tem grande carga de emoção.
“Take me Away” segue o fluxo, mostrando que Harlow realmente criou uma identidade. E, por mais que seja a balada do disco, o fato de a faixa trazer guitarras bem-postas, manter um piano em tons mais graves e uma bateria orgânica, a torna a mais pesada e rock do disco.
Por fim, o disco fecha com a reflexiva “Save Me Now” traz um ar mais vanguardista, que deixa tudo mais versátil. Um primor no que se trata de versatilidade, conhecimento de causa e diversidade musical, a faixa fecha o disco com chave de ouro e um refrão magistral.
Vale destacar que, além de tudo o EP entrega uma produção primorosa. O fato de Harlow mesclar elementos orgânicos e eletrônicos requer uma atenção redobrada e ela consegue isso com maestria. E tudo por conta própria, já que todas as faixas foram escritas, compostas e produzidas por Harlow Reign e Sam Panetta.
Mas, todo essa qualidade e entrega acima da média não são em vão. Harlow Reign, que é natural de Kalkallo, Austrália, mas radicada em Melbourne, apresenta-se no cenário desde os três anos de idade, sendo uma estrela em ascensão, dotada de talento natural e um dom para a performance.
Essa experiência revela uma artista em pleno voo, mas já apresentado maturidade, o que fica evidente em seu equilíbrio vocal. Harlow carrega um timbre bem próprio, que ganha o ouvinte de imediato e ainda soa versátil propícios a cada momento de suas músicas, que são versáteis.
Este novo EP, autointitulado, mostra abrangência dentro do rock, alternatie rock e pop, mas com ares sofisticados, como do jazz e blues, além de um leve toque erudito, que deixa tudo ainda mais belo. E, o mais importante, executado de uma forma totalmente natural.
Se as inspirações musicais da australiana vêm de nomes consolidados no mundo, suas letras nasceram de experiências reais e captura as emoções cruas de lidar com a insegurança, a desilusão amorosa e batalhas mentais, culminando na descoberta de força em meio à adversidade. São menos de 20 minutos que valem ouro nesta audição!
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