A gente sabe que dentro do cenário do rock vieram diversas ramificações, inclusive um filho que ganhou maioridade e se tornou um gênero à parte, que é o caso do heavy metal. Talvez o progressivo também tenha se desvencilhado e criado propriedade, mas ainda assim não foi tão abrangente quanto deveria.
O heavy metal cresceu tanto que deu cria a novas ramificações, tornando-se quase que infinitas, além de continuar a dando mais subestilos ainda. Não que seja de maior importância, mas ajuda a situar os ouvintes, principalmente para nós críticos, onde facilita bastante para que possamos direcionar algo ou alguma coisa.
O progressivo mais se difundiu do que criou ramificações, inclusive com o próprio heavy metal e praticamente todos os seus subgêneros. Até mesmo nas facetas mais extremas o progressivo ganhou terreno e/ou foi se inserindo, sempre com status de algo mais bem elaborado e técnico, o que não deixa de ser verdade.
Temos aqui um projeto que consegue transcender tudo isso, inserindo em seu som o progressivo, o heavy metal com ênfase no doom metal, elementos góticos e até mesmo leves toques modernos carregados pelos sintetizadores. Além do trabalho em si, prova que o círculo na música é infinito e as fronteiras praticamente nem existe.
Trata-se do Far From Your Sun, que é um projeto musical parisiense que transcende fronteiras convencionais, posicionando a arte como uma linguagem universal e uma filosofia em movimento. O projeto representa um laboratório criativo multidisciplinar onde o rock progressivo se entrelaça com fotografia, pintura e poesia para criar experiências profundamente introspectivas e atmosféricas.
Desde seu álbum de estreia, “In the Beginning Was the Emotion” (2016), seguido pelo aclamado “The Origin of Suffering” (2021), com suas ricas referências mitológicas e arranjos densos, o Far From Your Sun se consolidou como um grupo de artistas comprometidos em explorar as profundezas da experiência humana, transformando o caos interior em obras de arte imersivas que ressoam muito além da própria música.
E, para ajudar, eles ainda trabalham nos moldes antigos. O grupo prima por lançar discos completos, dispensando os singles, o que mostra que realmente pouco se importam com tendências em seu contexto geral. Chegam agora a seu mais novo disco, onde mantém a metodologia, mantém sua essência, mas agregam ainda mais elementos.
E, como dizem, o terceiro disco é a prova de fogo de uma banda e/ou artista, por isso “A Dream of Hell” representa um capítulo particularmente intenso na jornada artística do Far From Your Sun. Diferentemente de seus antecessores, este terceiro álbum emergiu de uma necessidade vital e irreprimível — uma chama inesperada nascida da urgência do momento.
Concebido como um sopro essencial, “A Dream of Hell” oferece uma imersão ainda mais profunda no universo sensível do projeto, apresentando-se como uma necessidade orgânica em vez de um lançamento calculado. Esta experiência completa convida os ouvintes a confrontarem suas próprias sombras e descobrirem uma forma mais autêntica de luz dentro da escuridão.
Continuando com a fórmula de trabalhar com poucas faixas e realmente longas, a banda chega com apenas quatro músicas distribuídas em quase quarenta minutos! Isso mesmo. Mas, a habilidade dos músicos e a objetividade aqui salvam a lavoura e fazem com que a audição seja prazerosa.
O disco abre com a misteriosa “Hell” e seus mais de treze minutos. A música se mostra como um resumo do disco, já que apresenta praticamente todos os elementos que encontramos no trabalho. Com um início revelando sintetizadores psicodélicos, sua progressão não é burocrática, mas também não atropela, indo de um ar misterioso ao heavy metal em sua essência sem apelar para melodias baratas. “Hell” também revela uma cozinha poderosa, onde o baixo é simplesmente magistral com usa linhas que não ficam se prendendo o tempo todo à levada.
A menos e mais objetiva faixa, “Eternity”, pode deixar os fãs de metal progressivo felizes. Isso porque a faixa traz os trejeitos do gênero, lembrando as bandas nórdicas do estilo com um instrumental consistente e os timbres geniais. Claro, será a música que irá soar mais abrangente, afinal de contas, é a mais acessível.
Isso não significa que “Laeta”, com seus mais de nove minutos, também não seja. Até porque a dinâmica e a peteca lá no alto é mantida com precisão pela banda, que demonstra também este talento incrível. Destaque para a ascensão em melodias cativantes e emotivas e o peso na medida.
Por fim temos “Tyger”, que apresenta os primeiros elementos acústicos em sua introdução, e é uma mescla de prog rock com prog metal, algo que todo fã de progressivo no geral sempre deseja. O trabalho aqui, na ocasião, traz requinte em todos os setores, com guitarras excepcionais de riffs versáteis e timbres que encantam, uma seção rítmica que enfatiza ainda mais a coesão e os teclados versáteis, que dão uma sustentação de fundo primorosa e necessária. Tudo com os vocais típicos, que se tornaram a assinatura do Far From Your Sun.
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