Citizen Smith lança primeiro álbum e se sai muito bem

O rock inglês é uma instituição da música mundial e um dos pioneiros do pop. Isso mesmo, foi lá no cenário do final da década de 50 e por toda a década de 60 que ele se consolidou com um nome ‘singelo’ chamado Beatles e outras bandas do movimento. Não é uma história exata, mas que resume bem tudo isso.

De lá pra cá vieram transformações, passando pelo progressivo, o surgimento do heavy metal, o folk e até mesmo a consolidação do brit pop, que consistiu muito na renovação dessa fórmula clássica e a inserção de vez em um cenário voltado aos sintetizadores e batidas eletrônicas.

Doa a quem doer, o rock inglês é o pilar fundamental disso tudo e até hoje ecoa nas principais paradas com gigantes como Oasis e Coldplay, que sempre trazem em comum aquele requinte de sofisticação que dá um ar mais pomposo ao que vem da terra da rainha.

Logo, alguém que vem desse cenário, mesmo nos tempos atuais, tem uma grande responsabilidade de preservar um legado, uma pressão extra em apresentar algo que seja digno dele, além de ter que engatar uma personalidade própria, já que parâmetros não faltarão. Por outro lado, na natureza das coisas, pelo fato de vir de um cenário tão rico, ajuda a impulsionar o trabalho. Mas pra isso, precisa-se de talento.

Originária de Norwich, Inglaterra, a Citizen Smith é um quarteto de músicos talentosos cuja amizade e história musical compartilhada formam a base de sua arte. São descendentes direto do cenário do rock inglês e, por serem atuais, carregam influências diretas deste cenário magistral.

Como todos integrantes sendo fãs de nomes como Beatles, Rolling Stones e Velvet Underground, o grupo chega ao seu disco de estreia, “Somewhere Between Leaving”, entregando elementos tradicionais e uma abordagem própria, que define bem sua personalidade.

Trata-se de um álbum com 13 faixas que captura a essência da jornada da vida através de todas as suas perdas, amores e momentos transformadores. Ou seja, com uma temática central, mas que não se prende exatamente em um conceito e consegue soar equilibrado musical e liricamente em seus pouco mais de 44 minutos.

Gravado principalmente no Sickroom Studios em Norfolk, com três faixas adicionais gravadas no estúdio caseiro de um dos integrantes, o debut prima também por trazer uma excelente produção, muito bem lapidada e que corresponde aos teores que a sonoridade proposta exige.

O disco começa com um prelúdio/introdução intitulado “Memories”, onde um órgão ‘old school’ acompanhado de um dedilhado de violão pavimentam o caminho para que o vocal destile umas linhas básicas e convide o ouvinte a imergir no disco. Já mostrando um flerte com o folk rock e trazendo harmônicas vibrantes, “Superman” abre o disco de vez, com um ritmo cativante e vozes que deixariam Crosby, Stills, Nash and Young bem orgulhosos.

“Stepping Stone” é daquelas músicas que trazem a raiz do indie, com uma guitarra levemente empoeirada, ganhando apoio de elementos acústicos e aquela bateria um tanto quanto mais sutil. Enquanto isso, o ar introspectivo e intimista dá as caras com “Avant Gardening”, que tem um órgão psicodélico vibrante encantador.

“See You Again” mantém o fundo psicodélico, mas ganha energia extra graças à levada dinâmica e os tons mais altos, que a deixam bem agitada, enquanto em “Afterglow” a introspecção retorna com guitarras reverberadas, que soam incrivelmente atmosféricas e dispensam elementos percussivos.

Se pelo nome esperaríamos uma música mais ‘melosa’, “A Lover’s Song” nos surpreende com um rock alternativo rústico, digno do REM, com cara de hit e refrão extraordinário. Enquanto isso, mantem-se o revezamento energia / introspecção, já que “Considered” é uma faixa que soa mais intimista, porém não tão sombria quanto as anteriores.

“Summer Magazine”, inspirada no tema do amor inatingível e homenagem à esposa do vocalista, é um rock agitado de guitarras saborosas e um ritmo que cativa. Não à toa foi o principal e único single prévio do disco, o representando muito bem.

Com o pique mantido dessa vez, “Good Times” é uma faixa intimista, mas agitada. Remete ao rock alternativo, mas ainda traz um fundo clássico, com os teclados magistrais que o disco todo praticamente apresenta. Enquanto isso, “Wine Bottles” entrega um folk moderno e simplista com muita categoria e bom gosto, já dando sinais do final dessa obra magistral.

Mesclando obscuridade, psicodelia e indie, “In My Mind” chega sutilmente com um ritmo inspirado pelo jazz, principalmente na cozinha. Fechando o disco de forma equilibrada, o Citizen Smith entrega o rock clássico “Gravity 26”, mais uma vez resumindo bem a música nos elementos em que o disco dispõe.

Sem sombra de dúvidas, “Somewhere between leaving” é um trabalho acima da média, onde o equilíbrio e o bom gosto dão as cartas, além da honestidade da banda. Personalidade forte e naturalidade são um dos principais motes do grupo. Que venham mais trabalhos assim!

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