A canção transpira uma simplicidade sem tamanho. A partir de sutis e graciosos dedilhares pelas cordas do violão, ela adquire, de imediato, uma atmosfera de tranquilidade e serenidade associada a um clima agradavelmente interiorano. Ainda assim, é interessante perceber como ela alça ligeiros voos rumo a uma sutil aceleração em sua cadência a partir do andamento da batida rítmica.
Diante dela, além de embalar em um ecossistema suavemente ondulante, o ouvinte consegue degustar, com certa clareza, a fragilidade da textura tilintante do pandeiro. Nesse ínterim, até mesmo a textura levemente áspera do shaker pode ser notada, garantindo certa complexidade ao âmbito rítmico, mas sem se esbarrar em brilhantismo ou virtuosismo.

Quando o escopo lírico finalmente começa a ser devidamente desenvolvido, o espectador se depara com uma voz masculina afinada em um tom frágil e graciosamente intermediário. Vindo na posse de William Walsh, ele é usado para dar vida a um enredo verbal em cuja cadência acompanha, simetricamente, a mesma modulação rítmico-melódica, o que, por vezes, chega a reduzir a percepção harmônica. Ainda assim, em sua máxima essência, So Many Things é tão envolvente que não chega a causar incômodo algum no espectador, que se delicia, principalmente, pelo seu grau de simplicidade.
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