Sailing In My Mind | Roar Idle lança álbum que explora o amor, a saudade e os anseios

A faixa-título nasce com uma mistura agradável de hard rock com um toque de soul estadunidense sulista que encanta pela simplicidade e pelo swing. Puxada por uma guitarra que, sozinha, confere nuances sensoriais de veludo, aspereza, dulçor e até mesmo percepções em relação à fluidez, a canção se torna ritmicamente sincopada no imediato instante em que o chimbal invade a cena com a sua textura seca e a sua movimentação amaciada. É nesse ínterim que a camada lírica é abrangida pela presença de uma voz masculina afinada em seu tom adocicado e fresco. Por meio dele, além de explorar seu minimalismo estético-estrutural, a composição evidencia a sua simplicidade estética e o seu frescor envolvente diante de uma delicadeza incontestável. O mais interessante é o fato de que a composição, assim que atinge seu ápice, bebe de um contexto sensorial entorpecente que rompe brevemente com a sua sutileza sinsivelmente amaciada.

O calor é o primeiro ponto sensorial que se destaca já nos primeiros instantes introdutórios da canção. Além dele, conforme a guitarra vai assumindo o protagonismo sônico, a aspereza assume uma conotação de indispensável sensualidade provocante, transformando a atmosfera. Possibilitando a assumição de uma postura sincopada com o auxílio da bateria e de uma segunda guitarra, o instrumento faz, da canção, algo saboroso e convidativo ao mesmo no que tange à sua esfera sônico-instrumental. Curiosamente, Waiting For Fire também se mostra versátil e eclética a ponto de transitar por ambientes rítmico-melódicos entorpecentes que tangenciam incursões reflexivas e, inclusive, esotéricas presentes nas brisas de sua conjuntura sonora.

É a guitarra que entrarem cena novamente em meio à introdução. Aqui, porém, ela aparece de uma forma seca e levemente truncada, capaz de inserir uma textura ainda mais palpável diante do amanhecer da faixa. Transformando seu riff em algo macio adornado por ligeiras brisas de acidez, o instrumento recebe os comandos da bateria que, por entre pulsos e tilintares, vai indicando a natureza da cadência a ser assumida. Na forma de uma primeira balada a preencher a track list de Sailing In My Mind, Ever & Ever traz consigo uma natureza introspectiva crua e amaciada que é respaldada por uma cama sonora lexicalmente embriagante ofertada pelo teclado.

De estrutura lírico-rítmico-melódica ondulante e reciprocamente linear, a canção é marcada pela combinação de acidez, introspecção e curiosas nuances de torpor elaboradas pelo seu instrumental de ligeiros flertes para com o soturno. Ganhando certo quê de continuidade assim que a bateria passa a entoar uma levada com uma clara noção de movimento, In My World chega a superar até mesmo o viés de simplicidade estudadas na faixa-título e prevê um aprofundamento em relação ao senso de uma breve melancolia e a um intimismo de identidade reflexiva. 

Ainda que a textura levemente ácida e espacial oferecida pela guitarra consiga chamar a atenção do ouvinte,  é o caráter cuidadosamente sincopado da bateria e o timbre do vocalista colocado em cena por entre falsetes bem executados que sugerem uma boa e suficiente noção de movimento. Introspectiva e um tanto melancólica, é interessante perceber que, por meio da identidade do seu próprio instrumental, Island All Alone consegue caminhar pela temática da solidão e de uma introspecção profunda.

Até mais que In My World, Electric Blanket consegue construir uma atmosfera envolvente, empolgante e até mesmo enérgica perante uma medida bastante equilibrada. Trazendo o baixo e seu groove grave e levemente azedo com uma notoriedade de respeito, a canção, sem demora, transpira não apenas consistência, mas, principalmente, uma densidade que torna todo o seu aspecto sônico firme e preciso. Agraciado pela presença de uma guitarra cuja distorção chega a flertar dirtetamente com uma roupagem associada ao rock alternativo, o som da composição traz consigo uma estridência que comunica abertamente os flertes perante o stoner rock e o rock alternativo. Esteticamente macia, ainda que suja e áspera, a faixa se desataca por brincar entre o torpor e a sensualidade com uma versatilidade notável.

Introspectiva e amofinante de uma forma que não cabe nem uma brisa de contestação, a canção, a partir da desenvoltura da guitarra, soa perfeitamente como um entorpecente que, ao ser consumido, não apenas afugenta o ouvinte da própria consciência, mas explora uma percepção de leveza tamanha que chega a até flertar com o transcendental. Delicadamente sincopada no que se refere ao seu escopo rítmico, a faixa explora o ambiente brisante com tanta precisão que chega a até mesmo trazer o psicodélico como um importante ingrediente sensorial a preencher a sua própria atmosfera conjuntural. Instrumentalmente seguindo a mesma linha harmônica, Floating leva a introspecção e o próprio estado letárgico a outro nível sensorial. 

Dedilhares ácidos, mas minimamente melodiosos, são os responsáveis por puxar a introdução da canção sob uma ótica minimalista e introspectiva. Com grande e marcante presença do baixo na criação de sua sonoridade, a canção passa a ser possuinte de boas doses de densidade e consistência no que tange à sua própria camada sonora. De lirismo interpretado de maneira sussurrante, a canção fortalece e prevalece o torpor como um indispensável caráter sensorial diante de sua roupagem. É em Cora que fica evidente a influência do Pink Floyd no som do Roar Idle.

Fechando a sequência de faixas do material vem Voice Memo, uma faixa estruturada perante uma paisagem graciosamente acústica, macia e introspectiva que parece explorar a simplicidade estético-estrutural e modulações lírico-sonoras de nuances curiosamente radiofônicas. Não que tenha, em si, um caráter apelativo, a faixa traz um aspecto ainda mais orgânico e cru em relação ao montante de composições entorpecente-introspectivas às quais o ouvinte já degustou. Apesar de ser a música de menor duração de todo o álbum, é Voice Memo que esbanja uma natureza honestamente envolvente e atraente.

Com Sailing In My Mind, o Roar Idle fez com que o introspectivo falasse com o torpor de uma forma tão direta que conseguiu criar uma crueza brisante a ponto de confundir o ouvinte sobre o que, de fato, é real e o que é alucinação. Diante de roupagens delicadas e macias, a brisa foi um comando onipresente e obedecido de maneira completamente involuntária pelo espectador, bastando apenas alguns comandos sensoriais para estimular, inclusive, a abertura do inconsciente para viver experiências extrassensoriais até difíceis de serem explicadas.

Mesclando o atmosférico com o fresco, o macio e até mesmo com ousados momentos de minimalismo estético-estrutural, o disco chama a atenção pelos seus instantes de simplicidade e pela sua profundidade emocional. Profundidade essa marcada pelo diálogo de temas como amor, saudade e o sonhos banhados pelo mar.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/7F0c3Ktu5jBFj8vpXCSlDl

YouTube: https://www.youtube.com/@RoarIdle

Instagram: https://www.instagram.com/roaridle/

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