A introdução, pautada em uma espécie de valsa animada estruturada pelo sonar cativante e alegre dos violinos, confere à atmosfera não apenas um contorno dançante, mas algo que instiga a expectativa do espectador. Não que ela se deleite, necessariamente, em um contexto épico, mas, a partir de sua sonoridade introdutória, a faixa se vale por um desenho sônico preciso e potente que chama a atenção pela sua natureza erudita.
Ganhando uma identidade fabulesca e lúdica ao mesmo tempo, a composição se torna envolvente e viciante graças à maneira com que o vocalista constrói o enredo lírico. Com seu timbre afinado e levemente agridoce, ele consegue transformar um lirismo tradicional em algo penetrante que se vale de uma estrutura de contação de história. Com ela em voga, o espectador consegue dar a devida liberdade à sua imaginação, conforme as palavras ditas vão se embrenhando em sua mente, montando cenas e criando personagens.

De inclinações levemente dramáticas, a faixa vai evidenciando, em meio ao seu desenho estético-estrutural, uma conotação marcante de um folk céltico que coopera para que a sua sonoridade atinja um alicerce contagiante, atraente, penetrante e, principalmente, viciante. É assim que os noruegueses do Grey & The Purple Songbook fazem de Tales Of Sheherazade uma faixa que conta a história da rainha persa e de seu marcante destino.
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Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/67Avr3JJbXVGmbvy0q2SHl
