O sonar sobreposto de uma dupla de violinos é colocado em cena como o elemento responsável por puxar a introdução da obra. A partir daí, a sintonia sensorial entre os instrumentos causa a construção de uma atmosfera embebida em uma mistura de drama, melancolia e torpor. Inclusive, com o auxílio do grave lacrimal do violoncelo e da delicadeza amaciada e suavemente áspera do chocalho, a introspecção acaba sendo uma postura que, invariavelmente, é assumida pela composição.

No primeiro suspiro do violão, a bateria toma parte da sua área e começa a desenvolver um escopo rítmico amaciado e de natureza frágil que entra em sintonia com a sensorialidade cabisbaixa até então difundida pelos instrumentos harmônico-melódicos. É, inclusive, nesse exato momento que o enredo lírico passa a ser devidamente desenvolvido. Por meio de uma voz masculina de timbre afinado, delicado e cuidadosamente adocicado na posse de Seann Medicina, tal enredo verbal vai tomando contornos de profunda e contagiante reflexão.

Ainda que não exista, necessariamente, a pungência, a faixa vai, gradativamente, mergulhando em um universo sensorial lamentador, intimista e, até mesmo, lacrimal. De energia sofrida, portanto, é interessante perceber que You Don’t Know Me se transforma em um produto folk pensante e melancólico que, ao falar sobre estar em um relacionamento ruim, ressalta que é possível de se atravessar esse momento e recuperar o senso de identidade.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/6KIndGFpzZ6mzXSpuAhYJf

Instagram: https://www.instagram.com/seann.medicina/

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