Seu sabor é incontestavelmente doce. Sua movimentação, inquestionavelmente macia. Sua energia, tão serena quanto a brisa vinda do horizonte no auge do entardecer. Diante de uma singeleza estonteante presenciada a partir da performance do piano, o ouvinte se deleita em uma bela paisagem de postura introspectiva. Ainda assim, vale pontuar que, aqui, não há drama ou pungência. Ou, ainda, reflexão. É apenas um instante de contato com a própria essência do indivíduo. De gentileza espectral, a canção ainda se vale por instantes cujas inclinações se deparam com um espirituoso de nuances esotéricas e transcendentais. Não que necessariamente existam requintes etéreos, mas é um fato inquebrantável que Wings Of Gabriel, Pt. 1 conquista o coração do espectador de dentro para fora. Com seu véu cheio de graça, a canção transborda compaixão, generosidade e um zelo contagiantemente penetrante.

A paisagem pode até ser noturna, mas a energia é serena. Ainda que o céu esteja escuro, existe, nele, uma notável e cristalina limpidez, o que permite o vislumbrar do brilho das estrelas em seu mais puro esplendor. Cuidadosamente açucarada, a faixa se desenvolve de maneira mansa e com direito a pausas entre as notas, o que sugere lapsos de uma dramaticidade que engrandecem a sensorialidade quase onírica que banha a sua atmosfera. Como um abraço cheio de ternura, a forma como o piano se apresenta lança lágrimas aos olhos do espectador em razão de sua beleza e de sua pureza incandescente. Cheia de bondade em seus atos e repleta de generosidade em seu olhar, Angel Gabriels Grace é como o mais profundo, bonito, acolhedor e revigorante sonho que equaliza as energias para o novo dia que se anuncia.

É interessante perceber que, a partir da desenvoltura do piano, o ouvinte consegue perceber que o escopo harmônico-melódico aqui criado soa como uma inquestionável representação da valsa vinda de ventos suaves do horizonte. Cada tecla, nota e som extirpado do piano, a partir daí, é como um suspiro envolvendo com cuidado o espectador, que, inevitável e surpreendentemente, é tomado por inclinações sensoriais inerentes à melancolia, o que o faz ficar com os olhos mareados e úmidos. Capaz de oferecer, inclusive, incursões nostálgicas, Angel Gabriels Whisper se mostra como a primeira canção do álbum com uma densidade emocional profunda e densa que toca verdadeiramente a audiência.

Curioso pode ser a palavra que descreve a canção em desenvolvimento. Afinal, ela mostra que aquela melancolia expressa durante a obra anterior em nada se compara com a oferecida em sua paisagem sônica. Isso porque, aqui, o piano não marca o ecossistema com notas de identidade aguda ou doce, mas, sim, graves, soturnas e introspectivas no sentido de promover presságios de dramaticidade. Sua beleza é inquestionável, é verdade. Porém, a estrutura sonora proposta pelo instrumento sugere, surpreendentemente, o contato com a dor e o sofrimento, expondo uma necessidade gritante por cura. Por redenção. Intensa em meio à sua performance que pode até soar singela, Angel Gabriels Refuge se apresenta como uma ternura gélida que amorfina profundamente o espectador em meio a um universo inconsciente.

As notas agudas aqui expressas pelo piano trazem uma textura aguda e doce tão intensa que chegam a tangenciar com o estridente. Porém, é incontestável que a postura do instrumento envolve o espectador em meio a uma postura cheia de compaixão e, inclusive, conhecimento no que tange a posse de consciência. Aromática e vulnerável, Wings Of Gabriel, Pt. 2, como o nome sugere, soa como um complemento à sua irmã mais velha. Porém, a presente composição oferece uma importante diferença em relação à primeira parte. Ela traz consigo, definitivamente, a delicadeza, a vulnerabilidade, a bondade de um anjo. E isso é uma coisa a se admirar.

É interessante notar que, por meio da movimentação aqui proposta pelo piano, mas também em razão da natureza das notas selecionadas para dar vida à introdução, sugerem um instante de profunda imersão. Um momento em que todo o mundo externo se parece distante, quase inexistente. Nesse ponto, é como se o ouvinte conseguisse se conectar consigo de uma maneira intensa e densa. Diante desse processo de autoconhecimento, a paz e a plenitude se anunciam como um só corpo e uma só energia que irradia de dentro do peito para fora. Essa é a verdadeira essência de Angel Gabriels Glow: a autoconexão. O brilho da aceitação. Do autoamor. Da autovalorização. É a força de um anjo agindo na vida do indivíduo.

De todas as canções até então apresentadas em Wings Of Gabriel, essa é, sem dúvida, aquela que carrega o título de música introspectiva. Diante da doçura das notas pronunciadas pelo piano, o ouvinte pode perceber convites para uma curiosa melancolia perante a elucidação de uma postura um tanto cabisbaixa. Sim, ela é bela e serena, mas existe, aqui, certa brisa de dor que intriga o espectador. Cuidadosamente densa em meio à sua paisagem parcialmente monocromática, Angel Gabriels Heart String guarda consigo boas doses de uma dramaticidade latente e pungente que embriaga o ouvinte.

Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. A dúvida é se essa frase, em forma de ditado popular, vale também para a música. Bem, a resposta está em Wings Of Gabriel. Com seu álbum instrumental baseado no intimismo e na profundidade versátil e performática do piano, Karen Salicath Jamali destaca que, apenas com o som de um único instrumento, é possível levar o ouvinte a uma jornada sensorial intensa e profunda.

Pode até parecer, em alguns momentos, que não há alteração nos escopos harmônico-melódicos. Porém, para aqueles ouvidos atentos, em cada curva, se percebe em contato com um mundo sensorial completamente diferente. Baseado em posturas introspectivas e delicadas, aqui se baseando na forma mais léxica da palavra, o álbum coloca o espectador diante de uma jornada transcendental de nuances espirituosas vibrantes.

Ainda que essas características estejam mais presentes diante da execução dos seis primeiros títulos da sequência de faixas, Wings Of Gabriel se consagra como um material que, em sua integridade, exorta beleza, pureza, gentileza e compaixão. Um material que, em sua máxima essência, é firmado em três frentes: ternura e amor; compaixão e paz; e, por fim, o mistério por traz da figura do arcanjo Gabriel.

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