Não será a primeira e nem última vez que falaremos aqui sobre estreias e o quanto elas são complexas. Mais do que se imagina, aliás. Além da carga de tensão que trazem, uma estreia pode ser como arriscar tudo no pôquer e perder, mas também obter êxito. Imagina para uma artista que acaba de atingir a maioridade? Pois bem, é o que temos em mãos.

Vanna Pacella é uma cantora, compositora, tecladista e baixista, radicada em Cape Cod, Massachusetts. Ela lidera o Vanna Pacella Power Trio e, Com apenas 18 anos, sua agenda de apresentações contou com mais de 200 shows pela Nova Inglaterra em 2023. Em 2025 ela chega ao seu disco de estreia, este “Listen”, onde mostra todo seu talento.

Sem sombras de dúvidas, ao ouvir o trabalho, notamos que ela passou pelo teste de fogo e se mostra madura o suficiente para conquistar seu espaço. E, o mais incrível de tudo é que a personalidade de Vanna está mais do que moldada, pois seu som soa bem característicos.

E não estamos falando de uma artista que inventa ou experimenta. Nas composições de Vanna iremos encontrar, principalmente, elementos do rock alternativo, indie, pop rock e uma visitada de leve no jazz, que acaba dando o requinte final.

Mais do que isso, nota-se que temos aqui alguém preocupada com arranjos detalhados, mas que chegue de forma simples aos ouvintes e ela consegue isso com êxito, mas sem primar pela objetividade pura. Em algumas canções, ela entrega um trabalho médio a longo, mas que passa longe de cansar o ouvinte.

Tanto que “Listen” possui nove faixas distribuídas em poco mais de 42 minutos, o que dá uma noção do conteúdo. Conteúdo riquíssimo, aliás, que conta com uma produção primorosa, que conseguiu manter a organicidade e inserir elementos modernos sem perde-la, além de contar com timbres fenomenais.

Com um piano magistral, a artista entrega na introdução instrumental “The More I Feel”, boa parte da essência melancólica, mas resiliente que iremos ouvir no disco e serve perfeitamente como um encaminhamento para a faixa título, que abre o disco como um pop rock progressivo.

“Listen” é uma faixa de levada sutil, mas que mostra guitarras afiadas, com riffs de viradas marcantes, uma melodia dramática, além da cozinha muito precisa, que dá a dinâmica necessária. Os vocais encantadores da artista, que trazem um leve toque sombrio. O teclado serve firme e um fundo erudito dá as caras do meio pra frente. Que música magistral!

Com uma referência clara, ao menos no nome, “The Dark Side Of The Light” chega eufórica, mas mantendo o clima taciturno, que acaba sendo a referência do trabalho de Vanna, porém de uma forma bem natural. Nela, o piano soa como base principal.

Com uma mudança considerável em suas linhas vocais, em “All I Ever Wanted”, Vanna cai num contexto mais voltado ao dream-pop, em uma música onde reverbera suas linhas e traz um contexto mais limpo no instrumental, mantendo a cadência típica.

Enquanto isso, o violão dá as caras em “Holding My Breath”, uma faixa que ela vai de suas linhas básicas a falsetes consideráveis, provando a grande cantora que é. A música tem uma introdução acústica e logo explode em distorções e bateria dignos do grunge noventista, mesmo que soe um pouco menos agressiva que aquilo. A letra traz amor e saudade em seu contexto, cumprindo com o instrumental e o leve drama.

Já “Come On and Go (What Have I Done?)” é uma balada jazz pop que deixaria Amy Winehouse feliz, apesar de seu contexto totalmente dramático. Apenas acompanhada de um órgão, Vanna dá uma aula vocal, provando mais uma vez (mesmo sem ter que provar) que cantora magistral que é.

Falando sobre uma reflexão assombrosa sobre a dinâmica de empurra-e-puxa de um relacionamento destrutivo, onde amor, medo e resignação se confundem, “Wolf” chega num misto de beleza e drama, onde metade é piano e voz, até chegar na veia alternativa alimentada por uma seção rítmica mais do que competente.

Em “Fold” o violão retorna, mas de uma forma mais técnica e essencial, sendo a principal base da faixa que fala sobre o quanto um perdão pode ser uma representação impressionante de recuperar o poder após a dor. Apesar do teor moderno, a música se inspira claramente no folk vanguardista.

E pra quem pensava que Vanna Pacella fecharia o disco com um tom melancólico se enganou, pois ela entrega até um leve teor dançante em “The Less I Know”, um rock alternativo pertinente, que traz um trabalho instrumental que exalta ainda mais a técnica e versatilidade.

Se Vanna tinha conquistado um bom espaço em sua carreira, não tenha dúvidas que com essa estreia ela irá conseguir ir ainda mais além, pois temos em “Listen”, além da regularidade, uma produção, execução e feeling acima da média. Ouça no melhor volume e seja feliz!

https://sites.google.com/view/vannapacella

https://www.facebook.com/vannapacella

https://open.spotify.com/artist/6Xq256MUBkcUo9jWthc9Ow?si=f1VIhdJjSUScQcveitqG0A

https://www.instagram.com/vannapacella

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *