O violão, na função de colocar o ouvinte diante da introdução da composição, constrói o ambiente de forma a fazer, dele, um local aconchegante e confortável. Ainda assim, em meio ao seu riff delicado e minimalista, o instrumento é capaz de deixar escapar brisas de uma nostalgia melancólica pungente, mas ainda assim, sem grandes pesos no que se refere à emoção.

Leve e delicada, portanto, conforme se mapeia diante de seu minimalismo estético-estrutural, a canção não se intimida quando o assunto é apresentar e destacar seu lado mais dramático. Com essa natureza sendo percebida pela forma como a voz de Rue Randall, rasgada e de brisas agudas, se combina com o violão, a faixa vai desvendando, pouco a pouco, uma harmonia aromática e crua que encanta e realça todas as suas qualidades até aqui listadas.

Inclusive, é preciso pontuar que a obra é agraciada por um trabalho de mixagem equilibrado. Por meio dele, o ouvinte tem acesso a todos os contornos instrumentais, até mesmo os do baixo. Groovado, mas de presença súbita, ele dá base, corpo e densidade à canção, fazendo com que a sonoridade soe firme e empoderada. Mesmo nessas condições, porém, Untouchable não foge de seu cerne entristecido, uma vez que, liricamente, fala sobre um amor inatingível.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/6onSyy6rvrkyD98t7v3Sgf

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