“Underwater City” é a nova câmara sonora de Florent C. que vai te deixar de queixo caído

“Underwater City” é um dos – pasme! – sete álbuns completos lançados em 2025 pelo compositor, produtor e letrista Florent C. Por aí você já pode se ligar que criatividade é o que não falta na cabeça desse belga. Este álbum possui onze faixas marcadas pelo experimentalismo, climas eletrônicos e melodia. A primeira, “Perfect Disaster”, extrai texturas polidas na introdução, mas logo as primeiras batidas explodem em um clássico estilo house. Destaque merecido ao groove criado para inserir mais pegada à música. Por conseguinte, te convida a balançar até a entrada aveludada da voz feminina. Aqui é um belo aperitivo de entrada.

A segunda faixa é de uma vibe mais macia e seus predicados atendem até quesitos para uma difusão mais comercial. Estou me referindo a “Phonetic Dreams”, uma música cativante e bem produzida com sua sonoridade límpida e marcante. O trabalho de sintetizador beira a elegância, assim como a voz aconchegante em nossos ouvidos. A introdução dessa canção, que dura mais de 1 minuto, é um banho de virtuose eletrônica que salta aos nossos ouvidos. Aqui, isoladamente, é só uma amostra do padrão Florent C. em criar entretenimento pelo universo musical em que vive, ou seja, em que vivemos, pois se estamos recebendo este presente dele é porque estamos no mesmo espaço.

A terceira faixa do álbum, que é a canção título, tenho que dizer a você: esta me pegou, isso porque “Underwater City” possui um poder penetrante que vai na alma. O dueto entre vozes, o movimento das batidas, o clima esfumaçante gerado pela melodia… tudo isso remete a várias coisas suspensas, como um barco à deriva, um sonho flutuante ou até mesmo uma brisa da sua droga predileta. Ainda dentro dessa música é possível perceber alguma mudança de andamento, sobretudo na condução das batidas. Uma verdadeira sutileza de som e movimento.

O álbum inteiro prima pela produção sofisticada que combina vocais e climas sintetizados na mais perfeita harmonia. Quando chegamos próximo à metade das execuções, neste caso, na quarta faixa “He Never Talked”, já estamos laçados pela magia desse encanto. Essa música, em especial, busca um caminho leve para distribuir a sua pureza, delicadeza e serenidade a quem busca ternura. É impossível escutar essa música e não parar para sentir toda a aura e energia angular que ela proporciona. Isso se assemelha a um ritual de benevolência, onde o personagem principal se difere de todos os outros por ser imaculado.

A canção seguinte, “Guinea Pig”, traz também um pouco dessa introspecção. Aqui, as influências de música progressiva ganham ares longínquos. Mesmo impulsionada por batidas eletrônicas o perfil musical desta canção não disfarça a doçura ou mesmo a melancolia que exala em cada nota. Observe que a música, assim como muitas outras aqui, não é tão complexa, mas existe uma perfeição exagerada na melodia, nos elementos sonoros e na voz. Aliás, em “Guinea Pig” há um dueto aveludado entre voz feminina e masculina que saiu perfeitamente bem. Um verdadeiro show de interpretação emotiva e cativação por parte do produtor da obra.

De volta à sessão dançante do álbum, “Ice-Cold” traz uma sensação de ânimo e tensão misturando efeitos eletrônicos com licks de guitarra. A performance vocal do rapaz não falha durante o seu momento – por mais mínimo que seja –, assim como a da moça que chega para dividir o dueto arrasando como sempre. Sua sucessora, no entanto, escreve com psicodelia um capítulo importante neste álbum, pois suas camadas atmosféricas e solúveis contrastam com a batida bem definida da música. Isso é só um prato de versatilidade que Florent C. Apresenta como degustação. Daqui a pouco, ainda haverá muito mais por vir.

Interessante como Florent C. Organiza as suas ideias e coloca nelas o estilo que quiser. Em “Now I Rise”, por exemplo, suas linhas melódicas corroboram para uma doce balada de curta duração, mas atentando à nota solitária do teclado, essa canção poderia até se tornar um jazz clássico com direito a patinado. Depois disso, o relaxamento total do corpo e espírito pode ser estimulado pela faixa “Bee’s Knees” que, embora, lenta, recebe um pouco mais de emoção em seu andamento. Aproveitando esse gancho, quero lembrar que andamentos de bateria eletrônica é uma das coisas que mais qualificam o trabalho desta fera.

Na música “There’s Nobody Left” o clima de uma canção radiofônica é o que mais promete esta execução. São melodias fáceis como guitarras introspectivas e um grande apelo de sintetizador. Aqui, mais uma vez, as batidas são diferenciais. Outra faixa com cara de single de rádio FM é “Shut Up”, ela se resume em bons vocais dinâmicos, além da otimização sonora. Para você que caiu de paraquedas aqui e deseja ouvir este lançamento e outras facetas deste misterioso produtor, pode procurar suas redes sociais e plataformas de streaming que todo o seu material está espalhado pela rede.

Ouça “Underwater City” pelo Spotify:

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