É como uma ação gradativa. Ainda que a guitarra é ouvida bem ao fundo, a sua postura e a sua movimentação já vão sugerindo boas doses de caos e brutalidade. Com seu riff distorcido em um tom áspero e cru, o instrumento, quanto mais no primeiro plano fica, mais denuncia a existência de uma energia não necessariamente sombria, mas pura e exclusivamente lo-fi no sentido de ausência de tratamento sonoro.
Inclusive, é nesse percurso de crescimento que a melodia, até então minimalista por só contar com a guitarra, se vê respaldada por um baixo de nuances sorrateiras que se sobressaem diante de sua identidade azeda. Apoiados em uma bateria de movimentação trotante e pulsante, que preenche o escopo rítmico não só com precisão, mas com uma pressão que consegue amplificar a noção do bruto, os instrumentos assumem a função de uma espécie de base sônica que acompanha, com uma notável sinergia, o nascimento e o desenvolvimento lírico.

É durante esse percurso que a canção tem a sua densidade levemente suavizada. Afinal, a vocalista, com seu timbre levemente aveludado e de nuances gentilmente adocicadas, além de fornecer o torpor, transforma a composição em uma espécie de experiência ritualística que prende a atenção do espectador. Contando com a participação de sriracha na guitarra, Torn recoloca o ouvinte na trilha do espírito sônico tradicional do Cries Of Redemption.
Mais informações:
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Site Oficial: https://www.criesofredemptionmusic.com
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