Toda identidade de Odelet está em seu novo álbum “Raindance”

“Raindance” é o quarto (e quinto) lançamento de estúdio da cantora e compositora Odelet e sua produtora “Everlasting Tape” (também o nome de sua série de filmes). Oriunda de Detroit, em seu novo disco ela traz diversos fatores que já o fazem grandioso e a gente vai explanar alguns deles logo de cara.

O trabalho é mixado completamente na forma analógica pelo lendário engenheiro Larry Crane e resgata uma sonoridade que acompanha um álbum completo de remixes produzidos no estilo “Dub” dos anos 1970, intitulado “Raindance In Dub”. E quase todo instrumental é conduzido pela própria cantora, que mostra o quanto ela é talentosa.

E tudo aqui soa atemporal, por mais que se inspire em algo de vanguarda. Orgânica, a sonoridade não passa nem perto de ser datada, muito menos de ser tendenciosa. E, sejamos honestos, todos estes fatores já fazem com que o álbum ganhe pontos, pois o equilíbrio é impressionante.

“Raindance” é um disco que tem uma organicidade límpida e vibrante, onde o som não soa artificial em nenhum momento, com uma captação que seria capaz de gravar uma agulha caindo no chão. Isso chama muita atenção pela lapidação final que o álbum acaba ganhando e proporcionando uma audição mais que agradável.

E, também encontramos versatilidade pelos estilos que o disco transita, mas sem demagogias. O mote é o soul com inspirações no jazz e o ar intimista permeia o pouco mais de meia hora que o trabalho entrega em suas 10 objetivas faixas, o que facilita ainda mais a apreciação.

Já sobre a voz de Odelet, precisamos falar enquanto destrinchamos essas músicas, que possuem um equilíbrio impressionante entre si, nunca se sobrepondo uma a outra e cada audição contribuindo para nos apresentar uma preferida. Sem contar que o tracklist parece contar com um detalhe novo a cada vez que apertamos o play para ouvir o álbum novamente.

“Know It All” é uma música que dispensa apresentações. Ela abre o disco com um requinte que convida a apreciar a voz aveludada de Odelet, que aqui não somente canta a letra como usa de forma magistral como auxilio nos arranjos com vocalizações.

“Dirge” chega com um ritmo mais requintado, deixando um pouco o órgão de lado, ganhando um piano sofisticado e linhas de baixo que farão as paredes tremerem. Tudo mantendo a levada cadenciada da bateria que permeia o disco e fazem com que crie-se um padrão rítmico no trabalho.

“Be Still” incrivelmente parece que equilibra os elementos de suas antecessoras, soando um pouco mais dinâmica e trazendo uma veia mais dramática de Odelet, que parece chorar sutilmente na faixa. Enquanto isso, a faixa título mostra mais um dos grandes trunfos de Odelet que são as vocalizações. É incrível como ela consegue fazer com que isso soe essencial, longe do banal e transferir-se para as letras de uma forma natural. Mais uma vez o piano se faz presente e com categoria.

Com um ar mais soturno, mesmo assim sem perder o teor sublime, temos “Jezebel”, que encanta pelos órgãos versáteis e as linhas de baixo quebradas que mantêm a vibração lá em cima. Leves flertes com a música árabe aparecem, mas parece ser algo inconsciente, o que torna tudo ainda melhor.

Entrando na segunda parte do disco, temos até então a música mais agitada do trabalho que é “Bayou”, do qual inclusive Odelet muda um pouco do tom de sua voz. E quem pensava que o disco não poderia ser ainda mais versátil, ele ganha leves toques psicodélicos com “Think I Over”, que até no nome se mostra composta, apresentando um piano encantador.

A trinca final é um capricho dos deuses. Primeiro traz a sublime “Up Up and Away”, que tem uma bela sacada vocal e chama atenção pelo seu ar um pouco mais moderno e excelente dinâmica. Logo chega “Wake Up Call”, que talvez tenha a melodia mais bonita do disco, que é enfatizada por um piano magistral e atemporal assim como o álbum todo o é.

Por fim, o disco é fechado por “Sands of Time”, que mantém a premissa, trazendo uma bateria um pouco mais incrementada, mas mantendo a identidade de Odelete, que prima pela beleza e o requinte, não caindo em teores banais. A música fecha o disco em alto astral, sem tons de despedidas piegas.

Fatos para apresentar sobre “Raindance”. Estamos diante de um álbum homogêneo, onde as faixas apresentam uma forte identidade da artista, que se inspira no soul, trazendo toques de jazz e levíssimas nuances com o blues. Nada além disso, senão tudo poderia cair por água abaixo.

E o disco vem acompanhado por diversas novas edições da série de artes visuais de Odelet, que leva o nome de sua produtora, “Everlasting Tape”. Nesta série documental, Odelet examina a arte da trilha sonora cinematográfica reimaginando as trilhas sonoras por trás de filmagens de arquivo icônicas e esquecidas.

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