This Is Not A Test é o novo álbum do The Project. Vem conferir!

Tudo vem de uma forma acelerada, mas que, curiosamente, é igualmente envolto em algo que se pode categorizar como melodioso. Depois que a bateria, junto da guitarra, constrói um escopo sonoro de uma energia preludiante, a obra dersemboca em um instante de temática macia, pulsante e cuja sensorialidade remete perfeitamente a ideia do nostálgico. Pela estética sônica adotada pela guitarra perante a sua afinação ou até mesmo pela presença agradavelmente tilintante do pandeiro abrilhantando o escopo percussivo, a memória e o saudosismo se fazem atuantes de uma forma aconchegantemente reconfortante. Quando o enredo lírico enfim se anuncia e as texturas saem de uma influência do pop punk, o ouvinte se depara com um timbre masculino de identidade bastante semelhante àquela da voz de Dave Grohl ao mesmo tempo em que degusta de uma paisagem sônica agora mais pautada no rock altertnativo. Leve e delicada, Best Days traz um compasso sincopado que garante precisão e uma noção de fluidez que garante ainda mais suavidade para essa que é uma composição cheia de suavidade.

De início pulsante e com uma atitude que se mostra mais enérgica do que aquela observada na canção anterior, a presente faixa traz a bateria como elemento que lhe garante a pressão ideal para destrinchar a sua própria intensidade conjuntural. Com o auxílio das distorções da guitarra, base, a obra até explora um traço de leve insanidade, mas enquanto a guitarra solo se mostra perante riffs aveludados e adocicados em meio a uma movimentação uivante, a agressividade continua – e continuará – ofuscada. Surpreendendo o ouvinte e fazendo essa observação se dissipar por completo, a obra flui para um instante de sonoridade provocativa e sensual que foge das brisas nostálgicas e entra em um rol de sensibilidade mais libidinosa. Explorando contornos típicos do hard rock enquanto os versos se deliciam com texturas mais distorcidas que seguem as pinceladas pop punkeadas, Death Of Me se beneficia de um refrão melódico, aromático, manso e de energia saudosista que lhe garante um apelo radiofônico inquestionável. 

Antes mesmo que a melodia se anuncie em sua forma devida, o ouvinte já é capaz de se deliciar com uma onda de brisa morna vinda de uma base atmosférica que cresce calmamente até permitir a entrada do violão. Nesse instante, a maciez, a delicadeza, o frescor e a serenidade se fundem na construção de um ambiente sensorial envolvente e até mesmo reenergizante. Explorando o clima bucólico do interior, fazendo com que o ouvinte consiga até mesmo sentir o cheiro do capim, a canção desemboca em um verso lírico em que bateria, baixo e violão se unem na criação de uma sonoridade consistente que dá a base ideal para a desenvoltura verbal vivida por uma voz masculina afinada em um tom adocicado. Na posse de Mykele Hill, ela, além de rememorar o tom de posse de Mike Starr, imprime uma característica suave e evocativa que também se associa ao timbre de Sebastian Bach. Diante de uma postura intimista, whats it gonna take desemboca em um refrão intenso e de sentimentalismo visceral que transpira até mesmo marcantes evidências dramáticas.

Apesar de ter um nascimento explosivo, com uma bateria desempenhando frases rítmicas intensas e uma guitarra distorcida prestando certo apoio no quesito da melodia, o que salta aos ouvidos é um violão de dedilhados que sugerem uma pegajosa melancolia. A partir daí, a composição é banhada por um sentimentalismo envolto em drama, pungência e traços de um sofrimento visceral. Chorosa e lamentosa, portanto, a faixa chama a atenção por caminhar perante uma base harmônica linear que estimula o senso de torpor na audiência. Agraciada por um refrão de postura reflexiva e curiosamente contemplativa, Hope se apresenta como uma obra que trata do peso das consequências da autocobrança de forma a explorar conflitos no relacionamento e a aparição da instabilidade emocional a partir do medo da falha. Uma obra que traz a superação e o autoconhecimento como remédios para alcançar a redenção.

Com uma guitarra desabrochando uma melodia amaciada, adocicada e aromática, mesmo que diante da utilização da textura da distorção, a composição se apresenta em meio à exploração de uma estrutura rítmico-melódica contagiante e igualmente consistente. De frases rítmicas sincopadas e amadurecendo uma vez mais o frescor como uma consequência de um viés nostálgico já tido como uma marca da sonoiridade do The Project, no hard feelings transita diante de uma harmonia linear com momentos pontuais de rompantes produzidos principalmente pela interpretação lírica. Importante mencionar, porém, que essa percepção não diz respeito à diminuição do apelo da obra, que mantém o seu poder de contágio inalterado.

A partir da combinação da afinação das duas guitarras, perceptível em meio à interação com as frases rítmicas explosivas, a composição explora uma camada saudosista viciante. Mesmo que desemboque em momentos de pulsos percussivos sincopados e trechos de guitarras com riffs mais rasgados, mas sem atrapalhar a identidade melódica, a canção exorts uma leveza difícil de ser resistida. Com um refrão melodioso que, surpreendentemente, é respaldado por uma camada melancólica pegajosa, all i ever needed combina visceralidade com delicadeza, refrescância e um toque de conforto irresistível.

Eis aqui um material indubitavelmente marcado pela nostalgia. This Is Not A Test impressiona pela forma como avança em meio à sua própria track list, mas consegue colocar, em cada um de seus enredos, uma pitada de saudosismo que acaba se configurando como uma de suas inquestionáveis identidades sonoras. Sempre macias e melodiosas, as suas canções conseguem ser envolventes graças à delicadeza estética e à maneira como destaca o frescor e a fragilidade mesmo diante de momentos de intensidade.

Com um total de 11 músicas, o disco chama a atenção por caminhar livremente por entre as roupagens do rock alternativo e do pop punk, seja em razão da estrutura rítmica ou pelas texturas adotadas diante das distorções das guitarras. Nesse meandro, algo que merece atenção é o trabalho de mixagem, afinal, a partir dele, o espectador consegue escutar e degustar nitidamente de todos os elementos sonoros. Desde camadas atmosféricas, passando pelo baixo e chegando até a esfera lírica, tudo é percebido de uma maneira igualmente transparente, contribuindo para uma experiência sônica completa.

Ainda que isso seja perfeitamente observado no decorrer das seis primeiras obras, o disco permite que baileys song seja igualmente enaltecida. Isso porque, a partir de sua tomada acústica tendo o violão como protagonista instrumental, a obra destaca uma vez mais o bucólico como forma de explorar a simplicidade. Com ela na soma, This Is Not A Test amplifica o seu próprio merecimento por uma escuta atenta a ponto de permitir vivências emocionais marcantes e inesquecíveis.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/6mwLNRTRz0K0RNHrXf63uL

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