É interessante quando ouvimos um som que traz algumas referências e mesmo assim esse som traz algo a mais gerando uma identidade própria. E temos em mãos um trabalho deste tipo, do qual a banda divulga um novo álbum e consegue moldar com características bem próprias sua identidade.

Trata-se do The Fine Chairs, originária de Hamburgo, Alemanha. O grupo tem como líder o vocalista e guitarrista Sebastian Teufel. Os diversos talentos musicais de Sebastian brilham já que ele não apenas compôs as músicas, mas também tocou bateria e baixo em algumas faixas. O disco foi gravado, mixado e masterizado no estúdio próprio da banda, “Hell’s Kitchen”, em Hamburgo.

As influências vão de Beatles a Oasis, bandas não contemporâneas, mas que exprimem um pouco do British pop, sucesso até hoje e que sempre explodiu em décadas. Mas, apesar disso, a sonoridade do The Fine Chairs vai além e muito, já que seu som soa atual e um pouco mais pesado.

Fato é que a banda sabe utilizar suas referências e moldar seu som, que acaba naturalmente soando mais pesado e abrangente que isso tudo. Ou seja, o resultado final é simplesmente impactante e muito acima da média, colocando a banda em um ótimo patamar.

O disco abre com “Half The Truth”, uma faixa que já apresenta a guitarra esperta influenciada pelo punk, mas uma levada que nos remete diretamente ao pop clássico dos anos 60. A música acaba sendo uma abertura enérgica e consistente.

Mantendo esse ritmo, “Strenght and Hope” ganha melodias românticas e uma levada muito bem sacada, dando ainda mais personalidade ao som da banda. O pré refrão com um teclado de fundo muito bem sacado é simplesmente magistral.

Se você não se lembrar do U2 na introdução de “The Best By Far”, é simplesmente porque não conhece a banda de Bono Vox e cia. Porém, a música prima por manter as guitarras distorcidas, com licks típicos de The Edge (guitarrista do grupo irlandês), mas de forma discreta e uma mudança de clima em seu cerne.

Enquanto isso, “It’s Not What We’d Call Heaven” é a balada que chega para dar aquele respiro, entrelaçando o acústico com o elétrico, onde um violão bem sacado faz pavimentação para uma guitarra muito bem sacada. Os vocais anasalados caíram como uma luva, deixando a faixa até levemente sensual.

“Something Wrong” é daquelas músicas que nos remetem ao rock alternativo dos anos 89/90, quando o REM puxava uma fila de qualidade. Com um violão bem sacada se entrelaçando com guitarras levemente empoeiradas, aquele baixo marcante e uma melodia bem sacada, a música empolga imediatamente.

 Se você ouvir bem certinho, notará as guitarras limpas e outras reverberadas de “Living On Lies”, onde o post-punk pede passagem, mostrando mais uma vez onde o grupo bebe, sendo essas fontes sempre abrangentes. Repare também na mudança de clima no refrão, que retoma as rédeas do power pop. Magistral!

A segunda balada, “Time Is Right”, chega de uma forma diferente de sua coirmã, sendo uma música onde a guitarra de bases simples dita a melodia e um teclado adicionado deixa tudo mais encantador. A música é daquelas que os arranjos são acrescentados em seu decorrer e ainda tem um refrão magistral.

Incrivelmente, “In Beauty And In Grace” pode também ser considerada uma balada, mas ela traz à tona, mais uma vez, o post-punk, lembrando bastante o The Cure. Violão, guitarra e teclados na medida dão aquele tom sombrio e belo, além do refrão magistral.

“Rain In My Face” tem uma aura mais introspectiva e apesar da cadência, não traz teor de balada. Ela bebe na fonte do post-grunge, mostrando que o The Fine Chairs não quer deixar passar nenhuma faceta do rock alternativo. Ela acaba se encaixando até no doom, guardadas as devidas proporções.

Falando em doom, o começo atmosférico de “Through Empty Space” chama atenção. Com um teclado climático e guitarras providenciais, a faixa logo ganha ritmo dinâmico, um baixo marcante ao ponto, além de explosões distorcidas, culminando em um refrão espetacular. Sem dúvidas um dos hits do disco.

“You Did Never Try” chega como uma balada ao piano e ganha muito em intensidade, com uma melodia belíssima. A mais longa faixa do disco, seu teor versátil e progressivo mostram um potencial incrível. Rica em arranjos, a música revela detalhes em cada audição.

Por fim, “Feet Upon My Shoes” fecha o disco numa mescla de se esperar, mas sem aquele teor de despedida. Focada num rock alternativo, a música termina o disco em alta, com uma ótima energia e peso na medida.

“Wait To Be Seated” não é um disco conceitual, mas tem inspirações em comum, tais quais as contradições do nosso tempo e a crescente irrelevância, mas também a aceitação cada vez maior de ideias políticas de direita. Além de um disco abrangente de rock, possui uma veia lírica inteligente e agregadora.

https://thefinechairs.bandcamp.com/album/wait-to-be-seated

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