Há muitos projetos ‘one-man-band’ onde o músico costuma fazer tudo. Principalmente dentro do cenário metal. Mas, também há muitas facetas neste formato de músico solo em bandas. Muitas vezes temos uma cabeça pensante que, para executar seu trabalho, conta com uma banda de apoio e o som denuncia isso. Temos aqui um caso.

Oriunda de Paris, a banda francesa The Dawn Razor tem como núcleo Sylvain Spanu, vocalista e guitarrista que toca o projeto desde 2017 e vem produzindo consideravelmente desde então, criando uma sonoridade própria, além de entregar discos com certa regularidade, o que dá toda uma consistência ao seu trabalho.

Logo em seu segundo ano de estrada, o The Dawn Razor soltou um disco. Em 2018 a banda debutou com “Renaissances”, do qual se apresentou ao mundo, gerando oportunidade de se apresentarem por diversos países, tais quais Alemanha, Bélgica, França, Suíça e Tunísia, mostrando seu som além continente.

Depois de trabalharem em alguns singles prévios, a banda chegou ao seu segundo disco, “In Sublime Presence” em 2024. O disco, além de seu mais novo clipe, “Chiaroscuro Italiano”, são nossos objetos de análises aqui e temos que dizer que não há o que reclamar de algo tão bem desenvolvido. A música do clipe está no disco, mas o vídeo foi lançado este ano, há cerca de 1 mês.

Mas, primeiramente temos que deixar claro que o projeto prima por transitar por diversas facetas do metal, várias delas extremas e ainda insere elementos progressivos, que parecem surgir de forma natural e dá mais versatilidade ao som. Liricamente, além dos temas cotidianos e variados, a banda também é inspirada pelas ideias e pinturas do movimento sublime do período romântico, o que justifica o nome do disco atual.

O trabalho traz uma produção visceral, orgânica, assim como pede qualquer disco de música pesada e só por isso já ganha alguns pontos. Mas, o que pega mesmo é o equilíbrio entre as 10 faixas, que se distribuem em pouco mais de 47 minutos, não deixando a peteca cair em nenhum momento, pelo contrário, há pouco tempo pra respiro e não é indicado aos menos aguerridos.

Pois bem, o disco abre com “Poin Nemo”, faixa escolhida como um dos singles prévios e que resume com maestria a sonoridade da banda. Com um riff moderno de início, a cozinha logo chega e dá uma dinâmica sustentando bases que unem o death e o thrash metal. Variedade vocal, com drives quase guturais e melódicos no refrão a complementam.

“Refuse Tomorrow” chega como um thrash moderno, com direito a um trabalho de riffs que deixaria o Annihilator orgulhoso, que aliás, parece uma das inspirações claras de Spanu, inclusive nos timbres. “The Wooden Idol”, outro single divulgado previamente, continua com a conotação thrash técnico, bebendo em fontes como o Megadeth, mas ironicamente com uma aura black metal, que é mais uma referência do som da banda. Destaque para o trabalho insano da bateria, que faz viradas espetaculares.

“Fiery Dawn” chega com o intuito de entregar um som rápido e inspirado no death metal, mas invadindo as fronteiras do thrash. Tudo soa violento, mas sem que não se destaque as linhas precisas de baixo e um dos trabalhos vocais mais agressivos do disco. “The Lord and the Crow” meio que faz um ritmo em contraponto a sua antecessora, tendo uma aura mais maléfica e versos cadenciados. Mesmo assim, ainda se intercala com momentos mais brutos e velozes, sustentados por bumbos duplos lindos. Grande e inspiradora faixa.

Enfim chegamos a atual música de trabalho, “Chiaroscuro Italiano”, que ganhou um clipe recentemente. Primeiramente que acertaram a mão em escolhe-la como tal, afinal de contas estamos falando de uma das melhores músicas do disco. O death metal técnico e versátil, temperado com thrash e progressivo, mostra a banda tinindo e Spanu ainda entregando solos que nos remetem diretamente a Chuck Schuldiner (Death). O clipe é simples, mostrando a banda em performance em imagens de VHS em preto e branco, lembrando os conhecidos clipes de metal extremo dos anos 90.

Com um ritmo meio quebrado, “Tropical Survivor” é uma das faixas com os riffs de guitarra mais sólidos, além de apresentar uma bateria ‘metranca’ que nos deixará com saudade de DD Crazy (Sarcófago) e Pete Sandoval (Morbid Angel). Com uma pegada versátil, mas pendendo para o blackened death metal “A Change of Heaven’s Mandate” é destilada com muito ódio.

E, chegando na reta final, “Untouched Boundaries” se mostra uma das mais trabalhadas e variadas do disco, mostrando coesão e uma variação impressionante, onde Spanu mostra, mais uma vez, solos espetaculares em sua guitarra. Por fim, com o curioso nome de “Pico da Neblina” fecha o disco em um misto de cordas elétricas e de câmara, com uma aura melancólica e de forma instrumental, mas muito bela e que agrega a este trabalho onde The Dawn Razor mostra uma evolução natural!

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