The Carrie Armitage Quartet, em seu álbum autointitulado, dá um show de virtuose

Como o próprio nome sugere, The Carrie Armitage Quartet é uma banda conduzida pela talentosa vocalista e pianista Carrie Armitage, que se completa com os guitarristas Brian May (lógico que você não confundirá com um certo músico britânico) e Bob McAlpine, além de uma cozinha luxuosa formada pelo baixista Mitch Starkman e o baterista Gary Craig. Este é o primeiro álbum, autointitulado, desse grupo canadense que entrega a você o melhor da fusion music. Tudo aqui é maravilhosamente virtuoso, a começar pela música “Ambient Orbit” que já transborda qualidade. Algumas sessões são formidáveis no groove como em “The Dreaming Light”.

Para realçar a versatilidade, a banda também explora um lado mais moderno como na futurista “Planet 9”. Com um andamento empolgante e grande performance de teclados, se destaca também as linhas de baixo que, aliás, é evidente em muitas outras músicas. Neste caso, podemos agradecer à produção lapidada do álbum, que em temas como “The Crystal Forest” permite percebermos cada nuance sonora. Além da instrumentação, o estilo vocal de Carrie também nos leva a outro mundo. A performance da vocalista em produzir sons com suas cordas vocais, é tão graciosa quanto uma canção virtuosa que possua letras poéticas. Grandes sensações!

Em “Figments”, as linhas de bateria conquistam qualquer ouvinte de bom gosto musical. Poucas vezes se consegue notar tanta simetria em um jogo de cadência, com viradas leves e um fraseado tão linear. Isso contribui para o clima misterioso e místico que se estende pela música com a voz de Carrie. Passando para “The Heartbeat Potential”, não podemos deixar de ficar maravilhados com a performance da guitarra de McAlpine, que protagoniza maior parte da música com as teclas de Carrie. Contudo, é impossível passar batido nos slaps de Starkman que iniciam um solo gostoso de baixo. Isso é bom gosto.

Devo confessar que as músicas em que Carrie solta a voz são as minhas preferidas. Em “Nightingale”, por exemplo, a moça faz duetos consigo mesma em várias camadas de backing vocals. O resultado disso é uma canção plenamente confortante, com linhas melódicas fluindo bem e a certeza de que sairemos dessa audição viciados em sua voz. Voltando um pouco aos temas futuristas, “ORBIT L2” deixa essa impressão em seus primeiros momentos, mas a ficção científica não é tão evidente nos minutos seguintes. No entanto, o andamento musical da obra mais o solo monstruoso de Brian May, não deixam de ser belos.

Seguindo uma linguagem mais acessível, porém virtuosa, “Star Men”, assim como outras que já ouvimos aqui, possui um sutil tempero pop com sessões mais ritmadas, solos de guitarra mais singelos e arranjos inteligentes. A colaboração que os quatro músicos entregam nessa música é um verdadeiro trabalho de equipe, onde cada um tem sua importância. Essa confraria musical se estende à “Nocturne”, que possui uma personalidade mais rock clássico com elementos épicos, como a própria ressonância de Carrie que também leva aos teclados um efeito atemporal. Aqui, temos uma música que muda os conceitos conforme o deslanchar de suas melodias.

Do fusion rock ao groove, “Long Shadows” leva ao ouvinte um belíssimo baile protagonizado pelas notas de piano e solos de guitarra. Pode-se de dizer que esta música tem poder de animar do buffet mais social com colegas de trabalho à balada noturna em uma boate chique. Sim, tem-se que dizer que a obra de The Carrie Armitage Quartet é compreendida melhor por quem possui muito bom gosto. Da mesma forma, pode-se dizer que o público que aprecia um som progressivo também pode se animar com músicas como “As The Crow Flies”, que possui um andamento cadenciado, solos psicodélicos e ondulatórios.

Para dar continuidade ao show de estética musical, Carrie traz novamente o seu piano e elementos sintetizados à evidência. Com um suporte sempre pomposo do baixo, “Flying Colours” é uma das execuções mais soltas dentro de uma espontaneidade, que só quem sabe trabalhar é capaz de acertar cada movimento. Saindo de ritmos grooveados para as adaptações do fusion, “Aria Vespertine” é uma representação forte da musicalidade da banda, pois destaca todos os elementos que cada membro domina. Seja regendo os seus instrumentos, ou ecoando as entonações vocais com grande alcance, o grupo de Toronto é simplesmente perfeito em sua proposta.

Para finalizar essa obra-prima, Brian May e Carrie Armitage fazem um dos melhores efeitos sonoros do álbum, com a guitarra de “Natural World” entrando no começo da música, se homogenizando com as notas de teclado que continua o solo na mesma nuance. Uma perfeita sincronia de talentos duetando lindamente. Ao fundo, Gary Craig realça mais a beleza da música com uma condução de bateria e percussão de qualidade soberba. O que dizer mais sobre essa espetacular banda que mais parece um supergrupo? Apenas que o mundo não pode ficar sem suas ideias, perfeições e demais qualidades. Aguardemos então os próximos capítulos.

Ouça “The Carrie Armitage Quartet” pelo Spotify.

Visite a banda em seu site oficial.

https://carriearmitage.com

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