É interessante como o R&B é um estilo musical que se funde facilmente com outros gêneros. Talvez isso explique o fato de ser algo que esteja tão em voga ultimamente e mostra o quanto ele tem se renovado no cenário, sendo a influência e aposta de diversos artistas promissores.

Por isso contar um pouco da história dele é importante antes de fazer uma resenha de um artista que, em apenas um EP, consegue transitar por diversas facetas do estilo e ainda agregar elementos de outros, gerando uma sonoridade própria e muito bem estruturada, como é a que temos aqui em mãos.

R&B, abreviação para Rhythm and Blues, é um gênero musical que surgiu nos Estados Unidos na década de 1940 a partir de influências do blues, jazz e gospel, desenvolvido pela comunidade afro-americana (ou seja, mais um gênero oriundo da música negra).

Os elementos do estilo caracterizam-se por ritmos envolventes, vocais poderosos, letras emotivas sobre amor e relacionamentos, e uma evolução contínua que incorpora elementos do soul, funk, hip-hop e música eletrônica. O R&B é um gênero que não se deixa levar, mas possui muito de outros estilos, ganhando contextos abrangente e que acabam se tornando fáceis de se difundirem com outros estilos musicais.

Um grande exemplo é Michael Jackson. Conhecido como rei do pop, ele usou muito do R&B em sua sonoridade, sempre inovando e explorando da melhor forma possível. Aliás, o R&B prima por ter uma relação cordial com o pop, dando um lado mais ‘black music’ ao estilo, configurando uma das centenas de facetas do gênero.

O R&B é tão abrangente, que até os Beatles e Evils Presley, ambos do rock, inseriram elementos da sonoridade em algumas de suas composições. Os principais nomes atuais são Rihanna, Beyoncé, Bruno Mars, Alicia Keys e Mariah Carey. No Brasil, Liniker, Sandra de Sá, Melly, entre outros antigos e novos apostam no gênero também.

Silky Vibe cantor, compositor, produtor e músico de R&B de Fort Lauderdale, na Flórida, é inspirado pelo apelo atemporal do R&B clássico e pela mistura de sons ambientes e contemporâneos. Ele chega com uma veia que aborda diversas facetas do gênero e ainda abre seu leque para outros estilos, mostrando uma identidade bem própria.

Multitalentoso, ele não se faz de rogado e chega com um trabalho onde assume os papéis de compositor, produtor, intérprete e cantor em seu mais recente EP, “Moody”, que é este que temos em mãos.

O disco revela uma verdadeira façanha, já que Silky consegue em 5 faixas, distribuídas em pouco mais de 11 minutos, transitar pelos retalhos do gênero, explorar tudo que pode e sem soar burocrático, pelo contrário, é objetivo e não dá espaço para encheção de linguiça, como vemos muito por aí.

Outro fator preponderante do disco é a produção. Gravado em seu estúdio, Silky Vibe traz um toque único e intimista à sua música, inspirando-se em artistas como Brent Faiyaz, Bryson Tiller e PartyNextDoor, além de incorporar influências narrativas alternativas, como Frank Ocean e Daniel Caesar. A mescla de orgânico com eletrônico deixa tudo bem personalizado.

Isso já podemos conferir na primeira faixa. Com pouco mais de 2 minutos, “Just Say That” é uma música que chega com suavidade, de uma forma branda, servindo bem como uma introdução. Mostra o R&B em sua perspectiva mais sublime e um fundo hip-hop onde o órgão soa moderno e consistente.

“Moody”, faixa título do EP, é a melhor música do trabalho e não foi lançada como single prévio á toa. É mais uma das composições que revelam a abrangência de Silky, que aqui flerta até mesmo com o dream-pop, trazendo uma guitarra magistral como complemento.

Com uma batida consistente e vibrante, “Wotcha” é uma faixa que mostra mais na cara a união dos beats com a guitarra de Vibe, que traz timbres agradáveis ajudando a requintar ainda mais sua base simples. Interessante também o trabalho vocal, que soa mais versátil e imponente.

E quem disse que não ia ter aquele flerte antigo com o soul, em forma de balada black music? Pois bem, eis que encontramos a belíssima e mais ‘longa’ (pouco mais de 3 minutos) faixa do disco. “Mess With Me”, com guitarras limpas e uma batida discreta, além do refrão bem elaborado, é uma das faixas mais instigantes do disco.

É claro que também colocariam algo mais peculiar, ou melhor, psicodélico e o hip-hop diferenciado de “My Sweet”, é o que fecha o disco da forma como deve ser, com o leque aberto, que é uma das principais características de Silky Vibe.

Nas letras o resultado da reflexão sobre um término ruim do artista. A maioria das músicas foi escrita enquanto se refletia sobre as etapas de perceber que um relacionamento está chegando ao fim. Porém, quem pensa que o trabalho soa piegas, se engana. Esse é mais um ponto de equilíbrio e resistência do EP!

https://silkyvibemusic.com/home

https://open.spotify.com/artist/4tOHwi0n1qCj5tKL4S52V0?si=G-c9DM4RQnWX7qWdtUDGlg

https://music.youtube.com/channel/UCGEt44tclc8VY0Hbbe6jGQg?si=e-3qpQNc7Qi34fq8

https://www.instagram.com/thesilkyvibe?igsh=cjM1cGFoZXpuaDJi

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