Susan Style não promete nada e entrega tudo em novo disco!

Se a música por si só já é algo que nos oferece infinitas fórmulas e experimentos, a eletrônica vai muito além. Trata-se de um gênero que aguça a criatividade e, quando bem explorado, traz uma diversidade impressionante. E é sempre bom nos deparar com artistas que sabem usar disso, como a que temos em mãos.

Trata-se de Susan Style, que é uma produtora e cantora-compositora taiwanesa radicada em Londres, que mescla synth-pop de vanguarda com paisagens sonoras cinematográficas. Mas, seu som vai muito além disso, criando uma personalidade forte e revelando uma artista que passa longe de ser acomodada.

Não bastasse seu talento incrível, Susan também prima por inserir todo um contexto em seu trabalho lírico, revelando-se também uma ótima contadora de histórias. E tudo isso e mais um pouco pode ser conferido em seu disco de estreia, que tem o singelo e belíssimo título de “Only a broken heart can hold the world”.

Em uma tradução livre (‘Só um coração partido pode conter o mundo’), o debut tem seu nome inspirado na oração de Madre Teresa — “Que Deus parta meu coração tão completamente que o mundo inteiro caia dentro dele”, já revelando boa intenção em sua própria mensagem.

Mas, não se resume a isso. O disco narra uma migração cultural de 14.500 quilômetros de Taipei para Londres. Ou seja, também carrega um contexto autobiográfico. Em termos de produção, o disco traz uma colaboração com o produtor vencedor do Grammy, Max Heyes (Massive Attack, Primal Scream). Tudo isso unido ao talento de Susan, gera sete composições fenomenais e versáteis.

E “Only a broken heart can hold the world” revela ainda mais barreiras quebradas, já que no disco, Susan, ao abrir seu coração, equebrou antigos preconceitos culturais e estruturas emocionais, criando espaço para um mundo mais amplo e vibrante. Olha a importância disso!

Profundamente influenciada pela energia bruta da cena underground do leste de Londres, Susan ainda mantém em seu cerne, o senso criativo asiático, que a faz não se prender em estereótipos e mostrar que ser diversificado não significa deixar suas origens de lado, além de manter a identidade que ela moldou.

O resultado disso tudo são pouco mais de 24 minutos de um trabalho primoroso, que não exige esforços do ouvinte, mesmo tendo arranjos detalhados e caminhando por trilhas diversas, além de climas que vão desde momentos reflexivos, passando por interlúdios, a jornadas um pouco mais agitadas que o normal.

O disco abre com a misteriosa faixa “The Hope From The Dream”. Trata-se de uma música com falas recitadas e sintetizadores que simulam ventos e teclados hipnotizantes. Apresentada praticamente como uma intro, ela revela o contexto versátil do disco quando entrega linhas climáticas e vibrantes com vocalizações à frente.

Já “The Song Sung By The Stars” começa o jogo de vez, com um trabalho de batida pulsante e vocais que seguem o dream-pop. A faixa mostra que criar linhas vocais encantadoras também é um talento de Susan, revelando uma artista e compositora completa, além de ousada. Que faixa encantadora!

“All Things News” chega um pouco mais dinâmica, mas mantendo duas das características principais da sonoridade da artista. O primeiro deles é a pulsação, que parece realmente ser o coração das canções e o outro é o ar intimista das linhas vocais, sempre cantadas como se fosse um sussurro.

A faixa título, “Only a broken heart can hold the world” é surpreendente. Após o início com bases de teclados modernos, a música descamba para uma batida techno industrial, revelando mais de cinco minutos de caos eletrônico, onde Susan mostra sua habilidade diante das pick-ups. Sem dúvidas um interlúdio gigante e diferenciado. Detalhe para a parte final, que nos remete a uma navegação, talvez a do caminho que faz parte do conceito do disco.

“Weird In A Good Way” chega como uma libertação sensorial. Iniciada à capela, a música longo cai em uma batida cativante, que é acompanhada por elementos percussivos típicos da Ásia, o que a deixa diversificada e muito rica. Não bastasse isso, cordas e tambores dão um calor latino, provando um grande diferencial para a faixa.

“For You” chega como uma balada, trazendo um aspecto lo-fi e mostrando linhas vocais angelicais. A música, além de bela, é mais uma que prova a versatilidade da artista e seus encantos em criar melodias que prendem o ouvinte (ou se prendem nele). O refrão simples é a cereja do bolo.

Decidida a fecha o disco em alta, Susan entrega o eletropo cintilante chamado “A Fling” com maestria. De batida empolgante, a música traz inclusive mais energia em seus vocais, e o mais incrível de tudo é que ela deixa sua identidade intacta. Dançante, a faixa prima por um refrão magistral, soando como um hit.

Sem dúvidas “Only a broken heart can hold the world” é o tipo de disco que não promete nada e entrega tudo. Acaba tendo apenas um defeito, ter pouco tempo de duração. Que Susan Style se mantenha criativa e ocupada, estamos aguardando mais coisas!

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