A bateria é o elemento que puxa a introdução da composição. Ela é, portanto, aquele elemento que proporciona a construção de um ecossistema pautado na sincronia e na sintonia, detalhes que são muito bem perceptíveis durante o nascer da obra. Afinal, é ali que teclado, baixo e a própria bateria se encontram na criação de um ambiente cheio de compasso, swing, sensualidade e, também, claro, groove. De estrutura sincopada e texturas que vão do frescor ao veludo, a faixa se mostra liricamente narrada por uma voz masculina agraciada por repentes agudos e fanhosos que lhe conferem certo grau de excentricidade. Na posse de Dave Lebental, ela faz com que o escopo sonoro encontre mais força no seu caráter de movimento. Misturando elementos do soul a partir da contribuição do teclado, que, inclusive, adota um som adocicadamente ácido que representa o hammond em determinados momentos, Addition By Subtraction é uma faixa contagiante, leve e fresca que, dentro de um andamento rítmico preciso, encontra firmeza e uma base blues folkeada viciante.
É com uma boa dose de dulçor que a composição tem seu início decretado. Junto desse detalhe sensorial, porém, a bateria entra em cena providenciando pulso e precisão a partir de seu bumbo pausadamente sequencial e firme. Com ele, inclusive, a obra é agraciada, desde seu início, pela exata e necessária noção da cadência a ser seguida tanto pelo restante do instrumental quanto da própria camada lírico-interpretativa. Se mostrando leve e adoravelmente contagiante mesmo na presença do baixo e sua postura cuidadosamente encorpada, a faixa tem um quê de sabor açucarado perceptível diante de sua singela nuance estruturalmente linear. Com direito à presença de brisas dramáticas, Mulberry Drive explode em um refrão com grande participação da guitarra elétrica, fator que lhe confere uma injeção de vivacidade tão ferrenha que até mesmo a bateria passa a assumir, a partir de então, um compasso ligeiramente mais elétrico, com direito a, inclusive, diversos golpes na cúpula do prato de condução, conferindo ao espectro sonoro um cativante toque tilintante. É assim que a faixa apresenta um enredo lírico repleto de saudosismo com brisas melancólicas sobre uma época regida pela leveza e pela simplicidade, enquanto existe a conformação de estar vivendo em um momento governado simplesmente pela pressão.
O teclado puxa o amanhecer da obra com delicadeza e cuidado. Se apresentando perante uma aparência doce, macia e fluida, ele permite que o ouvinte descubra uma ligeira semelhança para com a melodia feita por Sérgio Britto em Enquanto Houver Sol, single do Titãs. Ganhando um caráter sincopado atraente com a entrada da bateria e seu chimbal ondulante e seco, a faixa, tão logo começa a se desenvolver propriamente, passa a ser agraciada pelo pulso e pelo groove de maneira simultânea. Macia e com brisas oníricas graças ao sonar tilintante do carrilhão, a faixa guarda consigo, inclusive, boas doses de uma sensualidade associada à textura de veludo que, aqui, é bem explorada. Entorpecente e com uma boa participação do backing vocal durante o refrão, Changing The Way I Feel captura a confusão e o bloqueio criativo ao mesmo tempo em que salienta a força que uma composição tem na transformação da energia e do sentimento do indivíduo.
A partir de suas notas duplas sequenciais, o teclado faz com que o ambiente que se forma, especialmente durante a introdução, assuma uma postura indubitavelmente introspectiva a ponto de flertar generosamente com a melancolia. De base blues e andamento amaciado, a canção, por meio dos efeitos de caráter espacial adotados pela guitarra, faz com que o ouvinte entre profundamente em contato com o senso de torpor, mergulhando, assim, profundamente dentro de seu próprio universo inconsciente. Fresca, suspirante e envolvente, Hopium, mesmo com a exploração de sons aéreos, não tem, necessariamente, em sua estrutura estética, um caráter próprio e devidamente psicodélico.
Um som ácido e borbulhantemente sintético acompanha a sintonia exposta pelo teclado e pela bateria. Sincopada e devidamente sensual, a faixa, tão logo engata em seu processo de amadurecimento sônico, é agraciada por um baixo equilibradamente encorpado de forma a não interferir em sua maciez entorpecente. Delicada e ritmicamente precisa, Race To The Bottom, muito além do teclado e de sua experimentação sônica áspera, é presenteada pela presença da estridência aguda do saxofone. É por meio dela que, além de sensualidade, alcança breves picos de uma vivacidade denotativamente aveludada. E assim, a obra consegue dialogar, com interessante toque de gentileza e até mesmo ternura, sobre a confiança cega que os indivíduos têm em relação ao outro e a consequente decepção ocasionada quando essa crença não é devidamente correspondida.
A bateria dá à composição um caráter de ânimo, energia, sensualidade e até mesmo atrevimento pela forma levemente acelerada e quebrada com que puxa a introdução. Se mostrando pulsante, especialmente no momento em que o teclado invade a cena com um sonar estritamente doce e ácido, o amanhecer da obra é respaldado por uma boa dose de psicodelia, algo que se mantém mesmo diante do despertar da desenvoltura lírica. Se tornando sincopada e fluida, I Can Always Count On You tem, em si, uma aparência contagiante e viciante que, certamente, lhe confere um caráter radiofônico inquestionável.

É interessante quando um álbum apresenta uma paisagem sônica madura, consistente e consciente desde a sua primeira música. Feliz e surpreendentemente, é exatamente isso o que acontece com Stylus. Chamando a atenção do ouvinte pela sua fluidez entre o psicodélico e o blues, o disco se destaca por apresentar uma base sonora pautada em um rock clássico que muito rememora o estilo melódico dos Beatles.
Esteticamente delicado e estruturalmente firme, o disco explora a introspecção e a sensualidade ao mesmo tempo em que se aventura pela vivacidade, pela nostalgia e pela melancolia. Entre baladas e canções com grande viés radiofônico, mas sem uma demasiada necessidade de apelação na conquista de ouvintes, o disco se destaca pelo seu caráter orgânico e preciso.
Envolvente e aveludado, mas soando igualmente ácido em diversos momentos, o disco tem, em suas seis primeiras faixas, seus maiores destaques por trazerem o que foi pontuado até aqui de forma mais abrangente. Ainda assim, You Figure It Out, com seu groove acentuado e sua melodia sincopada influenciada pelo reggae, também se soma às principais obras do álbum, fazendo de Stylus um trabalho que une sensibilidade clássica e autenticidade fresca.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/7lf4oQdww9xJEW4WF4UD43
Site Oficial: https://dlmusic.us/
Facebook: https://www.facebook.com/DLMusic.US/
YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCC5gMEB0_DV0ziMiu29WFQg
Instagram: https://www.instagram.com/dlmusic.us/
Tik Tok: https://www.tiktok.com/@dlmusic.us
