A primeira coisa que se destaca diante do espectro sensorial é uma certa brisa de tensão ofertada pelo sonar seco e levemente trepidante do chimbal. Ao mesmo tempo, uma sonoridade um tanto fantasmagórica de nuances adocicadamente ácidas preenche o ecossistema de maneira a introduzir, inclusive, o torpor, na cena. 

Se tornando sombria em meio aos seus próprios vislumbres guturais, a faixa acaba levando o ouvinte para imergir diante de um cenário de energias embrionariamente dançantes em razão da forma como os pulsos rítmicos são introduzidos e desenvolvidos. Ainda que, por vezes, o contexto percussivo soe um tanto acústico, a faixa é inteiramente agraciada por um ecossistema eletrônico de identidade proveniente no final dos anos 80.

Conseguindo ser envolvente mesmo diante de sua essência percussiva um tanto dura e rígida, a canção, conforme permite seu próprio desenvolvimento conjuntural, denuncia, em definitivo, o electro como base de sua estrutura sonora. A partir daí, Strange Behaviour convida o ouvinte a refletir sobre o crescimento da irritação na lida com a tecnologia de forma a lançar luz à dúvida “por que os sistemas digitais estão ficando mais estranhos?”. Ainda que não traga resposta a essa indagação, a obra abre espaço para o espanto e a inquietação.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/6fna050QxoxPadpM3hCyoQ

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