Stolen Moans estreia mostrando diversas facetas do rock

Riot grrrl é um movimento punk feminista underground que teve início no início da década de 1990 em Olympia, Washington e no Noroeste Pacífico e se expandiu para pelo menos 26 outros países. É um movimento de subcultura que combina uma visão social feminista com um estilo musical e político punk.

O movimento tem sido também descrito como um gênero musical que nasceu do indie rock, com a cena punk servindo de inspiração para um movimento musical em que mulheres poderiam se expressar da mesma maneira que homens faziam há anos. Mas, nesse caso, nunca fechou o leque, sendo possível encontrar sons de diversos gêneros dentro do espectro.

Por que estamos falando disso? Essa pesquisa de internet foi pra descrever o que influencia diretamente o som do The Stolen Moans, além de parte de seu contexto lírico. A banda chega com seu primeiro disco, o trabalho intitulado “Elbows Don’t Have Eyes” que une uma introdução e mais 12 faixas onde o punk se destrincha com o indie, rock alternativo, pop e até eletrônico.

O disco prima por trazer em suas letras temas sobre misoginia no local de trabalho, reis felinos, anseio romântico disfarçado de debate, manifestos artísticos anarquistas e a fome insaciável por algo mais. O trabalho vai também onde a história da arte surrealista se mistura com os rosnados riot grrrl e uma expansão cinematográfica exuberante, bela e brutal em igual medida.

Sendo um ‘power-trio’ (melhor tipo de formação já vista no rock) contando com Vivian nos vocais, Chane na guitarra e backing vocals e   Eric na bateria e backing vocals, o Stolen Moans se sente à vontade no disco, apesar de ser uma estreia. É incrível como soam honestos e coesos, destilando seu som da forma mais natural possível e com uma abrangência incrível, que pode agradar a muitos!

O primeiro toque de surrealismo fica por conta da introdução, chamada “Prelude (TC)”, que prima por trazer pulsações e um piano em meio a guitarras desconexas, abrindo passagem para a primeira faixa, “The King Of Claws”, que soa muito abrangente no que concerne ao disco, já que ela conta com elementos que definem bem o trabalho.

“More” chega como uma junção dinâmica e insana entre o indie rock e o punk, já aumentando a energia injetada por sua antecessora, o que é muito bem-vindo. Aliás, energia é que prima aqui. “Damned Sweet” tem em sua alcunha o que realmente define o som, afinal de contas, estamos diante de uma faixa doce e caótica.

Eis que chegamos em “Trees V3”, a primeira a sair da zona de conforto e apresentar uma veia totalmente eletrônica. Mas, o mais incrível é que a faixa, que mostra versatilidade vocal de Vivian, não faz com que a banda perca sua identidade.

“Bard-Inspired Treachery, Chaos & Heartbreak” coloca tudo de volta e traz um ar levemente introspectivo, onde o punk se une a uma pegada quase hard rock, onde o refrão em forma de ‘gang vocals’ é a cereja-do-bolo. E por falar em refrão, “Falling Into” é outra que tem um ótimo, mas numa vibe diferente e mais radiofônica, enquanto a música soa mais na linha do rock alternativo.

Um dos principais singles que lançaram anteriormente, “Our Songs” é uma música de dinâmica heavy metal, com riffs de guitarras palhetados e alma punk. “Pu Num Tu” é outra que foge à regra, trazendo uma pegada de humor, incursão de hip-hop e umas melodias infantis (no bom sentido). O trabalho vocal é muito interessante e a explosão de peso épico ao fundo caiu como uma luva.

E quem achava que não seria possível uma veia mais progressiva no som da banda, eis que surge “Mourning Scars”, um épico de mais de seis minutos, versatilidade e excentricidade, pois até som de harpa encontramos na faixa. A música traz elementos do indie e industrial, com direito a um tempero eletrônico que a dá uma veia mais versátil. Cadenciada, talvez ela seja a música mais introspectiva e bela do disco, e Vivian mostra mais uma vez seu poderio com belas linhas vocais.

Entrando na trinca final, “Dada Catapult” chega com seu punk caótico e tenso, com viradas insanas de bateria e um certo sarcasmo anárquico no ar. Uma das principais faixas da banda, ela prima por englobar o indie punk do qual eles moldam a maior parte de seu som.

E quem diria que o Stolen Moans terminaria o disco com uma faixa atípica, inspirada no industrial e com toques reais de horror rock? Pois bem, é só ouvir a ‘tribal’ “I’m a Crow”. Um ‘outro’ chamado “Epiloque (TBC)” fecha o disco com maestria, mantendo uma veia abstrata que a banda também incrementa a seu som.

A única coisa que “Elbows Don’t Have Eyes” traz típico de uma estreia é a sua energia, até porque o disco compila vários singles que o trio lançou durantes os últimos anos. Outro fator importante do disco é que sua versatilidade não tira a identidade da banda. Indicado a fãs de indie, punk, pop e rock alternativo, mas também a todos os amantes da boa música, principalmente a pesada.

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