Há cerca de 50 anos, um quarteto de músicos de estúdio de Los Angeles tornou-se tão sinônimo da cena musical que definiu uma era — liderado por James Taylor, Carole King, Jackson Browne, Linda Ronstadt, Crosby, Stills & Nash e Fleetwood Mac, entre outros — foram apelidados de Mellow Mafia. Eis a origem do nome deste projeto.

O Sons of the Mellow Mafia tem o orgulho de anunciar seu álbum de estreia homônimo, que chega trazendo uma sonoridade voltada ao jazz, pop, música americana e muito mais, que serve como música ambiente e de vários ambientes, além para a pura apreciação, sempre trazendo bom gosto.

Como eles mesmos assumem, em seu texto de apresentação, os instrumentais são projetados para evocar estados de espírito específicos – celebração, travessura, nostalgia, contemplação e muito mais. E tudo em onze composições portentosas, que se distribuem em quase 45 minutos de sofisticação, mas também com uma abordagem quese que popular.

Na verdade, ao ouvirmos as canções, notamos a habilidade do Sons Of The Mellow Mafia em encantar com sua proposta única, que prima por mastigar o requinte de seu som e entregar ao ouvinte de uma forma para que ele possa apreciar sem exigir muito e apenas contemplar a boa música.

Tudo instrumentalmente, com uma variação impressionante, onde cordas, teclas, percussão e sopro se entrelaçam de uma forma natural e contemplativa. Tudo com alguns contrapontos, onde a melodia pode soar comum, mas em outros casos mais imprevisíveis, o que gera uma qualidade ímpar ao trabalho e o deixa mais versátil.

A produção também é outro fator preponderante. A boa gama de instrumentos orgânicos exige mais qualidade na captação e nos timbres, e isso acontece de forma primorosa. Bem lapidada, ela condiz com o equilíbrio que as músicas apresentam e soa na medida com que propõem, gerando um som agradável.

A primeira faixa é “Buck Jones”, que abre o disco com elegância onde o folk, a bossa nova e o jazz se encontram de forma clara e sem se negar. Uma harmônica já se apresenta como o principal condutor de melodia e irá aparecer praticamente em todo o disco.

A segunda faixa é a sutil e requintada “Breonna”, um jazz que mostra uma bateria magistral, típica do estilo e uma abordagem mais suave, com o sopro continuando à frente, mas revelando um trabalho detalhado da cozinha, com o baixo acústico e as cordas aparecendo cada vez mais.

Logo chega “Shade Of Burned Oaks”, onde a bateria explora bem os pratos e o sopro continua dramatizando suas linhas com qualidade ímpar. Destaque também para a levada quebrada e precisa da música. Enquanto isso o rock pede passagem com “Uncle Funny Play With The Bass”, que traz as cordas de câmara sendo exploradas a mão, dispensando os arcos, impressionante.

Com um piano delicado e um som grave como base de contraponto, “Agent Of Change” chama atenção por deixar um pouco a sutileza de lado e encanta com seus tons vibrantes. Enquanto isso, “Limestone Jesus” traz uma bateria mais convencional e enérgica, soando como uma faixa mais dançante, inclusive com leve tempero latino.

“October 9th” chega quase como um interlúdio erudito, e prima por trazer uma aura sombria descrita apenas por um piano grave. Mas, logo as luzes retornam e a banda destila “Seafarer (For Carla)”, uma faixa primorosa que ganha contextos de uma música de primavera, linda e bela, além de versátil e detalhada.

Entrando para a trinca final, “Infection Point” chega toda otimista e mais moderna, além de conter uma pegada mais pesada e intensa. Tudo com a bateria mais na cara, um piano com uma abordagem contemporânea e o baixo mantendo o pique típico.

“Rule 34” mostra ser uma das faixas mais virtuoses, tanto nas cordas, quanto no seu contexto geral, daquelas que mostram a habilidade dos músicos, porém não se perde e acaba soando musical. Fato é que se trata de uma das músicas mais enérgicas do disco.

Por fim, com um certo ar de drama e despedida, eles entregam a magistral “Komorebi”, uma faixa que traz profundidade e mexe com os sentimentos, provando a capacidade do Sons of the Mellow Mafia soar versátil e ainda conseguir passar uma mensagem mesmo sua música sendo instrumental, o que é uma façanha.

Por fim, podemos dizer que estamos diante de um disco que soa sofisticado, mas vai além. A música de “Sons of the Mellow Mafia”, o disco, é para todos e tem uma abordagem que consegue tal, pois eles atingem melodias bem equilibradas e possuem uma abordagem que joga em prol da música e tudo com objetividade.

E meio a uma massificação desnecessária da música, que a deixa cada vez mais superficial, ouvir um disco como este é como um oásis em meio ao pior do calor dos desertos. Logo, não perca tempo e invista menos de 1h para ouvir essa música revigorante.

https://open.spotify.com/artist/4kkbHpxiiRBP43MERx2D0A

https://soundcloud.com/sons-of-the-mellow-mafia/albums

https://www.youtube.com/channel/UClCYHh27R0scocZWLfEWDFw

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