{"id":8391,"date":"2023-03-17T17:01:52","date_gmt":"2023-03-17T20:01:52","guid":{"rendered":"https:\/\/musicforall.com.br\/?p=8391"},"modified":"2023-03-17T17:20:11","modified_gmt":"2023-03-17T20:20:11","slug":"geschmacksarbeit-a-abordagem-criativa-do-jazz-de-joachim-zoepf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/musicforall.com.br\/site2024\/geschmacksarbeit-a-abordagem-criativa-do-jazz-de-joachim-zoepf\/","title":{"rendered":"<strong>\u201cGeschmacksarbeit\u201d: a abordagem criativa do jazz de Joachim Zoepf<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p>Est\u00e1 bem longe de quem vos escreve tentar o desvendamento da obra de maneira absoluta. Explico. Primeiro porque tenho um ponto de vista diferente de todos os meus leitores; o que fa\u00e7o \u00e9 dar-lhes dicas, informa\u00e7\u00f5es \u00fateis sobre o que se trata determinada cria\u00e7\u00e3o. E em segundo lugar, e muito importante, \u00e9 que uma \u00fanica nota de um instrumento utilizado pode nos contar ideias inesgot\u00e1veis, n\u00e3o aparentando uma \u00fanica verdade, ou um s\u00f3 universo para as pessoas, e para o pr\u00f3prio criador.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez, se tivesse eu mesma produzido, improvisado e entregue aos ouvintes a cole\u00e7\u00e3o musical, pudesse afirmar com certeza: olha, significa isso e aquele outro! Confesso que adoro liberdade criativa e mantenho a imagina\u00e7\u00e3o dona destes dedinhos que entregam palavras!<\/p>\n\n\n\n<p>Ah, e n\u00e3o posso esquecer de tocar em um outro assunto: o que \u00e9 belo para voc\u00ea? Vamos pegar uma caixinha e jogar duas pedras l\u00e1 dentro e deix\u00e1-las para observa\u00e7\u00e3o, embaixo de uma \u00e1rvore, sob olhares atentos. Pronto. \u00c9 arte? Sim, n\u00e3o&#8230;? Como voc\u00ea v\u00ea e sente, cabe somente a voc\u00ea desvendar, e isso \u00e9 o que torna tudo t\u00e3o bonito na exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Volto a afirmar: estou longe de encontrar uma explica\u00e7\u00e3o absoluta para a m\u00fasica! O som e a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 que ir\u00e3o contar a hist\u00f3ria. Talvez repleta de beleza para mim, j\u00e1, para voc\u00ea, repleta de estranheza. Significa que a arte me toca; atinge o objetivo e far\u00e1 o sentido que eu der a ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Bom, a introdu\u00e7\u00e3o chega desta forma porque vou apresentar algo diferente. N\u00e3o queria rotular o jazz como apenas m\u00fasica improvisada e de fus\u00e3o r\u00edtmica. H\u00e1 muito mais!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Joachim Zoepf, <\/strong>artista baseado emErftstadt, na Alemanha, tem uma longa hist\u00f3ria de amor com a m\u00fasica. Nascido em 1955, come\u00e7ou a aprender piano aos nove anos e saxofone em 1976. \u00c9 m\u00fasico freelancer e professor de m\u00fasica desde 1983. Com interesse particular em arquiteturas diversificadas que se encaixem no mundo das artes c\u00eanicas ou visuais, sem perder a alma do jazz, que o habita, e sua habilidade em dar vida moment\u00e2nea \u00e0 m\u00fasica, onde estiver. E neste trabalho, presumo que o criador deseja que nossa percep\u00e7\u00e3o v\u00e1 al\u00e9m, que navegue por \u00e1guas desconhecidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cGeschmacksarbeit\u201d,<\/strong> seu sexto \u00e1lbum solo e uma cole\u00e7\u00e3o de 14 faixas, est\u00e1 a nossa disposi\u00e7\u00e3o para respeitarmos e descrevermos sua complexidade art\u00edstica: \u00a0do que \u00e9 feita a obra e como impacta nossa aten\u00e7\u00e3o? Adianto que a adi\u00e7\u00e3o do elemento eletr\u00f4nico aos instrumentos ac\u00fasticos nos d\u00e1 uma nova perspectiva sobre seus funcionamentos, e que acredito ser exatamente o que faz deste trabalho algo que nos la\u00e7a o cora\u00e7\u00e3o e provoca afei\u00e7\u00e3o instantaneamente. Vamos l\u00e1!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>kurzwellen No.1 <\/strong>elabora um saxofone soprano combinado \u00e0 interface de um computador Max\/ Msp, tocados simultaneamente. Por \u00f3bvio h\u00e1 a marca do estilo, o jazz, mas no mesmo passo ouvimos passarinhos, um di\u00e1logo estranho em uma l\u00edngua desconhecida e uma luz evidente na faixa, que sem d\u00favida \u00e9 algo que faria parte tranquilamente de um cen\u00e1rio teatral, a depender do contexto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>kurzwellen No.2 <\/strong>segue a din\u00e2mica entre computador e instrumento, mas desta vez sua express\u00e3o est\u00e1 em um plano soturno; um sopro que vira serpente em uma floresta escura, por onde o trem passa, e logo observamos pela janela um animal feroz rondando nas sombras. Ser\u00e1 que sairemos vivos deste passeio?<\/p>\n\n\n\n<p>Em<strong> kurzwellen No.3 <\/strong>estamos neste terreno, rodeados de animais selvagens, saxofones riscados e um suspense que, embora breve, nos conecta ao passo anterior.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>kurzwellen No.4 <\/strong>inicia como instrumento mais claro ao ouvinte. Aqui \u00e9 como se estiv\u00e9ssemos sendo transportados de um lado ao outro, como uma viagem no tempo. Vozes misturam-se a composi\u00e7\u00e3o, o saxofone conversa consigo mesmo e de repente a atmosfera rasga e saltos de ondas sonoras nos levam para diversas \u00e9pocas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em<strong> kurzwellen No.5 <\/strong>voltamos para nossa paisagem deslumbrante, agora menos temerosa,&nbsp; rodeada por p\u00e1ssaros coloridos que discutem cantando, atrav\u00e9s da sonoridade instrumental, ou ainda nos lembram o som que macacos reproduzem em bandos. Poderia ser uma corda desafinada nos fazendo rir, mas \u00e9 mais uma vez o saxofone combinado com o elemento eletr\u00f4nico desenhando a cena.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>kurzwellen No.6 <\/strong>traz elefantes, quem sabe macacos novamente, e exibe ainda o barulho que a floresta produz, com pequenos raios de luz adentrando o ambiente. Ent\u00e3o, algo risca o ch\u00e3o e sentimos a necessidade de continuar nossa peregrina\u00e7\u00e3o, consumidos por desvendar todos os segredos que existem ali.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>kurzwellen No.7<\/strong>, a \u00faltima onda curta, abre novamente a brecha temporal atrav\u00e9s performance do som do instrumento e ficamos entre um ambiente e outro, na d\u00favida de qual caminho seguir. Uma curiosidade \u00e9 que h\u00e1 certos momentos em que cordas parecem se entrela\u00e7ar \u00e0 sonoridade, mas sabemos que \u00e9 apenas o som do sax com o computador nos oferecendo um universo de possibilidades.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>langwellen No.1<\/strong>, primeira faixa das ondas longas, nos leva mais \u00e0 frente na floresta. Aqui estamos situados mais pr\u00f3ximos da \u00e1gua e de animais calmos. O som \u00e9 baixo, quase cient\u00edfico, mas ainda cabe perfeitamente no ambiente que criamos. Nele h\u00e1 sol, e ainda que o barulho da conversa e express\u00f5es corporais dos animais confunda nossos sentidos, podemos aproveit\u00e1-lo ao m\u00e1ximo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>langwellen No.2 <\/strong>traz ecos, uma c\u00e2mera lenta; quem sabe uma tempestade se aproxima? Precisamos seguir em frente. Podemos ouvir pessoas ao longe e pedras rolando. Devemos come\u00e7ar a correr?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>langwellen No.3 <\/strong>exibe o clarinete baixo acompanhado da interface do computador Max\/ Msp, tocados simultaneamente. \u00c9 uma composi\u00e7\u00e3o mais profunda, como se um avi\u00e3o estivesse sobrevoando alguma regi\u00e3o, ainda naquele tom de mist\u00e9rio e fotografias para descrever. \u00c9 uma \u00e1rea grande vista de v\u00e1rios \u00e2ngulos, talvez por isso o elemento eletr\u00f4nico aqui, caia como uma luva, transparecendo uma conex\u00e3o alarmante, durante a observa\u00e7\u00e3o da paisagem espessa e vasta que \u00e9 percorrida nesta jornada. A mais longa de todas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em <strong>langwellen No.4 <\/strong>\u00e9 mist\u00e9rio e suspense total. A faixa destaca texturas, mistura o escuro de um lago com o desvendar de um segredo, e tudo pode acontecer daqui em diante. O clarinete avisa que algo se aproxima com drama o suficiente para nos manter em alerta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>langwellen No.5 <\/strong>oferece ru\u00eddos espa\u00e7ados, asas batendo, algo passando ao fundo, o avi\u00e3o passa sobrevoando, mas agora nosso ponto de vista \u00e9 de quem est\u00e1 no ch\u00e3o. Um desenho do sil\u00eancio que se quebra com acontecimentos comuns e outros nem tanto, daquele momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Pulamos para<strong> langwellen No.6 <\/strong>e \u00e9 como se estiv\u00e9ssemos novamente adentrado a floresta, com sons mais abertos, menos perigosos, mas um ambiente onde prevalece a presen\u00e7a de animais. O clarinete nos proporciona uma passagem tranq\u00fcila e agrad\u00e1vel, ondulando suas notas e trazendo claridade \u00e0 atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>langwellen No.7 <\/strong>fecha nossa aventura. O jazz, claro como a luz do dia e alegre, enfeita o caminho enquanto seguimos rumo ao ponto de onde partimos. Tons sobem e descem, brincam, flutuam, conversam, perdem-se um no outro. O sentimento \u00e9 de que tudo valeu a pena. Agora estamos na cidade barulhenta, com movimento; no peito aquele aperto por estarmos de volta e na mem\u00f3ria um emaranhado de lembran\u00e7as. Ser\u00e1 que voltaremos?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cGeschmacksarbeit\u201d<\/strong> nos deu a liberdade de cada respira\u00e7\u00e3o, cada dedilhado. Suas cria\u00e7\u00f5es unem instrumentos e elemento eletr\u00f4nico em camadas: as continua\u00e7\u00f5es dos sons que o instrumento pode oferecer, distorcidas e desviadas pela interface eletr\u00f4nica; sentimos os passos de quem abusa da criatividade para mostrar que tudo que voc\u00ea observa em filmes, teatros, v\u00eddeos comerciais, tudo olha na dire\u00e7\u00e3o de um artista que experimenta, d\u00e1 vida \u00e0 sua m\u00fasica e a enriquece utilizando um computador, saxofone soprano e clarinete baixo. \u00c9 um grande artista, sem d\u00favida.<\/p>\n\n\n\n<p>O barco do jazz \u00e9 grande! H\u00e1 muito mais para os olhos alcan\u00e7arem. \u00c9 poss\u00edvel deixar que a linguagem criadora e intensa divida espa\u00e7o com outras emo\u00e7\u00f5es e nos leve para aonde desejarmos. Compromisso universal do jazz cumprido!<\/p>\n\n\n\n<p>Ou\u00e7a, agora mesmo, <strong>\u201cGeschmacksarbeit\u201d <\/strong>de <strong>Joachim Zoepf. <\/strong>Boa audi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Geschmacksarbeit\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/4kSppqME9tzBPNDfuaZu1p?si=x_pxvQ2uTVysOB8889Qu5g&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Quer acompanhar o trabalho de Joachim Zoepf? Basta acessar os links.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"http:\/\/www.newimprovisedmusic.com\/pages\/start.php\">Site<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/user-895045423\">SoundCloud<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/joachimzoepf.bandcamp.com\/\">Bandcamp<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@joachimzoepf9659\">You Tube<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/joachimzoepf\/?fbclid=IwAR1RooyW9_mUk1sbUPy5WYnNqZ28vUi0iF0-5qOjrxqYLYvhiAizk2xJWDY\">Instagram<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 bem longe de quem vos escreve tentar o desvendamento da obra de maneira absoluta. Explico. 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