{"id":5870,"date":"2023-01-27T12:35:29","date_gmt":"2023-01-27T15:35:29","guid":{"rendered":"https:\/\/musicforall.com.br\/?p=5870"},"modified":"2023-01-27T12:36:22","modified_gmt":"2023-01-27T15:36:22","slug":"junk-funk-jazz-e-experimentalismo-para-todos-os-publicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/musicforall.com.br\/site2024\/junk-funk-jazz-e-experimentalismo-para-todos-os-publicos\/","title":{"rendered":"JUNK: funk, jazz e experimentalismo para todos os p\u00fablicos"},"content":{"rendered":"\n<p>Nem todos os m\u00fasicos entendem de m\u00fasica, qui\u00e7\u00e1 os apreciadores. Isso \u00e9 dito porque h\u00e1 v\u00e1rios aspectos de se entender a m\u00fasica. Dentre os principais deles est\u00e3o o fato de faz\u00ea-la e o de apreci\u00e1-la. O primeiro exige conhecimento \u00f3bvio da \u00e1rea, o segundo basta ouvir. Enfim, dito isto vamos ao que interessa neste trabalho do JUNK. Mas, primeiramente conheceremos o projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de mais um \u2018filho\u2019 da pandemia, pois os m\u00fasicos Aaron \u201cDubl A\u201d Seener de Long Island, Nova Iorque e o saxofonista Dale \u201cDirty D\u201d Pearson de San Diego, Calif\u00f3rnia, ambos dos Estados Unidos, se viram sem op\u00e7\u00f5es neste per\u00edodo e foram para o est\u00fadio. L\u00e1 surgiu o embri\u00e3o do que seria o JUNK.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta desde sempre foi atingir a escala crom\u00e1tica que \u00e9 uma varredura de todas as notas existentes no sistema de m\u00fasica ocidental at\u00e9 que se percorra uma oitava e por a\u00ed vai. Sim, pois para a maioria que ir\u00e1 apreciar o trabalho, o resto \u00e9 hist\u00f3ria. Eles denominaram essa ousada experi\u00eancia como \u2018narc\u00f3ticos s\u00f4nicos\u2019, \u2018Sonic Narcotics\u2019, na l\u00edngua do duo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cChromatose\u201d \u00e9 o fruto disto tudo, e o conte\u00fado do EP traduz bem o que eles quiseram dizer com \u2018narc\u00f3ticos s\u00f4nicos\u2019, mas ainda encaixaria termos como \u2018viajem sonora\u2019, \u2018experimentalismo\u2019, \u2018m\u00fasica psicod\u00e9lica\u2019 e derivados, de t\u00e3o abrangente que o trabalho \u00e9. Mas, n\u00e3o pense estar diante de algo incompreens\u00edvel ou propositalmente insano, pois aqui \u00e9 tudo bem pensado.<\/p>\n\n\n\n<p>O JUNK tem como foco a fus\u00e3o do jazz com o funk, trazendo o baixo como o principal elemento da se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica. O instrumento, que \u00e9 essencial no funk, \u00e9 destilado de uma forma soberba, precisa e atende at\u00e9 em partes mel\u00f3dicas. \u00c9 o grande respons\u00e1vel pelo \u2018groove\u2019, afinal a parte percussiva \u00e9 mais variada, inclusive contando com batidas programadas, que revela um lado eletr\u00f4nico da sonoridade do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Como condutor das melodias, eles optam pelo saxofone, instrumento que comp\u00f5e os naipes de metais no funk, mas que costuma tomar a frente como solo no jazz. Logo, a mescla proposta est\u00e1 feita, destacando seus elementos principais. Mas, as cinco composi\u00e7\u00f5es, distribu\u00eddas em pouco mais de 16 minutos, de \u201cChromatose\u201d, n\u00e3o se resumem a isso, e trazem diversos outros estilos em suas entranhas. Afinal, um dos objetivos aqui \u00e9 atingir todas as notas, n\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem, a primeira faixa, que d\u00e1 nome ao trabalho, \u00e9 um bom resumo do que se encontra no EP. Na verdade, mais do que \u00e9 feito do que \u00e9 gerado, pois \u00e9 a faixa mais vers\u00e1til, abrangente e com mudan\u00e7as de andamento. Ali\u00e1s, \u00e9 a \u00fanica com vozes, mas n\u00e3o como elementos principais, e sim como acess\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cChromatose\u201d, a m\u00fasica, come\u00e7a com o sax \u2018nervoso\u2019 e um fundo com sintetizadores psicod\u00e9licos. Logo, o ritmo eletr\u00f4nico e o baixo \u2018estralando\u2019 d\u00e3o a sustenta\u00e7\u00e3o, enquanto linhas vocais repetem o nome da faixa, em uma rima bem sacada da breve letra. Quando o ouvinte menos espera, guitarras pesadas, beirando o metal, explodem nos falantes, dando a intensidade necess\u00e1ria. Tudo para depois voltar ao ritmo tradicional, incluindo uma bateria org\u00e2nica com uma levada \u2018bossa nova\u2019 e assim se repetir, at\u00e9 um final dram\u00e1tico, onde o ritmo cai totalmente e a faixa viaja em um clima atmosf\u00e9rico tocado por um teclado e viol\u00e3o. A m\u00fasica conta com participa\u00e7\u00e3o de Flawless Solace, conterr\u00e2neo de Pearson.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se preocupe, o ouvinte (leitor) n\u00e3o ir\u00e1 se perder em meio a tantas coisas, basta se situar em uma audi\u00e7\u00e3o posterior e a m\u00fasica far\u00e1 todo sentido. Fato \u00e9 que em tr\u00eas minutos e meio, a faixa t\u00edtulo consegue explorar tudo isso e ainda ser um perfeito cart\u00e3o de visitas do EP.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, \u00e9 bom destacar que estamos falando de algo prioritariamente instrumental, onde as linhas vocais aparecem apenas como complemento e \u00e0s vezes at\u00e9 narradas. Logo, estamos diante de m\u00fasicas extremamente bem tocadas e conduzidas, onde mal se sente falta das vozes.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro carro chefe \u00e9 \u201cNo Other Than Dirty D\u201d, com participa\u00e7\u00e3o de Scott AKA Strap, onde o saxofone se desdobra e mostra sua veia principal, dando conta do recado, enquanto tem suas a\u00e7\u00f5es narradas. Em \u201cBlow\u201d, que tamb\u00e9m conta com Flawless Solace, o funk predomina, com um baixo de linhas consistentes e totalmente explorado, tendo uma levada quebrada e \u2018grooves\u2019 a esmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, a dica que fica ao ouvir \u201cChromatose\u201d \u00e9 que a mente esteja bem aberta, pois n\u00e3o estamos diante de uma sonoridade que se digira imediatamente. As can\u00e7\u00f5es devem ser apreciadas com calma, sentindo os ingredientes, mastigando bem, para que o sabor profundo que elas emanam sejam sentidos com muito gosto.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois disto, a digest\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil, e dif\u00edcil ser\u00e1 n\u00e3o querer repetir o prato, isso porque o EP se torna no m\u00ednimo viciante. O que fica, \u00e9 que precisamos de mais trabalhos como este, principalmente dirigidos ao p\u00fablico em geral, mostrando boa m\u00fasica composta e tocada. Esplendoroso.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Chromatose\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/4YssQ6ez4vs5fcHI90aIn0?si=R3N4f97iROuD9s9DVptBbQ&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/dale.pearson.79\/\">https:\/\/www.facebook.com\/dale.pearson.79\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dale_q_pearson\/\">https:\/\/www.instagram.com\/dale_q_pearson\/<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/3AKE4QeBqlArcsvFHWM7Jx?si=AcOqUFw1R7e67Ek57lnclA&amp;dl_branch=1&amp;nd=1\">https:\/\/open.spotify.com\/artist\/3AKE4QeBqlArcsvFHWM7Jx?si=AcOqUFw1R7e67Ek57lnclA&amp;dl_branch=1&amp;nd=1<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nem todos os m\u00fasicos entendem de m\u00fasica, qui\u00e7\u00e1 os apreciadores. Isso \u00e9 dito porque h\u00e1 v\u00e1rios aspectos de se entender a m\u00fasica. Dentre os principais deles est\u00e3o o fato de faz\u00ea-la e o de apreci\u00e1-la. O primeiro exige conhecimento \u00f3bvio da \u00e1rea, o segundo basta ouvir. Enfim, dito isto vamos ao que interessa neste trabalho [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":5871,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28,24,20],"tags":[129,31,94,30],"class_list":["post-5870","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise","category-internacional","category-noticias","tag-experimental","tag-funk","tag-instrumental","tag-jazz"],"views":137,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/musicforall.com.br\/site2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5870","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/musicforall.com.br\/site2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/musicforall.com.br\/site2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/musicforall.com.br\/site2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/musicforall.com.br\/site2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5870"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/musicforall.com.br\/site2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5870\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5873,"href":"https:\/\/musicforall.com.br\/site2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5870\/revisions\/5873"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/musicforall.com.br\/site2024\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5871"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/musicforall.com.br\/site2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5870"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/musicforall.com.br\/site2024\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5870"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/musicforall.com.br\/site2024\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5870"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}