A forma como o violão se movimenta faz com que o ouvinte, invariavelmente, vá se permitindo vivenciar impulsos que o levam à introspecção. Nesse processo, existem nuances de tensão e preocupação que pairam a atmosfera de uma forma desimpedida, fazendo com que certo grau de agonia seja facilmente perceptível em meio à desenvoltura melódica minimalista efetuada pelo violão.
O interessante é que, mesmo causando certo desconforto no ouvinte por simplesmente despertar sensos que beiram a insegurança, a sonoridade introdutória da obra tem, em si, sua beleza particular. Sutil, mas capaz de encapsular impulsos lacrimais e lamentadores, a canção permite que o enredo lírico se mostre envolto em uma pegajosa camada sensorial cheia de sofrimento.

Trazendo consigo uma espécie de desejo não mais alcançável, é como se a canção brincasse entre expectativa e realidade. E nesse processo, os rompantes precisos e estridentes do baixo acabam funcionando como um elemento que, singularmente, traz o cantor ao mundo real. Se transformando em um produto sônico não somente visceral, mas catártico em meio às suas inclinações soturnas e assombrosas, Scars Of The Soul traz Dylan Gers lidando não apenas com a perda, mas, também, com reflexões pessoais apresentadas de forma pungente, o que acaba emocionando em demasia o espectador.
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