Uma camada de sintetizador deixa o ecossistema com um ar denso, cheio de expectativa. Ao mesmo tempo, uma voz feminina ululante surge transformando o ecossistema em algo que chega a beirar o místico. Com seu tom aveludado e levemente agudo, que serve como um primeiro e consistente vislumbre harmônico, esse timbre logo encaminha o ouvinte para um escopo rap preciso. Nesse instante, Conqueror não ganha apenas movimento. Ganha compasso, cadência. Se torna sincopado ao passo que é agraciada por uma alma maciça. De pronúncias aceleradas, a partir de seu tom intermediário, King Rooster se utiliza de igual estratégia àquela de Anthony Kiedis, ao pronunciar várias palavras, de modo acelerado, a ponto de adquirir um som único, sincopado e melódico. Com a sua entrega visceral, o rapper torna a presente canção em um produto sônico dramático, intenso e, principalmente, pungente.

Por falar em dramaturgia, esse quesito invade a presente composição de forma marcante e inquestionável. Por meio da união das notas agudas e extremamente vulneráveis do teclado, o rapper entra em cena com um fraseado intimista que amplifica o sentimentalismo da obra, mesmo ainda estando em seus primeiros momentos de desenvolvimento. Combinando uma densidade quase rígida proveniente do sintetizador, a faixa, curiosamente, acaba amadurecendo sob vestes que flertam com uma aparência mais comercial. Afinal, Coronation vem agraciada por um beat amaciado e delicado, ao mesmo tempo em que a cadência lírica adquirida por Rooster se mostra mais lenta e denotativamente melódica, o que, de fato, acaba amplificando a sensibilidade da composição.

A inserção do sonar do violino não chama a atenção somente pela sua conotação erudita. A forma como ela é inserida na composição induz o ouvinte a mergulhar, uma vez mais, no dramático. Com maiores doses de densidade e com nuances cinemáticas marcantes, a obra, a partir da contribuição do sonar do referido instrumento, passa a combinar tensão e torpor com, curiosamente, uma postura empoderada e firme ofertada pela interpretação lírica assumida pelo rapper. Entre versos líricos melódicos e um beat pulsante, Altitude explora uma ambiência pautada em um toque cinemático marcante que prende a atenção do ouvinte e o envolve por meio de seu refrão estruturalmente amaciado.

Tal como aconteceu na canção de abertura, a presente composição também nasce com aquela mesma voz aguda e aveludada em movimentos vocálicos amaciadamente ululantes. Rapidamente, porém, a faixa ganha seguimento com um contorno lírico de cadência levemente acelerada, o que lhe confere, consequentemente, uma boa noção de movimento. Misturando toques épicos por meio de sua sonoridade sintética e ligeiras brisas agressivas a partir da forma como a voz do rapper é apresentada, Born To Rule consegue combinar dramaticidade, imponência, atitude e um torpor curiosamente envolvente que se mostra, especialmente, durante o refrão.

Royal Decree pode ser entendido como um álbum rap cheio de camadas. Ainda que baseado, majoritariamente, em sonoridades de origem sintética, o álbum atrai a atenção do ouvinte ao conseguir combinar dramaticidade, envolvência, maciez, atitude, empoderamento e brisas de uma delicada melancolia.

Cheio de frases líricas pertinentes, firmes e penetrantes, o disco caminha por entre uma densidade que lhe confere firmeza estrutural. Ainda assim, é a interpretação lírica que carrega a alma sensorial do material. Afinal, por meio da sensibilidade de King Rooster, o ouvinte consegue identificar firmeza, determinação, coesão e persistência ao mesmo tempo em que lida com instantes de profunda introspecção.

A partir daí, é de se admirar a capacidade de Rooster em conseguir conciliar o radiofônico com, um rap raiz, pode se dizer. Afinal, o álbum consegue ofertar, na medida exata, o contágio e a reflexão sem parecer pesado demais ou demasiadamente apelativo, questões que podem ser muito bem observadas durante as quatro primeiras faixas de sua track list.

Ainda assim, em meio à sua sequência de faixas com um total de 12 títulos, Royal Decree, com previsão de lançamento para 27 de fevereiro, traz outras grandes obras, como a dramático-visceral Paranoia, marcada por uma introspecção pungente; a épico-contagiante Fall; e a épico-hipnotizante Unritten In Stone, com seu coro de vozes marcante durante a introdução e seu beat sincopado. São elas que ajudam a provar que Royal Decree navega, de maneira intensa, por temáticas como legado, identidade, poder e perseverança.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/4ER1fe6NziABATs01PcqsY?si=otZKRxbVR5CdZ1g5l4JUAg&nd=1&dlsi=dcd2f370db984ade

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