A turma liderada pelo compositor, guitarrista e vocalista Joseph Demagore chega ao seu terceiro álbum completo de 2025. Em “God of the Dead” o Rosetta West simplesmente supera o seu antecessor “Gravity Sessions” em versatilidade. Aqui, além do habitual parceiro Orpheus Jones (baixo) o barbudão ainda conta com Mike Weaver e Nathan Q. Scratch (bateria), além de outros convidados. Para este lançamento, a banda gravou quinze faixas cuja “Boneyard Blues” encabeça o álbum com riffs típicos do blues rock, que é o estilo mais praticado pelo grupo. Nessa música também conferimos ótimos solos e efeitos de slide, além da participação de Caden Cratch na bateria.

A segunda faixa, “Underground”, reflete um pouco do que o Rosetta West ainda hoje é mesmo com o número crescente de fãs pelo mundo. Agora, musicalmente falando, a canção promove um espetáculo de energia gerado pelos acordes da guitarra. Isso é um verdadeiro passeio pela combinação de notas musicais. O estilo despojado de tocar de Joseph favorece ao seu estilo de cantar e assim temos uma música harmonicamente correta. Por conseguinte, essa junção se estende à “I’Dont Care” que puxa mais para o folk. Nesta, a estrutura é um pouco menos complexa com um baixo forte de fundo, um andamento percussivo e ótimos riffs de violão.
Por falar em baixo, a música seguinte “Chain Smoke” é praticamente conduzida por um riff de baixo. Suas linhas são mais introspectivas, porém vibrantes. O baixo em sua espinha dorsal é tão presente que parece fazer dueto com Joseph em alguns momentos, arriscando até um solo bem legal. Para complementar ainda mais essa vibe country rock, a Rosetta West entrega uma música cativante, pesada e melódica chamada “Town Of Tomorrow”. A exemplo de algumas músicas anteriores, ela segue uma técnica mid-tempo onde as batidas nas cordas do violão soltam a melodia.
Apesar de “God of the Dead” ser um álbum cativante onde músicas como “Susanna Jones, Pt. 1” causam empolgação por sua pegada forte, a produção é bastante orgânica e, claro, feita por Demagore que produziu todos os outros. Esta é uma receita que deu certo desde o início e que não perde a mão nunca. Na sequência, e saindo um pouco da vibe southern da anterior, a banda investe mais no groove com a ‘funkeada’ “Tao Teh King”. Aqui, mais uma vez, há de se destacar a performance do baixo que exibe linhas complexas e bem tocadas. Em complemento, licks de guitarra completam a elegância da música.
Deixando rolar um pouco mais o repertório você chega em “My Life”, uma música inspirada no hard rock tradicional que, embora possua poucos acordes, possui beleza e melodia. A cadência do andamento faz o básico para dar suporte ao riff que também é descomplicado. Aliás, soar natural e com simplicidade é uma característica marcante em Rosetta West, mas se dentro dessa simplicidade você procura algo mais emotivo, sua música será “Baby Come Home”. Nesta, existe a relação voz e violão que todo barzinho de ‘happy hour’ precisa colocar em sua playlist.
A sessão calmaria não para por aí, pois logo após vem outra faixa acústica de nome “Summertime”. Isso reflete na expansão musical que a banda vem construindo desde os primórdios. Com temas sempre ligados ao ocultismo e espiritualidade, as composições de Joseph sempre buscam olhares mais distantes da estagnação, por isso tanta diversificação. Neste álbum, além de tocar guitarra e vocalizar todas as faixas, o mentor da obra ainda exibe seu talento nos teclados como em “Dead Of Night”. Introspectivamente, essa canção exala um clima denso guiado pelo piano e soar de atabaques como se alguém fosse levado como reverência a um sacrifício tribal.

Essa vibe intimista transborda em “Thorns Of Beauty”, que também traz o piano como um dos personagens principais. Na pegada, um toque cadenciado de bateria com poucas viradas. Sobre o destaque, é merecido atribuir ao solo explícito de piano que se encaixou bem na melodia. Contudo, a voz retraída de Joseph é bem empregada na melodia. Depois disso, vem algo que não se pode chamar de música, mas de sonoridade abstrata para que represente o “Inferno”. A faixa tenta reproduzir o medo criado pelo ser humano em ir a um lugar escuro, cheio de névoa e almas penadas. Talvez seja isso que os pedais, amplificadores e mesas de efeito quiseram reproduzir aqui.
A música de número quatorze traz a segunda parte de “Susanna Jones” que é uma versão acústica mais simplista. Você já percebeu que esse lado mais folk da Rosetta West está mais presente neste álbum, embora músicas plugadas também revelam muito valor. Para encerrar a playlist, a banda contou com o talento singular do baixista Louis Constant em “Midnight”, que representou como ninguém. Essa é uma música mais ácida e mais complexa, embora melódica. Neste lançamento, Rosetta West consegue desbravar mais caminho até o topo das paradas, lugar onde certamente há um trono a sua espera.
Ouça “God of the Dead” pelo Spotify:
Saiba mais em:
https://rosettawest.bandcamp.com
