Ela vem mansa, gradativa e com um teor profundamente aromático que envolve o ouvinte diante de um conforto quase espectral. Aludindo à ideia do crepúsculo do amanhecer com a sua sonoridade morna, a canção dá indícios da sua verdadeira identidade assim que o chimbal entra em cena desferindo uma sequência de movimentos ondulantes que escancaram a sua textura seca. Contagiante e indiscutivelmente expansiva sob a ótica da distorção de contornos levemente estridentes da guitarra, Reavolution In My Heart é aquela obra que coloca o ouvinte perante um ecossistema estimulante a partir de um misto estético setentista e moderno em razão das suas nuances digitais hipnóticas.
Trotante, sincopada e traduzindo uma sincronicidade afiada entre a guitarra e a bateria a ponto de soar de forma a escancarar uma despropositada influência do ZZ Top em razão da familiaridade sônica para com La Grange, maior single do grupo texano. Ganhando trilhas de autenticidade a partir de sons sintéticos agudos e opacos que induzem a uma postura brevemente onírica, a presente canção caminha a passos sorrateiros por conta da interpretação lírica suavemente sussurrante assumida pelo vocalista até desembocar em um refrão ritmicamente explosivo e pulsante. Diante disso, Free Your Mind ainda bebe bastante de inclinações atmosféricas que deixam o seu contorno estrutural ainda mais intrigante.
Por conta da base sonora sintética áspera em união aos pulsos ecoantes da bateria e a uma guitarra de riff de aparência mais ríspida, a composição se envereda para uma atmosfera mais emotiva e penetrante. Dramática e fazendo um caminho ondulante entre picos e vales no sentido dos altos e baixos sônicos, A Life To Live flerta demasiadamente com a roupagem do pop, mas ainda mantém o seu alicerce áspero graças à postura da guitarra. Leve e de extremo caráter motivacional, a composição não apenas educa, mas incentiva o ouvinte a perceber que a luta perante a vida é algo mais comum do que se imagina – e todos estamos na mesma luta.
Diante de uma track list que abrange um total de 10 músicas, outras também merecem destaque e Get Up And Dance é, sem, dúvida, uma delas. Explorando um lado sintético que funde o digital com o swing ameno e fresco, ela é sincopada e esteticamente frágil, mas capaz de, como o seu próprio nome sugere, colocar o espectador diante de bons estímulos dançantes. É assim que o pop volta a figurar entre os ingredientes da receita sonora do Reaven e, especialmente nessa canção, proporciona um flerte para com a roupagem comercial do Maroon 5.
Indo na contramão do expansivo, Save Me já se mostra um título em que o intimismo e a sua sonoridade extremamente vulnerável combina nostalgia e melancolia de uma forma tocante. Como uma balada melancólica, a faixa consegue atrair o ouvinte e prendê-lo em meio ao seu contexto pegajosamente contagiante mesmo diante de um tom de angústia que busca por uma espécie de socorro.
É assim que Reavolution apresenta um conteúdo sensorialmente eclético e sonoramente estimulante. Entre dramas e convites dançantes, o material consegue oferecer o motivacional e colocá-lo em contato com o transcendental, além de fazer com que o atmosférico converse livremente com uma espécie de torpor reflexivo.
Tudo isso acontece sob o teto da exploração da aspereza melodiosa do rock alternativo, que aqui se funde alegre e versatilmente com sons sintéticos que induzem a uma modernidade com traços do passado. Com direito ainda a momentos de swing, Reavolution é um disco em que o Reaven explora a ideia de que toda a revolução vem de dentro enquanto traça uma jornada de transformação individual e coletiva.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/4XMRA9dDBjl3VWhdoTndiB
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