A delicadeza é algo que salta aos ouvidos. A sutileza, a sensibilidade, a introspecção. O interessante nisso é perceber que o plano de fundo é silencioso, se valendo apenas pela interpretação vocal entregue por Rafe Carlson e seu timbre anasalado. A partir da performance do cantor, inclusive, a canção assume contornos curiosamente espirituosos que são engrandecidos demasiadamente em virtude da presença posteriormente anunciada do teclado na paisagem sônica.

Com seu dulçor levemente ácido, o instrumento consegue envolver o espectador em um ecossistema que, ao mesmo tempo, soa tocante e sensorialmente envolvente. Agraciada por brisas reflexivas, a versão que Rafe Carlson entrega à The Wreck Of Edmund Fitzgerald, faixa de Gordon Lightfoot, é de uma transcendentalidade entorpecente e encantadora.

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