Vinda da Nova Zelândia, a cantora de música eletrônica Rachel D., inicia a sua carreira solo com o single “Powersuit”, um divisor de águas na carreira da artista que assinou com o selo Mama’s Crib Records. O clima de eletro dance é marcado por influências que vêm de diversas direções, ou seja, a música sofreu incursões do post rock, mas também reverencia o post punk. Além disso, a atmosfera recria um cenário típico da new wave, o que facilita a compreensão do fã ao que ele está ouvindo. Nesta matéria, vamos falar um pouco sobre esse single e como ele possibilitou o lançamento do primeiro EP da artista, “Blowback” (2025).

Rachel é assumidamente fã de Joy Division e The Cure, isso já justifica metade do tempero que ela joga em sua música. Suas obras, a exemplo de “Powersuit”, são densas e, embora apresente ritmo marcado nas batidas do sintetizador, existem nelas certa nebulosidade, melancolia e efeitos sombrios. “A paisagem sonora e sombria da faixa de fundo está firmemente enraizada no território do electro pop, mas também revela algumas das minhas raízes indie e post-rock, além do meu amor por bandas como Joy Division e The Cure”, explica a cantora que também produz música.

Sobre a expansão de suas atividades, Rachel trabalha como DJ há vários anos, mas como artista de estúdio faz guias de vocais para outros cantores, como os próprios vocais deste single. Seu timbre intimista casa perfeitamente com o que ela construiu para a parte musical de “Powersuit”, que possui boa marcação de baixo e excelente harmonia. “Sou engenheira de som e DJ há muitos anos e originalmente gravei o vocal como guia para outro artista, mas o mantive, pois a pegada electroclash e a entrega impassível da interação na pista de dança retratada combinaram perfeitamente com a atmosfera da música”, revela.

Ao explorar mais a história de Rachel, vemos que a sua aproximação à música se deu em Auckland (NZ), onde trabalhou no Cause Célèbre. Como lá era um ambiente musical, a semente foi crescendo e estabelecendo na moça o gosto pelo som de vários nomes. Não durou muito até ela mesma compor as suas próprias canções. “Apaixonei-me verdadeiramente por música enquanto trabalhava no bar do Cause Célèbre, um clube de jazz em Auckland. Lá, todas as noites, ouvia Nathan e Joel Haines, Greg Johnson e outros, e minha paixão por jazz e house music crescia cada vez mais”, destaca.

Quando a rave dominava as pistas europeias e americanas, Rachel foi morar em Londres (ING). Com uma certeza na mente e coragem no espírito, a cantora e DJ se matriculou em um curso na área de som e buscou a virada de chave. Nesse mesmo período, a garota trabalhou em vários eventos assistida por dois tutores. “Aos vinte anos, mudei-me para Londres, comprei um computador Atari e me matriculei em um curso de engenharia de som. Era 1992, o auge da era rave. Um dos meus professores era o engenheiro da banda psicodélica Gong, e outro, do coletivo musical Spiral Tribe. Eles nos faziam trabalhar duro e nos levavam para festas no interior”, relembra.

As primeiras experiências de composição de Rachel foram no estilo house music e surgiram com amigos. Por conseguinte, após compor as músicas, tratavam de pensar em como as lançariam. A resposta veio com a ideia de formarem projetos que valeram muito a pena naquele período. “Comecei a compor house music com amigos, algumas das quais transformamos em dubplates, e uma delas lançamos com o grupo de acid jazz Mighty Truth”, recorda. Essa gênese foi muito importante para o que a cantora se tornou hoje e a resposta está em uma breve audição em “Powersuit”.

Antes da internet se estabelecer completamente nos lares das pessoas, Rachel já possuia autoridade no cenário musical. Seu trabalho como DJ e design de som para jogos, programas de rádio e conteúdos online contribuía para uma efervescente geração de ideias. Na sequência, e antes da virada do século, a moça já se lançou como produtora, compondo também para uma banda. “Em 1999, produzi um álbum e coescrevi quatro faixas com a banda de post-rock Bark Psychosis para lançamento pela Fire Records”, pontua Chachel que já estava preparada para todo e qualquer desafio.

A partir disso, Rachel D. não parou mais de produzir, embora tenha enfrentado um hiato de oito anos após idas e vindas entre Inglaterra e Nova Zelândia. Seus projetos e contribuições a outros artistas são incontáveis e o fato de ela lançar um single e, consequentemente, um EP, não traduz nem se quer a metade do que essa mulher fez pela cultura musical. A sua vertente artística que aglutina emoções divergentes entre a alegria e a melancolia, define uma singularidade que pode até mesmo influenciar uma nova levada de DJs. Dessa maneira, que seja “Powersuit” o marco zero de uma nova era.

Ouça “Powersuit” pelo Spotify:

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