Ouça o cativante novo EP do ¡V.E.N!

Há junções infindáveis de estilos, gêneros e subgêneros dentro da música. Isso é fato. Mas, muitos deles ainda são improváveis, isso quando funciona. Por isso, quando um artista aposta nessa improbabilidade e o negócio funciona, a coisa flui melhor e as chances de ele criar uma identidade própria é bem grande.

Contemporâneos, mas nem sempre andando juntos, o power-pop e o progressivo podem ser até antagonistas. Enquanto um soa um pouco mais direto e objetivo, buscando facetas minimalistas, o outro exalta a técnica e versatilidade com uma abordagem mais burocrática, chegando muitas vezes até a ideias megalômanas que alimentam o ego.

Para quem ainda não conhece, segundo pesquisa, o power pop é um gênero musical que funde ganchos melódicos do pop dos anos 60 (especialmente Beatles) com a energia e guitarras do rock, caracterizado por andamento acelerado, harmonias vocais e alta energia. O termo foi criado por Pete Townshend (The Who) nos anos 60, popularizando-se nos anos 70.

Já o progressivo, também segundo pesquisa, é um subgênero do rock que surgiu no final dos anos 60 na Inglaterra, caracterizado pela fusão do rock com estruturas complexas do jazz, música erudita e vanguarda. Focada na inovação, frequentemente apresenta músicas longas, letras conceituais e alta técnica instrumental.

Ambos os estilos evoluíram, muitos deles se fundindo a gêneros alternativos mais modernos, inclusive gerando outros subgêneros. O progressivo, por exemplo, ganhou contextos ainda mais amplos, inclusive invadindo diversos espaços dentro do heavy metal, enquanto o power-pop partiu para cenários mais próximos de si, como o pop punk e o indie.

Temos aqui um trabalho que consegue fundir com maestria o power-pop com o progressivo, mas sem ficar em cima do muro. Afinal de contas, o mote principal é o primeiro, enquanto o segundo chega para dar um pouco mais de técnica e consistência, fugindo da simplicidade barata.

Diretamente de Sevilla, na Espanha chega o ¡V.E.N! (Virtual Emotions Network) é o projeto solitário de Edu Campoy, músico espanhol cheio de vitalidade e uma sensibilidade incrível para o rock alternativo, aqui focado no mencionado power-pop e com elementos progressivos, que ele apresenta em seu mais novo EP.

Com mais de 15 anos de carreira, o artista prima por lançar trabalhos nestes formatos que casam muito com sua proposta, chegando agora com mais um que mostra uma evolução natural, mantendo sua identidade, tanto musical quanto lírica, sendo que neste último continua com temas intimistas, e em ocasiões combativas com a realidade social atual.

São letras que corroboram com o tempo, assim como a sonoridade que, por mais que chegue inspirada em estilos de vanguarda, tem uma abordagem surpreendente de Edu, que consegue fazer com que elas soem atemporais. E não é diferente em “The Beuty Of Danger”, disco de cinco faixas e pouco mais de dezessete minutos.

Nele, Campoy prefere abrir de forma mais introspectiva com a belíssima faixa “Cloud of Bliss”. Mas, não pense que se trata de uma música de energia negativa. Ela simplesmente chega quase como uma balada, mas impondo uma boa dinâmica e já apresentado as guitarras empoeiradas do espanhol e um solo maravilhoso.

“Now”, que traz na letra uma reflexão agridoce sobre liberdade e reinvenção, parece nos manter no nível mais introspectivo, mas logo explode num ritmo cativante e influências claras do indie, soando atual e muito bem desenvolvida. Uma das faixas de trabalho, ela representa muito bem a sonoridade moldada por Campoy durante sua carreira.

“Ah, mas até agora não vimos nada de progressivo nesse disco?”. Pois bem, ela dá as caras com mais ênfase em “The Silence of God”, faixa que traz um violão e um teclado espacial como pano de fundo, enquanto a guitarra limpa e a uma cozinha consistente fazem a base principal. A música prima por seu ar levemente soturno e volta a mostrar solos de guitarra arrebatadores.

Já “Coliving, Polyamore & E-Scooter” prima por ser uma das faixas mais rápidas, com claras influências de punk, mas sem perder o teor romântico que caracteriza e muito as composições do ¡V.E.N!. Fãs daquele Ramones do início dos anos 80 irão se identificar.

Por fim, fechando o disco, temos “Walk On Fire” que talvez seja a música mais versátil do disco, sem inventar. Trazendo o power-pop naquele ritmo inocente e encantador, o fundo dela, com uma guitarra psicodélica, nos revela elementos do progressivo em uma abordagem onde a façanha está em aproveitar tudo em três minutos e meio de música.

Claro, apesar de parecer clichê, algumas verdades precisam ser ditas e uma delas é que um EP com apenas cinco faixas é muito pouco pela qualidade que Edu entrega. O gosto de quero mais fica latente e isso só se enfatiza com a excelente produção que o disco tem. De valores orgânicos, a música soa, além de tudo, como um alívio, pois é honesta e real, além de um bom-gosto impecável.

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