Novo álbum do Bloomfield Machine, “Copium”, revela sentimentos do autor Brian Kassan

O multi-instrumentista e compositor Brian Kassan apresenta o novo álbum do seu projeto Bloomfield Machine, “Copium”. Em seus oito lançamentos, o artista multifacetado ainda produz e masteriza todo o seu material. A versatilidade é palavra de ordem aqui com temas que vão do jazz, música experimental ao rock, pop e música eletrônica. Este álbum, por exemplo, possui muita coisa moderna e clássica como você pode acompanhar em “Clusterflux”. Já o jazz e groove estão caracterizados em músicas como “Aisle of White”, que trabalha mais a melodia. Alguma coisa aqui também pode ser originária do rock progressivo, pois seus andamentos seguem linhas musicais convergentes.

Observa-se que Kassan é muito meticuloso quanto suas criações. O processo harmônico que passa por acorde, seja da guitarra, sintetizador ou algum conjunto de climas não traz ideia de cacofonia, mas sim de perfeita harmonia. Isso está muito bem representado em faixas como “Deliberate Confusion”, um misto de sonante dos anos setenta e oitenta. No decorrer do disco você verá muito essas referências vintage. Para elevar mais a atmosfera suave de “Copium”, a faixa título vem em seguida trazendo um verdadeiro baile de movimentos sensoriais. Talvez esta seja a execução mais enigmática e introspectiva deste oitavo álbum do Bloomfield Machine.

Da mais intimista para uma das mais extrovertidas, “Destinesia” possui um riff de piano conduzido por um clima fantástico como de violinos. Embora a música seja de curta duração, a sua beleza sonora nos leva a uma longa viagem de ternura e conforto. Nota-se em sua estrutura a delicadeza e a escolhas das notas formando a harmonia. Sua sucessora, “A Little Bit of Everywhere” traz mais pressão com batidas graves, mas um protagonismo atmosférico do sintetizador que parece bailar com notas cristalinas de guitarra. Eis aqui mais um pouco da sensibilidade e textura de alguém que faz alquimia com sons e extrai deles verdadeiros folículos de ouro musical.

Além de música, o que o Bloomfield Machine oferece nesta obra são experiências sonoras de som ambiente. A exemplo de músicas como “Simple City”, essa relação com o ambiente se torna um pouco mais festiva, pois mesmo o clima geral do álbum sendo leve, o riff da música em loop causa sensação de movimento. Outra característica é que “Simple City” nos remete a uma trilha futurista. Já “Diminishing Returns” é mais abstratas com uma faixa radiofônica a espera de alguma sintonia, enquanto que na cozinha, um arranjo de sintetizador forma um plano de fundo.

Você deve ter reparado que Kassan traz também muita melancolia em suas composições. Além disso, alguns efeitos próprios da música industrial também são incluídos na proposta. Em músicas como “Hedonic Treadmill” podemos tirar a prova disso, pois a sua estrutura é totalmente melancólica com efeitos que remetem metais se chocando. Na sequência, vem uma música que ainda possui algum traço de industrial, mas com distorções mais saturadas. “Sonder” é uma música com melodias intimistas, mas que possui um lado místico. O teclado, assim como os sons percussivos corroboram para um valor ainda mais ocultista na sonoridade.

O mais interessante é saber que essa experiência toda foi concebida no lar do próprio Kassan. Ou seja, ele fez absolutamente tudo sozinho em seu apartamento em Huntington Beach, Califórnia (EUA). A partir daí, sairam músicas como a despretensiosa “Thoughts Are Noise” que não tem nada de barulhenta, mas tudo de encantadora. Além desse fato, as ideias do artista foram todas elaboradas por meio de um Estúdio Reason, um sofisticado programa digital que leva para dentro de sua casa muitos dos recursos de um estúdio verdadeiro. Músicas como “The Beginning of Good”, com toda a sua beleza, acabam tomando forma e abordagem.

Embora possamos conferir uma mistura de sons diversificada, é perceptível também ouvir a simplicidade na produção do álbum. Nessa parte, Kassan nos ensina que não precisa muito para alcançar um bom objetivo, mas também sabemos que é preciso ter um alto nível de inteligência para compor músicas até mesmo abstratas como “Trading Happiness”. Mas também vamos colocar “What’s Next?” neste combo, embora não seja uma música com ruídos abstratos, ela pega o ouvinte pela serenidade e andamento bem cadenciado. Uma execução simples, mas marcante com os seus dois minutos de duração. Para alguns pode até representar um gostoso baile de final de tarde.

Intimamente, “Copium” representa os próprios sentimentos de Kassan. Sentimentos que o músico preferiu musicar e compartilhar com outras pessoas. Algo que se aprofunda em seu subconsciente, como o próprio músico comenta. Músicas como “We All Live in a Narcissistic Dream” com suas batidas fortes exemplificam isso, assim como “Train to Nowhere” que encerra o álbum com garbo e elegância. Bloomfield Machine é uma máquina experimental cujas músicas transcendem a mente e a alma. Se você quiser se lançar em um mar de melodias soltas e intrínsecas, comece por aqui e depois você descobrirá muito mais sobre a arte do som ambiente.

Ouça “Copium” pelo Bandcamp:

https://bloomfieldmachine.bandcamp.com/album/copium

Saiba mais em:

https://www.facebook.com/Bloomfield-Machine-103682937878586

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