Talvez o hip-hop hoje seja um dos estilos mais populares do planeta. Até porque não estamos diante de um gênero musical, mas de um movimento. Nascido nas comunidades afro-americanas e latinas de Nova Iorque nos anos 70, o hip-hop engloba quatro pilares: o rap (música rítmica e poética), o dJing (criação de batidas com toca-discos), a dança (com destaque para o breakdance) e a arte do grafite.

É um território muito explorado e, enquanto gera produtos culturais de diversas formas, atingindo esse lado positivo, também serve como um empecilho para músicos e artistas que querem surfar nessa onda, afinal de contas, para se destacar tem que ser diferenciado.

Criado entre Massachusetts e o sul da Flórida, Nate G é um artista “faça você mesmo” em todos os sentidos — compondo, produzindo e gravando todas as suas músicas do zero. Inspirado por artistas como Nas e produtores como Timbaland, ele se recusa a seguir tendências ou influência.

Ele é um destes que pega sua prancha (metaforicamente falando) e entra na onda do hip-hop, mas com uma abordagem tão versátil que o faz realmente soar diferenciado. Isso pode ser comprovado neste seu mais novo disco, “Me Myself I”, do qual o título já entrega sua autonomia, mostrando um artista de vanguarda, mas atualizado no que propõe.

Inspirado pela cena hip hop que cresceu ouvindo, Nate G traz um som diferente dentro do estilo, com uma abordagem bem própria, que pode facilmente atrair ouvintes nem tão familiarizados com o estilo, pois gera, além de entretenimento, muita qualidade.

E, nas dez composições que compõem o trabalho, Nate deixa claro que tem a intenção de atingir diversos públicos, além de integrar playlists versáteis. E capacidade para tal, as faixas têm, pois encontram-se acima da média, muito bem produzidas, estruturadas e com um contexto que pode agradar a todos.

A primeira música, “Expectations” já é um diferencial potente, abre o disco com todos os preceitos de curiosidade que uma faixa pode causar. A música prima por trazer sintetizadores hipnotizantes e elementos percussivos que a faz inclusive flertar com a afromusic e até mesmo com a música brasileira (mesmo que dê forma inconsciente).

“Leave Me Alone” chega de uma forma tradicional e revela a opção de Nate por apostar em efeitos de autotune nos vocais, mostrando que o interesse por soar atual é real. A faixa é seguida por “Wasn’t That Serious”, que prima trazer uma batida que entorpece e um ritmo influenciado pela música oriental, provando mais uma vez a versatilidade do artista.

“Don’t Look At Me The Same” chega com um ritmo também diferenciado, inspirado em batidas e vocalizações com mais repetições, mantendo o teor hipnotizando da música da Nate. A faixa também revela a habilidade dele com o jogo de palavras.

Provando soar bem característico e com uma forte identidade, “Dreams and Nightmares” se mostra muito diferenciada de sua antecessora, mas sem perder a essência moldada por Nate, o que se repete em “Bringing Up My Past”, outra cheia de distinções e que ganha um ar mais introspectivo, mantendo a personalidade.

“Roof Off” é uma faixa onde Nate G prova uma coisa que muita gente acredita ser impossível, que é fazer o trap funcionar, aderindo leves toques introspectivos, além de deixar a faixa estruturada a nível de se encaixar com o rap, abrindo portas.

Em “Smack DVD” ele insere certos tons maléficos, transformando a música em algo mais intimista. A faixa é cheia de contrastes, com uma batida dinâmica se contrapondo ao fundo um pouco sombrio. É mais uma faixa que mostra a habilidade de Nate G com as palavras, que ele encaixa com perfeição.

Entrando na reta final, finalmente ele entrega uma faixa um pouco mais acessível e isso não é uma reclamação. É que “Me Myself I” é um disco tão enérgico, que quando percebemos estamos quase perdendo a respiração. Mesmo contando com vocais intensos, “Shine Bright” é uma faixa que tem um instrumental mais brando, inclusive mais orgânicos (a guitarra inserida caiu como uma luva), onde esse respiro é possível.

“Me Myself I” é fechado por uma faixa mais moderna e que, mais uma vez e positivamente, não deixa a essência moldada por Nate G no álbum, de lado. “Fangz” é uma faixa que une todos os elementos do disco, passando pelo rap e o trap, inclusive expandindo a sonoridade com traços de R&B, eletrônico e aquele besunte pop. São pouco mais de cinco minutos de um deleite.

É bom notar também a estética, já que a arte da capa — com uma figura surreal desenhada à mão — ecoa o espírito do projeto: vulnerável, sem filtros e completamente independente. Mostrando que há uma preocupação extra de Nate G, que por fim, consegue entregar um trabalho consistente em todos os sentidos e produzido totalmente no tradicional ‘do it yourself’. Além de entregar boa música, ele é um ótimo exemplo.

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