Antes de lançar o EP “Expeditions (Volume 1)”, o compositor e produtor Maxime Souveton, conhecido pelo nome artístico de Max Season, iniciou um projeto de passar para a linguagem musical as propriedades das quatro estações. O primeiro registro, em 10 de junho de 2025, trouxe “Spring 2025”, como deve ser a primavera, Max tentou inserir na faixa elementos que nos remeta ao campo, vibrações e cores. Além disso, a execução traz progressão e volatilidade, que é uma das marcas do estilo ambient sound. Já em setembro, o parisiense libera “Summer 2025”, com mais uso de instrumentos convencionais como guitarra e baixo.

Max extrai o que pode de sua versatilidade para emular fenômenos da natureza, mas em seu último trabalho, “Expeditions (Volume 1)”, as proporções se tornam ainda maiores. Dessa vez, o artista não vai buscar inspirações apenas na natureza, mas também em ritos, misticismo e valores tribais. O título do trabalho já antecipa o que podemos encontrar em seu conteúdo, pois expedições são atividades sempre associadas a grandes descobertas. Em cima disso, o autor construiu cinco episódios desse tema que recheiam este EP conceitual. “Expeditions (Volume 1)” refere-se a um conjunto de elementos sonoros, harmoniosos, tribais ou não, que são perfeitas trilhas sonoras.

A viagem que Max Season propõe transita pela área da Mesoamérica, que é um perímetro misterioso que enquadra o sul do México e alguns terrenos da Guatemala, El Salvador e Belize. Além disso, a Mesoamérica ainda engloba algumas partes ocidentais da Nicarágua, Honduras e Costa Rica. Toda essa faixa territorial é propícia a várias histórias, cujo misticismo e encantamento fazem parte de seu folclore. Há nesse lugar um poder primitivo que nos remete a povos antigos e é nessa vibe que o EP “Expeditions (Volume 1)” deslancha. Max reuniu e construiu todo material necessário para que sentíssemos dentro dessas expedições.

Diferente dos dois primeiros singles anteriormente lançados, a imersão que “Expeditions (Volume 1) oferece é muito mais profunda. Aqui, a experiência chega a se comunicar conosco não apenas pelo ouvido, mas também por sensações que transitam entre a curiosidade e até medo. A primeira faixa, “Sun Call”, remete um pouco dessa tenção com climas místicos, percussão peculiar e arrebatamento cinemgráfico. Embora curto, o repertório consegue hipnotizar o ouvinte com sua textura esfumaçada e penetrante. Ao longo da faixa, percebemos o cumprimento de um ritual como se fosse de boas vindas. Logo vem à mente a imagem de uma abertura no meio de rochas por onde, nós, curiosos aventureiros, estamos a observar o evento. Uma imaginação ficctícia.

Existem motivos existenciais para Max desenvolver gosto por esse tipo de arte, pois o compositor trabalha há anos na produção de trilhas. Depois de dez anos dedicando seus conhecimentos em bastidores, o cara resolve compartilhar com todos os mundos que ele próprio constroi em suas atividades. Aqui, os mistérios da América do Norte e Central são passados a limpo com o máximo cuidado e respeito. Em faixas como “Valley’s Breath”, o som do atabaque que, curiosamente, é o instrumento mais usado em todas as faixas, nos transporta pela floresta em um tempo Maia, povo que habitou a Mesoamérica antes da civilização moderna.

Não por acaso, o mesmo ritmo de percussão transcende os limites da imaginação quando cai em “Prophecy”. Ligações tribais, ritualísticas e espiatórias formam a atmosfera desta pequena sessão. Nesta parte, a captação da respiração pode ser associada ao sono da mãe natureza, já que todos os seus elementos são introspectivos e cuidadosos. A profecia, nesse sentido, pode propor revelações que acontecerão ou que já acontece, e a respiração aqui pode representar os últimos momentos do sono do grande espírito.

A ancestralidade está estampada neste lançamento em todos os sentidos, mas embora um dos objetivos seja recriar um cenário primitivo, os artifícios para isso acontecer são bem atuais. A produção deste trabalho é tão peculiar quanto a pulsação de cada faixa, para recriar algo que nos leve a este nível de imaginação requer autoridade no assunto. Isso, por conseguinte, é substancial na vida artística de Max, portanto, autoridade no assunto é o que não lhe falta. Ouça as nuances de “Sacred Mist” e você verá que não é apenas sobre emular sons de interior de cavernas e florestas. As sensações geradas a partir de cada movimento sensorial percorre a mente e a pele, arrepiando cada pelo vivo do nosso corpo. É sobre isso.

A utilidade dessas músicas podem chegar até mesmo ao entretenimento de massa, podendo trechos de obras como “The Offering” serem utilizados como samples em produções de raves etc. Terapia curativa também podem usar este EP como canalizador de tratamentos, enfim, a linguagem musical é aceita e compreendida em vários níveis de civilização. Enquanto Max Season prepara a segunda parte desse projeto, podemos dissecar este “Expeditions (Volume 1)” com máxima curiosidade. Este não é somente um apanhado de músicas ritualísticas, é uma experiência imersiva onde muitos podem descobrir o seu interior mais primitivo.

Ouça “Expeditions (Volume 1)” pelo Spotify:

Saiba mais em:

https://www.maxseason.com/cycles
https://www.instagram.com/maxseason

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