Mesmo após cinco anos de um trabalho prolífico e ininterrupto, o nova-iorquino Matthew Orgel ainda não tinha se sentido completo com seus lançamentos. E olha que ele sempre manteve um alto nível, conseguiu milhares de streamings diários, além de angariar uma boa base de fãs. O que comprova que um artista sempre tem um obstáculo a ser superado.
Ele chega agora com um novo EP, este “The Best Things”, do qual ele se sente lançando algo que vai além de suas paisagens artísticas, atingindo também seu lado pessoal, como ele mesmo diz: “É a primeira vez que me permito ser vista por completo — não apenas como artista, mas como pessoa. Da exploração da minha sexualidade a levar meu som a novas direções, este EP é uma coleção de momentos em que parei de me esconder e comecei a abraçar cada parte de mim.”
Bom, isto significa que temos aqui algo completo que vem da alma e pode ser sentido em suas seis faixas. Todas compostas, gravadas e produzidas pelo próprio Matthew, que foi sucinto em seu trabalho e apresenta algo grandioso invés de intimista. Basta ouvir o disco e provar que estamos falando de algo abrangente, dentro do contexto pop, é claro.
Isso já fica evidente em “I Could Be Him”, uma canção que começa de um jeito suave e cresce dentro de si, ganhando contextos enérgicos apaixonantes e já apresentando um trabalho vocal magistral do artista. Nela, Matthew vai desde vocais imponentes, passando por falsetes essenciais, tudo acompanhado por um instrumental onde o funk, disco e R&B se unem num tom bem balanceado.
A segunda faixa, “The Devil In Me” é um hit imediato, com sua vibração, criada por sintetizadores de clima futurista e uma melodia na medida. Se enveredando em uma mescla de synthpop e house, a música nos parece uma velha conhecida, com um refrão magistral.
Não poderíamos deixar de destacar a faixa título, que fecha o disco com um clima bem emotivo e mais uma prova de abrangência da sonoridade de Orgel. Com uma batida cativante, de vibração extra, a faixa conta com uma interpretação dramática do cantor, que explora o lado mais limpo de sua voz, provando ainda mais sua versatilidade.
Sem dúvidas, as outras faixas do disco não deixam a desejar e podem agradar tanto quanto as outras, mas o fato é que “The Best Things” é um trabalho que transparece a gana de Matthew, soando honesto e atingindo seus objetivos. Recado dado!
