MatAre estreia com disco inspirado em vivências e sonoridade post-punk

Que o reflexo do mundo reflete em composições de artistas não é novidade nenhuma. Mas, precisamos contar a história longa e curiosa do significado e de como surgiram as composições deste disco de estreia de MatAre, compositor e músico de Atlanta, na Geórgia, que lançou alguns singles prévios que chamaram atenção.

Após a eleição nos EUA, MatAre prometeu a si mesmo colocar a cabeça na areia e ignorar as notícias e qualquer coisa que acontecesse no país que o deixasse chateado e gerasse ansiedade. Ele tentou por algumas semanas, mas depois se sentiu muito desconfortável por haver muitas pessoas que não conseguem simplesmente se neutralizar dessa enxurrada de informações.

As pessoas estavam literalmente perdendo suas vidas e direitos. Mat tinha o privilégio de poder se esconder dos problemas e isso não lhe caía bem. Então, ele tirou a cabeça da areia, mas ficou com muita raiva e ódio da parte do país que apreciava esse novo governo e as políticas que ele estava executando agressivamente. Manter o ódio e a raiva por anos ou mais também não funcionaria.

Enfim, cada música do álbum conta uma história enraizada em experiências e emoções pessoais, refletindo uma jornada de autodescoberta e reflexão. Logo, ele começou a fazer música sobre o que eu estava sentindo, o bom, o ruim e tudo o mais. Para o nosso bem, diga-se!

O cantor percebeu que tinha músicas para todos os sentidos, tais quais esperança, amor e perdão, bem como sobre desgraça e desesperança. Isso praticamente inspirou esta estreia intitulada “Extinction Burst”, da qual ele tem ao seu lado nomes como Gabe Wolf, engenheiro de som que trabalhou na mixagem, além da baterista italiana Francesca Pratt.

O resultado disso são doze faixas que ultrapassam pouco mais de 40 minutos onde MatAre destila o melhor do post-punk sem muitas invencionices, trazendo os flertes com estilos que comumente aparecem neste cenário, tais quais o synthpop, alternative rock e leves toques de indie que ajudam a atualizar a sonoridade. Com climas versáteis, as faixas ainda desfrutam de uma produção atual, que não permite que elas soem datadas.

Isso já fica bem evidente na faixa de abertura, que é um post-punk de instrumental bem característico, que deixaria o The Cure orgulhoso. Com teclados atmosféricos ao fundo, a música prima por trazer guitarras limpas reverberadas que é acompanhada por um baixo tradicional, seguindo a toada dinâmica da bateria. Os vocais característicos de Mat deixam a assinatura ali.

A ironia do destino é que a seguinte faixa, “I Coul Kill You But I Love You” traz guitarras mais agudas e um ritmo mais intenso, além da melodia irônica, que são bem a cara do The Smiths, mostrando que ele não se importa com a concorrência de suas influências.

“Never-Ending”, uma das preferidas do próprio Mat, é uma música que apresenta versatilidade e um trabalho vocal magistral do artista, além de uma bateria que nos remete diretamente a Joy Division. Logo, a seguinte, “Learned Helplessness”, chega um pouco mais encorpada, com uma vibração extra do baixo.

“That’s What People Do” é uma das faixas que podem servir como termômetro do disco, já que mostra como há consistência e certa homogeneidade no disco. Apesar de ser versátil, encarna um ritmo dançante e não perde a identidade.

Com uma letra que traz um apelo apaixonado e comovente por coisas não compreendidas e um amor que nunca será o que deveria ser, “The Further That They Go” é daquelas que possui um fundo percussivo hipnotizante e um clima neutro, equilibrado e, de certa forma, misterioso, até cair na melodia tradicional do post-punk e mudar seu contexto emocional.

Se faltava agressividade, eis que surge “Slicing Knives”, uma canção poderosa, de batida firme e ritmo acelerado, além de uma mudança considerável na abordagem vocal de Mat. Interessante que ela gera um contraste com a seguinte, a sublime e encantadora “Forever Light” e seu clima totalmente atmosférico, beirando o dream-pop.

“Here’s Where Your Story Begins” soa como se a primavera estivesse chegando, e aqui estamos vivendo esse momento, logo ela se encaixa com maestria. Enquanto isso, “Do What You Can” é a primeira a trazer guitarras distorcidas, que acompanham um baixo marcante e um ritmo que se aproxima do punk sem muitas ressalvas. O teclado brilhante de fundo é o grande diferencial.

Com uma batida programada, “Revolution” acentua os flertes extras que a sonoridade do álbum apresenta. Logo, a faixa título chega para encerrar o álbum de uma forma bem neutra, com uma batida marcada junto com o baixo, guitarras discretas e teclados que sustentam a base, principalmente quando a música explode no refrão, além dos vocais bem característicos.

Mantendo-se fiel à sua proposta, MatAre entrega em “Extinction Burst” um trabalho coeso e equilibrado, que em momento algum se perde, pelo contrário, soa centrado em sua essência, agregando e muito para o cenário do post-punk.

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