Mark Cee lança trabalho após 30 anos compondo!

Assim como talentos de qualquer área, o leitor (futuro ouvinte), já parou pra pensar o quanto de talentos e excelentes profissionais que ficaram pelo caminho porque nem tentaram? Pode ser uma reflexão de ‘senso comum’, mas não deixa de ser uma realidade e isso sempre bate à porta quando estamos em algum estado de procrastinação.

Procrastinar, aliás, que é um dos motivos que pode nos colocar em cheque quando nos privamos de expor nossos talentos. Pois, bem quantos atletas, engenheiros, TI’s, músicos, pilotos, seguranças e infinitas profissões não deixaram de ter talentos porque as pessoas aptas àquilo não tentaram?

Pois bem, além disso, há também a famosa afirmação: ‘nunca é tarde’. E nunca o é mesmo, principalmente no que concerne a música. E, depois de inúmeras aparições, temos aqui mais um destes casos e a felicidade de quem gosta de música ao ouvir um trabalho destes é simplesmente a mais natural possível.

Afinal de contas, estamos falando de um artista que privou-se 30 anos de soltar suas composições, e dá um frio na espinha negativo imaginar se ele não o tivesse feito a tempo, afinal de contas, o disco que nos oferece é algo onde, além de tudo, o minimalismo prova que pode ser algo muito acima da média e primordial.

Estamos falando de Mark Cee, que é um cantor e compositor radicado em Long Island; ele compõe músicas há cerca de 30 anos, mas começou a lançá-las oficialmente em 2026. Gravando inteiramente em casa com uma abordagem focada exclusivamente no estúdio — sem apresentações ao vivo ou produção assistida por IA —, o trabalho de Mark Cee concentra-se em gravações que transmitem uma presença humana e intimista, priorizando a honestidade em detrimento do polimento técnico.

Suas influências incluem Traffic, Bon Iver, Tim Buckley e os Beatles, embora a crítica tenha feito suas próprias comparações, citando desde o início da carreira de Bob Dylan e Elliott Smith até os trabalhos mais vulneráveis ​​de Justin Vernon. E mais, sua personalidade vai além, mantendo um leque aberto que acaba gerando algo atemporal, o que é mais um dos méritos do cantor norte-americano.

No ano passado, Mark lançou seu debut, este trabalho que simplesmente traz um nome magistral. “Ghost Talk Show” reúne 9 de suas principais composições, onde ele traz um folk, como dito, atemporal. Nas faixas também podemos encontrar referências ao rock e ao indie, o que situa sua sonoridade entre um contexto de vanguarda e outro mais atual.

Acompanhado apenas de seu violão e, esporadicamente, de uma guitarra, Mark consegue entregar faixas grandiosas, a começar pela espetacular música de abertura “I Am Dreaming Of”, que tem um pouquinho de grunge em sua melodia, mas soa abrangente, o que faz dela uma ótima escolha como faixa inicial.

“Drifting Back Again” ainda tem essa veia alternativa, mas nota-se o contexto de americana, que a caracteriza bastante. O detalhe aqui é o trabalho vocal de Mark, que dobra e consegue produzir backings bem interessantes e um refrão que pega o ouvinte de cara.

“Thought I Saw You Yesterday” é daquelas canções simples que pegam o ouvinte pela ‘fofura’ e o minimalismo, revelando um teclado de fundo bem discreto, mas que faz todo diferencial. Enquanto isso “Skeletons on Your Lawn” também soa direta, mas com uma energia mais direta e objetiva, provando que é possível ser versátil sem mudar de personalidade.

Agora temos uma dobradinha bem interessante e que nos causa um diferencial que chama atenção, afinal de contas se trata da mesma música. É que “And Now The Rain Is Gone”, em sua versão instrumental, nos remete a um folk tradicional e de vanguarda. Quando a faixa seguinte, que é a mesma, só que com vocais, chega, notamos um adendo de psicodelia, parecendo totalmente outra, sendo simplesmente algo fantástico.

Entrando na reta final, a cativante e de melodia agridoce “Wish You Were Coming Home” surpreende por sua oscilação positiva, que só contribui para a versatilidade do disco, que não mexe em momento algum com a personalidade de Mark. Já “Sweety Jenny” chega com um trabalho enérgico e mais descontraído, do qual o artista simplesmente traz palhetadas mais abafadas, o que contribui para tal. A música dá um diferencial e também destaca uma leve mudança vocal.

Por fim, Mark liga a guitarra elétrica, mas ainda dispensa a bateria e elementos percussivos, coisa que faz em todo o disco, e entrega “Don’t Buy The Gas Station Gummies”, que soa como um rock clássico, de riffs a lá Rolling Stones. Mark pode investir mais neste formato, aliás.

A conclusão é que “Ghost Talk Show”, mesmo sendo um disco completo, serve como uma deixa para que o artista solte mais trabalhos e não deixe mais nada engavetado por 30 anos. E, aquele pensamento, se Mark Cee não tivesse lançado suas músicas, seria mais um talento desperdiçado e o mundo não precisa disso!

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