Com quatro álbuns no registro, a banda italiana Mardi Gras nos presenteia desde 2006 com o ‘debut’ “Drops Made”. Recentemente, Liina Rätsep (vocais), Fabrizio Del Marchesato (guitarra), Fabrizio Fontanelli (violão), Carlo Di Tore Tosti (baixo), Valerio Giovanardi (bateria) e Alessandro Matilli (teclados) soltaram uma obra conceitual chamada “Sandcastle”. A história aborda temas como vaidade, poder e subversão ligados a três personagens: os irmãos Cecilia e Nicholas e Sebastian. O álbum contém oito faixas encabeçadas por “The Dance Of The Sand”, uma faixa cuja melodia supera qualquer beleza musical que conhecemos nos dias atuais. Destaque para a voz envolvente e encantável de Liina.

A segunda faixa tem como característica principal o peso e uma pegada mais firme. Esta é a canção que traz o personagem Sebastian, que se envolve com Cecilia. A música se chama “Cinematica” e explora todo o poder do baixo, guitarra e bateria, especialmente a sessão rítmica onde Carlo e Valerio causam terremoto com suas técnicas matadoras. Olhando um pouco mais para frente, os guitarristas também fazem bons trabalhos com riffs viscerais e distorções secas. Por conseguinte, a vocalista segue uma linha mais agressiva, assim como as partes de teclados onde Alessandro afunda os dedos sem delicadeza alguma.

A terceira execução dessa obra vem com “Lia’s Theme”. Uma verdadeira amostra do virtuosismo do sexteto que aborda este tema com delicadeza, sofisticação e um verdadeiro toque de amor. É possível sentir a textura das notas em nossos ouvidos, primeiro puxado pelo acorde da guitarra cristalina e segundo pela voz hipnótica de Liina. A união dessas duas coisas forma um fio condutor que ajuda a melodia a transitar pelos outros instrumentos, se tornando assim, um grande baile. É importante salientar que o papel da cozinha nessa faixa é de suma importância, pois o andamento imposto pela bateria e o baixo com uma presença marcante atendem critérios para uma boa balada.

Na sequência, uma outra balada toma forma, mas dessa vez com um pouco mais de ritmo no andamento. No entanto, a delicadeza e sensibilidade de “After The Fire” nos faz entender que nem só de baladas apaixonadas vive a arte da música. Esta música, por exemplo, traz um pouco mais de emoção, além das passagens delicadas. Com um riff projetado pela guitarra acústica e um refrão de arrepiar qualquer pelo do corpo, essa canção se destaca pela sofisticação, beleza e destreza tanto dos músicos como da cantora. Uma verdadeira aula de bom gosto.

Navegando ainda pelas ondas tranquilas da melodia,”Cross The Line” também possui poder de causar transe nas pessoas, isso porque a combinação entre voz e sessão instrumental parece ter sido trabalhada para a apreciação dos deuses. A canção começa com leves dedilhados e a voz aveludada de Liina se encarrega de espalhar boas vibrações pelo ambiente. Aonde você escutar essa música, certamete será sempre tomado pelo seu encantamento, contudo, no decorrer do álbum aída há coisas tão boas quanto ”Cross The Line” para a nossas apreciação. Estamos diante de uma equipe de bons músicos que transformam até mesmo o ar que respiramos em ondas sonoras.

Para você que é ligado em literatura não preciso dizer que o álbum “Sandcastle” foi composto tomando como referência a obra original de Sante Sabbatini, Francesco Braida e Filippo Novelli. O Mardi Gras montou essa versão para a música respeitando todos os climas que o roteiro propõe. Em músicas como “Stop The Presses” essa tensão se eleva com arranjos majestosos de teclado e um peso característico do hard rock. A sensação de estarmos dentro da própria história dos nossos protagonistas de New Jersey se torna possível graças ao preenchimento sonoro que a banda faz com a harmonia.

Algumas músicas parecem verdadeiros hinos, tamanha sua perfeição. Sobre isso, podemos atribuir essa qualidade à “Wake Up” que é formidavelmente melódica tanto na parte vocal como nas linhas musicais. Aqui, especificamente, o grupo recorre às influências do rock progressivo para apresentar um clima flutuante como um sonho. Como a concepção do álbum foi gerada a partir da história de “Sandcastle”, o Mardi Gras não deixou nada de fora. Cada trilha finalizada representa o momento em que o protagonista segue, seja na alegria, tensão ou tragédia. Para dar vida a cada peça, o sexteto trabalhou bem suas ideias.

A última peça dessa ópera rock se chama “Don’t Touch The Sinner”, que funciona como resumo de toda a trama envolvendo os personagens. A canção traz até nós uma mistura de sentimentos que envolve dor, vingança e alívio. Em algumas seções da música é possível conferirmos essas emoções em riffs, pegada da bateria e nos arranjos de música clássica. Leveza e agressividade se encontram por aqui causando essa mistura de sensações. Em “Sandcastle” o Mardi Gras tirou da manga uma forte relação entre arte e inteligência, pois uma obra como esta não está associada apenas ao dom, mas também ao esforço, dedicação e estudo de artistas à frente de seu tempo.

Ouça “Sandcastle” pelo Spotify:

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