O sonar sintético e de leve estridência que puxa a introdução não confere apenas um ar de épico, mas, inclusive, um toque de tensão, de densidade, de enigmatismo. Com uma voz caminhando ao fundo por meio de um monólogo, talvez, propositadamente incompreensível, a faixa aquece e fervilha, no ouvinte, a expectativa de saber onde a canção vai desembocar e qual será a sua verdadeira essência.
Quando o instrumental introdutório finalmente se anuncia, o espectador percebe que a canção se desenvolve diante de uma estrutura de notável flerte para com a paisagem industrial. Ainda que, diante de seu beat cru, uma boa e curiosa noção de sensualidade no que tange a percepção de movimento, seja identificada, a crueza é algo que domina a sensorialidade do ouvinte diante da natureza do presente aspecto rítmico-melódico.

Contando com uma guitarra distorcida em um tom grave e áspero que torna a canção ainda mais sombria, a canção, por meio da presença de sons sintéticos, não esconde sua tendência em relação à new wave. Ainda assim, é a brutalidade quem vence a disputa sensorial. E isso fica muito bem perceptível quando o instrumental engata em uma sequência ríspida, áspera e suja que espalha o caos pela ambiência noturna que se cria.
Com menções de torpor e toques ligeiramente etéreos, Marching in The Fog é uma faixa instrumental potente, pulsante e firme, mas que tem um leve escorregão no que tange a consistência. Felizmente, esse detalhe em nada interfere na experiência sônica que o ouvinte tem durante a sua audição.
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Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/25aU8Oatp7ohNVdK2JgKwr




