Morar em outra cidade, começar uma nova vida, esconder erros do passado apenas para cometer novos — como deveria, corações em transição, amizades se formando, ser jogado em uma capital e aprender a amadurecer… Vivências. Assim se molda o mais novo disco de Matteo Zanotti, mais conhecido artisticamente como Madisine, “The Storm Is Over”.
Liricamente inspirado em particularidades, o disco prima por trazer temas que podem soar comum na vida de diversas pessoas. Por isso acaba agradando também neste contexto, mas vai muito além. Afinal de contas, musicalmente o trabalho também é rico e abrangente, podendo encantar a diversos públicos.
Sonoramente ele aposta no rock, mas não se restringe a isso e ainda transita por diversas facetas do estilo. Isso faz com que “The Storm Is Over” soe versátil, porém com a habilidade de Madisine, o trabalho possui uma forte identidade. Tudo em um tracklist equilibrado de 11 faixas e pouco mais de 42 minutos.
A produção do trabalho é outro ponto forte, já que pode-se constatar que ela se utiliza da tecnologia atual, mas sem cair nas armadilhas das modernices. Sim, as faixas soam orgânicas, inclusive a voz do cantor, que é toda característica e serve como a assinatura perfeita do projeto.
O primeiro destaque é o rock atemporal de “Drain Love”. Com um riff cativante e aquela batida que cria toda uma expectativa inicial, a música soa como um hit imediato, do qual veríamos inclusive em trilhas e eventos esportivos. Tudo devido ao seu refrão e dinâmica intensos.
“Can You Feel?” chega como uma balda britpop cativante, com uma veia que deixará todo fã de indie rock também cativado. Belíssima e sem cair em melodias açucaradas, pelo contrário, sendo mais introspectiva, a música já traz o primeiro teor versátil do disco. Versos limpos e refrãos explosivos marcam a canção.
“Full Frontal Cardio Dance”, com esse nome genial, também se destaca. A música mescla funk, rock e se aproxima do metal no refrão, depois de inserir um verso dançante e todo groovado. Por fim, outra branda e encantadora, “Myself”, fecha os destaques, o que resume “The Storm Is Over”.
Mas, claro que apenas quatro faixas não resumem a riqueza deste trabalho que, além de tudo, soa honesto e traz um som tão natural que é um oásis em meio a tanta artificialidade hoje em dia. O disco é capaz de agradar de fãs de Oasis, The Calling, passando por amantes de Foo Fighters, a Red Hot Chili Peppers, Faith No More até rock alternativo em geral.
