Se você é um amante de trilhas sonoras, sejam elas do que for (filme, série, animação, videogame, documentário, etc) em hipótese alguma deve deixar de ler essa resenha. Afinal de contas, estamos diante de um projeto que foi criado pra isso e chega agora ao segundo lançamento onde traz 25 faixas do tipo.

O francês Denis Bourez dá vida ao BigDenBoo. Trata-se de um veterano da música, um ex-aprendiz de organista que se apaixonou por sintetizadores durante a era de ouro do Juno 106, DX7 e outros Poly-800. Mas, acima de tudo, ele é um apaixonado por som em todas as suas formas e mixagem.

Ele primou, com o projeto, em lançar a saga MUSICAL ADVENTURES CHAPTER e chega agora ao seu segundo volume. Anteriormente, em 2024, começou com “The Journey”, trabalho que apresentou essa proposta de criar música instrumental híbrida e garantiu-lhe uma boa repercussão, dando forças para lançar uma continuação.

Não há um entrelace e conceito entre as composições, a não ser as habilidades e os teores cinematográficos que as músicas possuem. Por isso, “Lostblood”, segundo disco do BigDenBoo, pode ser ouvido de forma aleatória, assim como todas as faixas que o artista lançou, nos proporcionando oportunidades infindáveis de conferir o trabalho.

Denis é um músico e compositor que já demonstra equilíbrio em sua abordagem. Ele não se limita a usar somente sintetizadores, que são essenciais para sua proposta, mas também instrumentos orgânicos, que são fundamentais para dar mais naturalidade ao trabalho, o que convenhamos, é um oásis em meio a tudo criado por inteligência artificial que nos deparamos hoje em dia.

São 25 composições, logo iremos destrincha-las, para que possamos entender mais a obra. A começar por “Mastra Island”, que já mostra essa junção equilibrada com cordas e fundo orquestrado, onde sintetizadores fazem camadas muito bem-feitas. O ar de mistério deixa o senso introdutivo ainda melhor.

Logo chega “Under The Stone”, uma faixa que cairia bem em trilhas sonoras de heróis, mas também de qualquer peça sci-fi, mostrando que seu teor orquestrado futurista é abrangente. A sequência com “Lonely”, que além das belas camadas orquestrais, traz teclados psicodélicos, é perfeita e mostra ligações sonoras do disco, provando que ouvir o álbum como um todo é o ideal (apesar de não ser uma regra).

“Wrong Path” é a primeira que traz uma batida consistente e nos leva a um universo mais parecido com os de jogos de videogame. Seu início de suspense logo cai em uma dinâmica que nos remete a uma aventura. “The Village” valoriza ainda mais os teclados psicodélicos e com sua bateria nos permite até a dançar. Uma música que caberia bem a este período natalino.

“Fiesta” traz alguns efeitos mais atípicos, provando a versatilidade do trabalho, enquanto “Where Are You?” é aquela mistura de drama com suspense, tendo como contraponto os teclados solando na linha synthwave, nos levando a uma viagem aos anos 80.

“Easy Sailing” é uma faixa que entrega um ritmo marchante, daquelas que serviriam perfeitamente para um momento de transição, seja em que formato for de produto audiovisual. Enquanto isso “The Cloveryard Pass” é uma faixa que retorna de cabeça na ficção cientifica e leves toques psicodélicos. “The Jewell”, que soa bem orgânica, com seus sons cintilantes, é outra que cairia muito bem para esse período de celebração de final de ano.

“Meeting Adil” é mais uma daquelas canções perfeitas para jogos, principalmente os mais atuais e dinâmicos, enquanto sua sucessora, “Farewell My Friends” chega com uma beleza moderna que encanta, principalmente pela abordagem do piano e seus timbres absolutos.

O momento de tenção, daquele esporte radical, chega em “Seeking Scott”, do qual, se usarmos ainda mais a imaginação, podemos inserir também em jogos. Por falar nisso, é exatamente que “Lostbloood” faz, mexe com a nossa imaginação.

Chegamos a em “Aevus Caravan”, que com sua linha climática no synthwave e produção orgânica, nos dá certo respiro. Enquanto isso, a faixa título tem o dom de mesclar praticamente todos os sons e climas encontrados no álbum. “Olkland” serve tanto para um momento feliz de um filme fantasioso épico, quanto para o período natalino.

“Leaving” se mantém num bom ritmo, em um misto de sentimentos, soando agridoce, enquanto “Flatwaters” traz sintetizadores mais profundos, baixo marcante e orquestrações propícias. “Dark Times” condiz com o nome e tem um tom sombrio, mas sem deixar o lado futurista.

“RNG Encouter” é mais uma de transição, com ritmo marchante, enquanto “Raydown Forest” vai do suspense a euforia em menos de quatro minutos, trazendo uma energia incrível. “Moonlit Peaks” reforça o coral de fundo, um dos materiais mais orgânicos do disco, encantando pelo seu ar belo e soturno, com cordas e piano se entrelaçando.

Chegando na trinca final, “Lienwood” cria um clima belo, com toques de vanguarda, mas também mais modernos, tudo de forma natural. “The Matriarchs” encanta pelo seu fundo erudito, enquanto “Brothers” encerra o disco com uma beleza estonteante, corais de fundo, clima de despedida e uma melodia cheia de drama.

“Lostblood” é um trabalho primoroso, que ao final de tudo, além de servir como trilha sonora, as faixas podem facilmente servir como música ambiente, provando que além de tudo há autonomia por aqui!

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