A guitarra entra em cena distante, mas adornada por um riff de natureza azeda expresso por meio do trêmulo picking. Criando uma noção de movimento melódico trepidante, portanto, o instrumento molda a base sonora com uma postura curiosamente observadora, enquanto a guitarra solo se percebe por meio de uivos agudos que moldam uma cenografia noturna marcada pela lua cheia.

Evoluindo a sua estrutura por meio de uma bateria que se mostra perante um andamento rítmico de natureza crua, a canção vai se permitindo se apropriar das sombras como a sua verdadeira zona de conforto. Entre sujeira e texturas estridentes, uma voz masculina de nuances azedas preenche o enredo lírico de forma a criar um senso não somente fantasmagórico, mas repleto de suspense e temor. A partir daí, Loretta 77’ se mostra uma obra que mistura, abertamente, as paisagens sônicas do hard rock, do stoner rock e do rock alternativo.

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